O recente aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos importados tem provocado reconfigurações no comércio internacional e acendido um alerta em diversos setores produtivos. No entanto, o movimento também evidencia a resiliência do mercado premium brasileiro, especialmente no segmento de alimentos e bebidas de alto valor agregado. Mesmo diante do chamado "tarifaço", produtos como carnes especiais porcionadas, cafés de origem certificada e itens com forte apelo de procedência seguem mantendo competitividade no mercado externo, impulsionados pela demanda de consumidores de alto poder aquisitivo, principalmente na América do Norte.
Para o consumidor Triple A, a diferença entre pagar oito ou doze dólares por uma porção individual de carne premium, por exemplo, raramente altera a decisão de compra. Pesquisas sobre comportamento de consumo apontam que consumidores de alta renda tendem a apresentar menor sensibilidade às variações de preço, especialmente quando o produto oferece diferenciais como exclusividade, qualidade superior e experiência associada. Esse comportamento também é reforçado por análises econômicas que indicam que consumidores com maior renda disponível costumam ser menos reativos a pequenas flutuações de preço, priorizando conveniência, prestígio e satisfação emocional na decisão de compra, conforme demonstram pesquisas.
O caso da carne suína brasileira
A carne suína brasileira teve participação menos expressiva no debate sobre o chamado tarifaço norte-americano, cenário que reflete a própria estrutura do mercado internacional do setor. Os Estados Unidos figuram entre os maiores produtores globais da proteína, mantendo forte autossuficiência e importando volumes relativamente menores. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que a produção norte-americana segue em crescimento e alcança bilhões de libras por ano, reforçando o protagonismo do país no setor e reduzindo a necessidade de importações em larga escala.
Esse cenário abre espaço para a carne suína premium brasileira, que tende a não competir diretamente com a commodity americana e se posiciona em nichos específicos de consumo, impulsionados pela valorização de procedência, qualidade e experiência gastronômica. Ao mesmo tempo, o Brasil vem ampliando sua relevância no comércio internacional. Em 2025, as exportações brasileiras de carne suína atingiram 1,51 milhão de toneladas, recorde histórico para o setor e volume 11,6% superior ao registrado no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
A expansão das vendas externas brasileiras também tem sido sustentada pela diversificação de mercados consumidores. Países asiáticos, como Filipinas, Japão e Hong Kong, têm ampliado as importações e contribuído para compensar oscilações em destinos tradicionais, fortalecendo a presença global do produto brasileiro.
De acordo com o CEO de O Cortês, Rodrigo Torres, para empresas que planejam iniciar operações de exportação, o cenário recente traz aprendizados relevantes. "Produtos diferenciados, com proposta de valor clara e foco em nichos específicos, tendem a atravessar períodos de instabilidade tarifária com maior segurança. Estratégias que priorizam a consolidação no mercado interno antes da expansão internacional também ganham relevância", afirma.
Ele explica que o setor exportador brasileiro demonstrou capacidade de adaptação ao redirecionar embarques para outros mercados consumidores, estratégia que já vem sendo observada nas estatísticas do setor. Relatórios recentes indicam que a diversificação geográfica tem ampliado a capilaridade das exportações brasileiras e sustentado expectativas positivas para o crescimento da suinocultura nacional.
Torres acrescenta que, enquanto setores industriais de grande escala seguem mais vulneráveis a barreiras tarifárias, o mercado premium encontra caminhos alternativos para manter competitividade internacional. "O tarifaço não deixou de impactar as exportações brasileiras, mas evidenciou que nem todos os segmentos são igualmente vulneráveis. Qualidade, exclusividade e posicionamento estratégico têm se mostrado fatores-chave de resiliência, contrariando previsões mais alarmistas e abrindo oportunidades para quem souber ocupar esse espaço", conclui.
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