As férias chegaram, trazendo um convite para desacelerar e criar memórias inesquecíveis. Para muitas famílias, é o momento ideal para desmistificar a leitura como uma "tarefa escolar" ou uma obrigação. Pelo contrário: a leitura compartilhada pode ser um espaço de afeto, diversão e fortalecimento de vínculos entre adultos e crianças.
Além de ser uma grande brincadeira, o contato com os livros na primeira infância tem um impacto profundo no desenvolvimento infantil. Segundo o Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, cerca de 90% do cérebro humano está formado aos 6 anos de idade. Esse é o período de maior neuroplasticidade da vida humana. Pesquisas confirmam que escutar histórias lidas em voz alta enriquece o vocabulário, torna a linguagem mais complexa e facilita a alfabetização, o que reflete diretamente em um melhor desempenho escolar no futuro. Na prática, o segredo para despertar esse interesse nas crianças e colher todos esses benefícios está na mediação de leitura.
"Quando realizamos a mediação de leitura, devemos compreender que nossa ação está isento das obrigações escolares, como cobrar o que a criança aprendeu e exigir que ela entenda tudo perfeitamente. É um momento de outros encontros com os livros, em especial neste período de férias, exigindo nossa presença, escuta e diálogos na relação com a leitura", explica Beto Silva, coordenador da área de Educação da Vaga Lume, especialista em formação de leitores e promotores de leitura e educação socioemocional "Ao longo dos anos, vemos que a prática da mediação de leitura, se mostra eficaz por criar outras possibilidades de conexão com o livro, com a leitura e com as pessoas em diferentes situações e contextos", diz Silva.
A mediação de leitura é o ato de ler para alguém sem a necessidade de explicar ou fazer perguntas sobre o que foi lido. O mediador cria um ambiente de escuta, curiosidade e afeto, estabelecendo pontes entre o livro e a criança e gerando o hábito leitor. Um exemplo do impacto desse processo é que, somente em 2025, a organização registrou mais de 56 mil empréstimos de livros em suas bibliotecas comunitárias, demonstrando a força do mediador de leitura e do acervo literário, composto por histórias, estilos de narrativa, formatos e representatividades diversas.
"A mediação tem uma fórmula simples em sua prática: a presença de uma pessoa mediadora, pessoas ouvintes e os livros. Neste encontro se estabelece uma relação afetiva pelas histórias lidas e pelo momento vivido", afirma Beto. "Quando aproximamos crianças e adolescentes dos livros e realizamos situações de mediação de leitura, contribuímos para sua formação leitora que além da promoção de seu repertório cultural e linguístico, fortalecemos a possibilidade de pensar sobre si próprio, sobre os outros e sobre tudo que nos cerca. A leitura, também, promove o desenvolvimento da empatia, competência fundamental para a formação socioemocional", completa.
Confira algumas dicas da Vaga Lume para deixar a leitura ainda mais divertida:
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