Estudo publicado pelos Anais Brasileiros de Dermatologia aponta que mais de 70% das gestantes desenvolvem estrias ao longo da gravidez, fenômeno associado ao estiramento da pele e a fatores hormonais e genéticos. A condição, no entanto, não se restringe ao período gestacional: também está ligada ao estirão da puberdade e a oscilações de peso, atingindo com maior frequência regiões como abdômen, mamas, flancos e coxas.
Diante desse cenário, procedimentos cirúrgicos como a abdominoplastia e a mastopexia têm sido utilizados para tratar a flacidez e o excesso de pele associados às estrias. Na abdominoplastia clássica, a remoção da área de pele localizada abaixo do umbigo elimina, junto com o tecido excisado, as estrias presentes nessa região.
De acordo com o cirurgião plástico Vinícius Spiandorello, a cirurgia tem um alcance anatômico definido. "A abdominoplastia resolve o excesso de pele e as estrias da porção inferior do abdômen, mas não tem ação sobre marcas localizadas acima do umbigo, nos flancos ou no colo das mamas, áreas que permanecem inalteradas após a tração cirúrgica", afirma o médico.
Para essas regiões não alcançadas pelo procedimento cirúrgico, tratamentos estéticos direcionados à derme têm sido empregados como complemento, com o objetivo de estimular a produção de colágeno e elastina no tecido remanescente. Segundo Spiandorello, a combinação entre cirurgia e esses procedimentos busca uniformizar o resultado final no contorno corporal.
Pesquisas da área da saúde também associam a insatisfação com a aparência da pele a impactos na saúde mental, especialmente entre mulheres. Um levantamento com gestantes conduzido no Paraná identificou que a presença de estrias esteve relacionada a preocupações estéticas e sentimentos negativos em relação ao próprio corpo entre as participantes.
O cirurgião plástico observa que a procura por tratamentos das estrias costuma estar ligada à busca por conforto com a própria imagem corporal, e não apenas a um resultado estético isolado. "O acompanhamento médico permite avaliar, caso a caso, qual combinação de procedimentos é mais adequada para cada tipo de pele e histórico do paciente", conclui.
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