De coadjuvante a protagonista. A gordura, antes vista apenas como algo a ser removido do corpo, vem conquistando um novo papel na medicina e na cirurgia plástica. Graças aos avanços das pesquisas e às técnicas cada vez mais precisas, o enxerto de gordura autóloga, também conhecido como lipoenxertia, tem se consolidado como uma das abordagens mais promissoras para quem busca resultados naturais, regeneração tecidual e melhora da qualidade da pele.
Mais do que uma forma de repor volume, a gordura é um tecido vivo com propriedades biológicas únicas. "Ela carrega consigo um grande potencial regenerativo", explica a cirurgiã plástica Dra. June Favarin, da Clínica Belvivere, localizada em Criciúma (SC). "Estamos falando de um material capaz não apenas de preencher, mas também de promover melhora na textura, luminosidade e qualidade da pele de forma duradoura."
A cirurgiã plástica explica que a gordura autóloga atua como um material de preenchimento biocompatível, capaz de melhorar a pele e estimular a regeneração tecidual em casos estéticos e reconstrutivos.
Como funciona o enxerto de gordura
O procedimento, segundo June, consiste em remover o tecido adiposo de áreas doadoras (como abdômen ou coxas) por meio de uma lipoaspiração delicada. Depois, esse material é purificado e reinjetado em regiões que precisam de volume ou regeneração. "Além de ser biocompatível, ou seja, usa o próprio tecido da paciente, o método é considerado seguro, com baixo risco de rejeição, recuperação tranquila e resultados duradouros", destaca.
De acordo com a médica, a técnica é amplamente utilizada no rejuvenescimento facial para preencher sulcos, olheiras e bochechas, e também no corpo, em regiões como glúteos, seios, mãos e cicatrizes. "Combinando diferentes tipos de preparo, a gordura pode ser usada em múltiplas camadas: o microfat traz contorno e volume, enquanto o nanofat atua na regeneração da pele, com efeito anti-idade e melhora da textura", reforça.
O futuro da técnica e seu alcance médico
O potencial terapêutico da gordura ultrapassa a cirurgia plástica. Ela já é estudada em áreas como dermatologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia, neurologia e oftalmologia. Segundo publicação da National Library of Medicine, a transferência de gordura autóloga é um procedimento confiável e minimamente invasivo, e novas aplicações devem surgir com o avanço da pesquisa experimental.
Para a Dra. June Favarin, o futuro aponta para técnicas ainda mais refinadas e resultados mais previsíveis. "O que antes era apenas uma alternativa de preenchimento agora é reconhecido como uma poderosa ferramenta regenerativa. É muito gratificante ver esse reconhecimento crescer e saber que muitas dessas inovações já estão chegando ao Brasil", afirma.
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