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Qual a origem e para que serve o cheiro da Maria Fedida? Especialistas do Butantan respondem

Ciclo de vida curto, alimentação à base de seiva de plantas, substância que ela solta é presente no coentro; veja estas e outras curiosidades

29/03/2026 10h01
Por: Redação Fonte: Secom SP
Já adultas, sobrevivem por aproximadamente 100 dias. Uma vida curta, mas muito bem vivida e aproveitada
Já adultas, sobrevivem por aproximadamente 100 dias. Uma vida curta, mas muito bem vivida e aproveitada

Imagine que um pequeno inseto verde entra voando pela janela da sua casa. Ao tentar tirá-lo dali, um cheiro estranho e forte, toma conta do ambiente. Então, você se dá conta: era uma maria-fedida – também conhecida como fede-fede, percevejo-verde ou percevejo-fedorento. A alcunha, merecida, se dá pelo odor que ela manifesta quando se sente ameaçada.

O nome científico da bichinha em questão é Nezara viridula. Em termos mais formais, ela é um percevejo da família dos pentatomídeos, e o cheirinho tem a função primordial de afastar possíveis predadores. Isso porque a substância, além de malcheirosa, tem um gosto impalatável. Caso um passarinho, uma rã ou um lagarto tente abocanhar a maria-fedida, vai ser difícil de engoli-la. A substância que ela solta é composta por aldeídos insaturados, também presentes no coentro, é expelida por meio de glândulas localizadas na região do abdômen e do tórax.

Essa essência fedida, por mais contraditório que possa parecer, também é um feromônio: serve para atrair parceiros em época de reprodução. É durante a primavera e o verão, com as altas temperaturas, que as marias-fedidas aproveitam para procriar e depositar os ovos em lugares que consideram mais “seguros”. Com o desmatamento e o crescimento das cidades, elas têm se adaptado aos locais que não tenham grandes variações de temperatura e umidade – por isso, não estranhe se encontrar um aglomerado de pequenos ovos grudados em lugares inusitados da sua casa, como toalhas de banho no varal.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

Seja no térreo ou em andares altos, nos centros urbanos ou plantações, a chance de encontrar alguma maria-fedida por aí é grande: a danada consegue voar boas distâncias, mesmo apresentando asas parcialmente completas, típico da subordem dos heterópteros. Essa capacidade de locomoção e o aparelho bucal do tipo picador ou sugador, característico da ordem dos hemípteros, contribuem para que ela consiga se alimentar daquilo que mais gosta: seiva de plantas. Não à toa, as marias-fedidas podem se tornar pragas para plantações.

Inteligente e cheia de particularidades

Depois de se divertir no calor, se esbaldando no suco das plantas e garantindo a sobrevivência da estirpe enquanto pode, a maria-fedida se resguarda durante as estações mais frias do ano. Esse fenômeno, parecido com a hibernação, é chamado de dormência de diapausa. É nesse momento que o metabolismo da bichinha desacelera e suas atividades ficam restritas, como se todo o sistema reprodutor desligasse e ela aproveitasse para descansar.

Ao voltar à ativa para se reproduzir, a maria-fedida se comporta de maneira diferente dos demais insetos. Ao botar os ovos, ela veste integralmente a skin (pele) de mãe e se dedica ao cuidado parental, tomando conta dos ovos até que eles eclodam. Essa atenção é um fator fundamental para o sucesso da espécie, já que a presença da matriarca por perto diminui as chances de algum parasita, como uma vespa, parasitar os ovinhos.

As ninfas levam cerca de 20 dias para nascerem e passam por vários estágios de ecdise (troca da camada externa do corpo). Já adultas, sobrevivem por aproximadamente 100 dias. Uma vida curta, mas muito bem vivida e aproveitada.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

E não se assuste caso escutar aquele barulho característico do voo dos besouros e não encontrar o bichano por aí: também pode ser uma maria-fedida. Mesmo tendo metade da asa incompleta, ela emite o som de asas pesadas como outra forma de defesa – algo involuntário, que se dá pelo formato do corpo e composição das asas. Inteligente, a danada.

O que também funciona como forma de defesa é a coloração: o percevejo-verde consegue se camuflar com mais facilidade em meio às vegetações; já o marrom se adapta aos troncos de árvore. E o mais curioso é que cada uma libera um cheiro diferente – mas nenhum muito agradável.

Para evitar assustar a bichinha e impedir que o cheiro se espalhe pela casa, o recomendado é usar um copo plástico e uma folha para capturá-la e soltá-la na natureza.

Maria-fedida (Nezara viridula)

Família: percevejos da família Pentatomidae – contam com antenas formadas por cinco segmentos

Onde habita: encontradas no mundo todo, mas muito comuns nas Américas e em regiões tropicais. Costumam viver em meio a plantações e, com a expansão urbana, também nas cidades

Características físicas: corpo geralmente em forma de escudo, com aproximadamente 1 a 2 cm de comprimento. Possuem cores que variam entre verde, marrom, manchado ou metálico, dependendo da espécie, para confundir predadores ou sinalizar perigo.

Ciclo de vida: ovo, ninfa e adulto

Tipo de alimentação: fitófaga – alimentam-se da seiva de plantas

Curiosidades: produz uma substância que exala mau cheiro e é impalatável para os predadores, além de exercer o cuidado parental e cuidar dos ovinhos até eclodirem. É inofensiva à saúde humana.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP
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