A COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, no Brasil, terminou sem um resultado preciso. Houve avanços reais em alguns aspectos, sobretudo em relação à adaptação às mudanças climáticas, mas não foi possível chegar a um acordo em torno de aspectos básicos, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis. O debate segue vivo até a próxima COP, que será sediada na Turquia, em 2026. Ainda assim, os temas ambientais continuam em alta no mundo e a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), usada para avaliar práticas sustentáveis e responsáveis das empresas, ganha cada vez mais relevância.
O Fórum Econômico Mundial afirma que o dinamismo da economia verde só fica atrás do setor de tecnologia. Em relatório recém-divulgado, a instituição estima que a chamada “green economy” já chega a US$ 5 trilhões por ano e deve alcançar US$ 7 trilhões até 2030. Segundo o documento, em média, as receitas verdes crescem ao dobro da velocidade das receitas convencionais; as empresas que atuam no segmento têm acesso a recursos mais baratos e costumam ser mais bem avaliadas no mercado de capitais.
“Esta é uma agenda inescapável, é para onde o mundo caminha”, avalia José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da holding Colpar Brasil, que tem negócios em vários setores, como indústria, agropecuária e urbanismo. “As empresas que não tiverem a sustentabilidade como um eixo que atravessa de forma transversal o negócio perderão espaço”, complementa Colnaghi.
Investimento em títulos verdes
Nas finanças, o movimento é nítido. Antes vistos como um nicho, os fundos ESG se tornaram uma força importante no mundo financeiro global, atraindo trilhões de dólares. Segundo a Fortune Business Insights, empresa de inteligência de mercado e consultoria, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 trilhões em 2025 e deve atingir US$ 125,17 trilhões até 2032, crescendo a uma taxa anual média composta de 18,1%.
O avanço é impulsionado pelo aumento da preocupação da sociedade com esses temas, o que leva empresas a adotar práticas sustentáveis e também a fazer emissões de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade, que superaram US$ 160 bilhões em 2023. Segundo a pesquisa global de investidores da PwC, 79% dos investidores consideram riscos e oportunidades ESG ao tomar decisões de investimento.
Investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e governos, dominam o mercado atualmente, mas a expectativa é que o segmento de pessoas físicas ganhe tração nos próximos anos.
“A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que aparece nas finanças, mas também na economia real, com a necessidade, por exemplo, de contratação de profissionais com habilidades verdes”, acrescenta José Roberto Colnaghi.
E a demanda por esses trabalhadores vem crescendo mais do que a oferta. De acordo com o relatório Global Green Skills Report 2023, do LinkedIn, entre 2023 e 2024, a demanda por profissionais com habilidades sustentáveis aumentou 11,6%, enquanto o número de trabalhadores sem essas qualificações subiu apenas 5,6%.
Redução de Gases de Efeito Estufa
São empregos em áreas diversas, como agricultura regenerativa e sustentável, energia renovável, saneamento, reciclagem, entre outros. “O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica”, avalia José Roberto Colnaghi.
Atualmente, o Brasil contabiliza 6,8 milhões de empregos verdes com vínculo formal, o que representa 9% do total, dos quais 30% são jovens de 14 a 29 anos, segundo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre o assunto.
Na COP30, os empregos verdes tiveram destaque, com a apresentação de projeções para os próximos anos. A pesquisa “Diversidade econômica, comercial, humana e financeira para a transformação ecológica do Brasil”, do Instituto Aya e Systemiq, estima que podem ser gerados até 10 milhões desses postos de trabalho, no país, até 2030.
Já o estudo “Empregos do Futuro no Brasil: Transição Justa para Economias de Baixo Carbono”, da Agenda Pública em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen, é menos otimista. Calcula em 6,4 milhões o número de postos de trabalho verdes até o final da década.
PIB da bioeconomia
Além disso, há o potencial da bioeconomia, que tem mostrado sua força. A Fundação Getulio Vargas (FGV) calcula que o PIB da bioeconomia brasileira alcançou, em 2023, R$ 2,7 trilhões, o equivalente a um quarto do PIB do país. A bioindústria é a atividade com maior representatividade econômica, com R$ 1,8 trilhão, seguido da bioeconomia primária com R$ 1,1 trilhão.
Entram no cálculo do PIB da bioeconomia as atividades de agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, pesca e aquicultura, alimentos e bebidas, celulose e papel, têxteis, biocombustíveis, produtos do fumo, além de partes das indústrias de vestuário, calçados, madeira, farmoquímicos, borracha e plástico, móveis e energia elétrica.
“Dono de vastas riquezas naturais e de uma imensa biodiversidade, o Brasil tem tudo para ser um player importante na bioeconomia global, que tem crescente relevância econômica e, além de tudo, é o futuro”, pontua José Roberto Colnaghi.
Negócios Como a maquiagem pode auxiliar os cuidados com a pele a longo prazo
Negócios Indústria cervejeira demanda mangueiras de alta performance para garantir pureza
Negócios Guia orienta como financiar investimentos em turismo
Negócios Crescimento do empreendedorismo feminino impulsiona 2026
Negócios Startup Inflow chega ao mercado de sofás do Brasil
Negócios TLP abre 30 vagas para Técnico Multiskill em São Paulo Mín. 19° Máx. 34°
Mín. 16° Máx. 20°
ChuvaMín. 15° Máx. 23°
Tempo nublado