O frio enfraquece o sistema de defesa do organismo e o resultado aparece na forma de doenças respiratórias e cardiovasculares, o que faz com que seja esperado um aumento da demanda dessas moléstias nos hospitais. O alerta é do professor Paulo Saldiva, médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, que fala sobre as consequências das ondas de frio que acontecem nesta época do ano.
A poluição, que é maior neste período de frio, também tem o seu papel, pois ajuda a carregar micro-organismos para as regiões mais profundas do pulmão. “É como se o micro-organismo, bactérias e vírus pegassem uma carona nas partículas de poluição e vão penetrando nas regiões mais fundas, onde a gente faz troca gasosa, ensejando o aparecimento de pneumonias”, diz.
De acordo com o médico, o coração tem que bombear contra uma resistência periférica aumentada, ou seja, contraímos as artérias para evitar perda de calor através da pele, mas consequentemente o coração vai ter que bombear contra uma resistência maior. “E, infelizmente, com essas temperaturas que estão muito baixas, a gente espera um aumento das demandas por doenças respiratórias e cardiovasculares e, também, mortalidade.”
Para minimizar esses efeitos, é preciso controlar as doenças que são preexistentes, alerta Saldiva. “Se é hipertenso, se é doença cardiovascular, se é asmático, se o bebê ou a criança estão com chiado no peito tem que ficar de olho e procurar assistência médica. Mudou a secreção respiratória, começou a ter catarro, tosse, é importante levar na assistência médica e ficar bem de olho”, ressalta.
Já os idosos precisam ter atenção diferenciada nesta época de frio intenso, principalmente os que têm acima de 70 e 80 anos. “É preciso observar o seu comportamento, porque perderam essa capacidade de termorregulação, a pele fica mais fina, tem menos gordura no subcutâneo e consequentemente fica mais vulnerável ao esfriamento.”
Saldiva conclui que a amplitude térmica, a variação, o sistema de gangorra de temperatura também não fazem bem para as pessoas. “Mas isso veio para ficar. As cidades têm baixa umidade do ar, construímos os desertos de concreto e asfalto e, como acontece em qualquer deserto, de noite faz muito frio e aumenta a temperatura durante o dia e isso nós vamos ter que recuperar.”
A coluna Saúde e Meio Ambiente , com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 8h, quinzenalmente, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube , com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
São Paulo Polícia de SP recupera mais de 640 metros de cabos e fios furtados na zona sul da capital paulista
São Paulo Governo de São Paulo oferece opções de moradias para famílias atingidas por explosão
Portos e Aeroportos Governo Federal reforça ações para evitar impactos de nova seca na navegação da Amazônia
São Paulo Prodesp apresenta soluções que transformam os serviços públicos durante São Paulo Innovation Week,
São Paulo Pista de atletismo do Centro de Excelência de São Bernardo abre ao público de segunda a sexta
São Paulo Metrô inicia montagem da roda de corte do Tatuzão “Hebe Camargo” nas obras da expansão da Linha 2-Verde