Entretenimento Entretenimento

Hobby do ferreomodelismo espalha-se pelo Brasil

O ferreomodelismo é uma mistura de entretenimento, baseado em modelos de escala, e arte

14/05/2026 11h07
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Lucas Frateschi
Lucas Frateschi

Atualmente, eventos ligados ao ferreomodelismo têm se espalhado pelo país, em encontros que reúnem apaixonados pelo hobby em muitas cidades paulistas, como Campinas, São Carlos, Rio Claro, Bebedouro, Pindamonhangaba, Santa Rita do Passa Quatro, Cruzeiro, Pirassununga, Louveira e Mogi das Cruzes, e também em outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Não há um número exato de praticantes de ferreomodelismo no Brasil, mas o hobby está presente em todas as regiões, com uma comunidade ativa, clubes, associações e eventos em diversas cidades. A paixão por reproduzir ferrovias em miniatura atrai pessoas de várias idades e é impulsionada pela história das ferrovias brasileiras.

Um exemplo desta paixão pelo ferreomodelismo é a do gaúcho Guilherme Piovesan Borghezan, que construiu uma maquete ferroviária dentro de um ônibus, que tem virado ponto turístico por onde passa e levado muita informação a alunos de várias escolas. O objetivo é levar a elas o entretenimento ferroviário e um pouco da história ferroviária no Brasil, bem como informações sobre os pontos turísticos que estão na maquete.

Seja para relaxar, divertir-se, desestressar ou mesmo cultivar o amor pelas ferrovias, o ferreomodelismo é uma opção para quem está procurando algo para entreter a mente e passar o tempo. Este hobby é um dos mais antigos do mundo, e sua origem remonta ao período em que o transporte ferroviário foi adotado massivamente. As primeiras miniaturas de trens foram fabricadas por volta de 1830, por artesãos alemães. De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente no Brasil, onde o transporte de passageiros pelas ferrovias deixou de acontecer, com exceção dos passeios turísticos. Mesmo assim, a paixão de algumas pessoas por este hobby se intensificou.

O projeto das miniaturas é um trabalho de engenharia fina e precisa, e as locomotivas e vagões são reduzidos à escala 1/87, mundialmente conhecida dentro do modelismo ferroviário, formando um conjunto de moldes de injeção que compõem todo o produto final. Após isso, o produto é pintado e montado. O ferreomodelismo é uma mistura de entretenimento, baseado em modelos de escala, e arte. "Os amantes deste hobby constroem suas maquetes, fazem toda a parte de decoração e cenário e projetam as construções. Esse trabalho de reprodução do mundo real é totalmente artesanal", diz Lucas Frateschi, diretor da Frateschi Trens Elétricos, empresa com sede em Ribeirão Preto, no interior paulista, que possui 59 anos de atuação no mercado e é a única fabricante de trens elétricos em miniaturas e réplicas de composições reais na América Latina.

A fábrica de miniaturas de trens elétricos foi fundada em 1967 por Galileu Frateschi, que se formou em engenharia civil, em 1941, e se mudou com a família de Franca para Ribeirão Preto, seis anos depois, onde arrendou uma marmoraria e começou sua jornada profissional. Antes de inaugurar a indústria, ele atuou como projetista, calculista e administrador de várias obras na região e trouxe, em meados dos anos 50, a primeira máquina de prensar blocos de concreto para Ribeirão Preto e região.

O gosto pela ferrovia e pelo trem elétrico já fazia parte da alma de Galileu, pois seu filho mais velho, Hélio, também engenheiro civil, e seu filho mais novo, Celso, tinham seus trens e brincavam com eles em um tempo em que os produtos vinham do exterior. Em 1958, ele decidiu fundar a Fábrica de Brinquedos Frateschi Ltda. e produzir bichos de pelúcia. Percebendo um vácuo no mercado de modelismo ferroviário, Galileu começou a fazer pequenas estruturas aéreas para maquetes, tais como postes e catenárias. Em 1966, Celso formou-se em engenharia mecânica e se juntou ao seu pai, dando um fôlego técnico à empresa e incrementando seu leque de produtos, que passou a ter vagões, trilhos e locomotivas.

"As pessoas pensam que o transporte ferroviário morreu, mas ele está vivo e em expansão. A ferrovia é de valor estratégico imprescindível para um país como o Brasil, e este crescimento ajuda a fomentar ainda mais a paixão que muitos brasileiros têm pelos trens, sendo que muitos passam o hobby do ferreomodelismo para as futuras gerações", finaliza Lucas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.