A adoção de conselhos consultivos e de práticas estruturadas de governança corporativa tem avançado entre empresas de médio porte do agronegócio brasileiro, em um contexto de maior profissionalização e transformação tecnológica do setor.
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as projeções para 2025 apontam crescimento de 8% a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária neste ano. Com a ampliação da complexidade operacional, empresas do setor têm buscado estruturar processos decisórios, políticas financeiras e mecanismos de gestão de riscos. Nesse cenário, a implementação de conselhos consultivos aparece como uma das estratégias adotadas para apoiar decisões relacionadas a investimentos, estrutura de capital, gestão de caixa e planejamento de longo prazo.
Segundo a PwC, com dados repercutidos pela Associação Brasileira de Logística (Abralog), apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração; 12% sobrevivem até a terceira e menos de 3% alcançam a quarta geração. O tema da sucessão tem sido incluído nas agendas de governança como parte dos processos formais de planejamento.
Para Marcio Roldão, presidente de conselho e conselheiro de administração (CCA+ IBGC, TrendsInnovation e Inova), a integração entre sucessão e governança contribui para a estabilidade organizacional. "No agro, a sucessão mal planejada raramente falha de uma vez. Ela degrada o negócio aos poucos: decisões travam, executivos saem, bancos encurtam crédito e parceiros perdem confiança. Quando o planejamento sucessório está integrado à governança, o efeito é exatamente o oposto: continuidade, previsibilidade e profissionalização da liderança", afirma.
Segundo o executivo, o conselho consultivo também pode atuar na avaliação de alternativas de alocação de capital, analisando investimentos, nível de endividamento e estratégias de proteção financeira. "Regras claras para endividamento, liquidez mínima, uso de hedge e critérios objetivos para investimentos em CAPEX permitem que a empresa atravesse períodos de safra e entressafra com maior previsibilidade, além de fortalecer a relação com bancos e investidores", declara.
Além das decisões financeiras, a governança tem sido associada à estruturação de processos de desenvolvimento de lideranças, com definição de critérios formais para ocupação de cargos estratégicos e mecanismos de avaliação de desempenho.
Para o especialista do setor, a combinação entre governança, tecnologia e planejamento sucessório tende a ganhar espaço no agronegócio, especialmente entre empresas que buscam ampliar o acesso a capital e estruturar estratégias de crescimento de longo prazo.
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