A Associação Pagos de Gestão de Pagamentos Eletrônicos concedeu, em 26 de novembro, durante sua 40ª Reunião, o título de Benemérito Pagos ao ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. A homenagem, criada para marcar e eternizar o legado de profissionais que transformam o mercado de pagamentos, reconhece sua contribuição decisiva para a abertura da competição e o estímulo à inovação no sistema financeiro brasileiro, movimento que permitiu o surgimento do atual ambiente de fintechs, arranjos de pagamento e instituições digitais. Segundo a entidade, o gesto busca registrar para as próximas gerações o impacto de líderes que desempenharam papéis determinantes na modernização financeira do país.
No caso de Meirelles, a Associação destaca que suas políticas foram fundamentais para a estabilidade macroeconômica, o fortalecimento institucional e a criação das condições que possibilitaram o desenvolvimento do mercado de pagamentos tal como se conhece hoje.
Trajetória econômica
Meirelles apresentou uma análise da trajetória econômica brasileira desde o início dos anos 2000, destacando como o resgate da confiança institucional e o rigor no combate à inflação foram essenciais para viabilizar um mercado de crédito mais competitivo e a expansão dos meios eletrônicos de pagamento. “Em 2003, o Brasil possuía apenas US$ 15 bilhões em reservas internacionais e uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI, além de enfrentar inflação persistentemente alta. Para reverter o quadro, foi necessária a elevação da taxa básica de juros para 25% e, posteriormente, 26% ao ano, medida conduzida para ancorar expectativas, recuperar a credibilidade e estabilizar a economia”, relembrou Meirelles, destacando o papel estruturante de avanços institucionais, como a Lei do Cadastro Positivo, ao afirmar que “essa lei teve uma influência brutal, permitindo o surgimento dos meios eletrônicos de pagamento, das fintechs e do ambiente de que essas instituições fazem parte hoje”.
Nesse momento do debate, Rodrigo Romero, presidente do G100 Brasil, destacou que a postura do empresariado diante dos desafios estruturais permanece como um ponto crítico para o avanço econômico. “Algumas reuniões atrás, no G100 Brasil, falávamos sobre a apatia de empresários e presidentes de companhias frente aos desafios trazidos pelas reformas. O ministro deu uma verdadeira aula ao reforçar que é preciso acreditar, investir e assumir protagonismo. Hoje, somado ao impacto da inteligência artificial na mão de obra das companhias, esse recado permanece atual: o comportamento do empresário brasileiro em termos de investimento, ampliação e retenção de talentos será determinante para enfrentar os desafios que se aproximam”, afirmou Romero.
Pagos reforça agenda regulatória e apoio técnico às empresas
A 40ª Reunião marcou ainda o reforço da estratégia da Pagos em ampliar sua atuação regulatória junto ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Associação destacou a necessidade de apoiar empresas — especialmente as de menor porte — na compreensão do ambiente regulatório, cada vez mais complexo diante da expansão acelerada dos meios de pagamento no país.
“Coordenamos, no último mês, a elaboração de uma carta aberta ao Banco Central, construída com apoio técnico de especialistas como o advogado, Dr. Giancarllo Melito, e assinada conjuntamente pela INIT — Associação dos Iniciadores de Transações de Pagamento (ITPs) —, além de contribuirmos para oito consultas públicas que tratam de regras de pagamentos, arranjos, credenciamento e governança”, afirmou Linconl Rocha. “A Pagos estruturou ainda uma ‘antena regulatória’ para monitoramento contínuo de normas, permitindo aos associados antecipar mudanças e reduzir riscos”, acrescentou, explicando que o objetivo é garantir voz qualificada ao setor nas decisões regulatórias.
Desafios regulatórios e necessidade de mapeamento permanente
Os gestores da Associação reforçaram a importância de manter um mapeamento regulatório atualizado do ecossistema de pagamentos, trabalho conduzido em conjunto com especialistas, como o economista e professor Rogério Mori. Segundo a Pagos, grande parte das instituições do setor ainda está em fase de aprendizado, o que exige a produção de estudos, análises e materiais de capacitação para facilitar a adaptação às normas.
Um dos pontos sensíveis destacados foi o impacto das mudanças regulatórias sobre empresas menores, que precisam acompanhar consultas públicas, novas exigências e atualizações normativas sem a mesma capacidade de compliance de grandes players.
Expansão dos meios eletrônicos e crescimento do Pix
Dados do Panorama Econômico Pagos mostram que o número de operações Pix saltou de aproximadamente 2 milhões para quase 7 milhões de transações mensais, consolidando o sistema como principal mecanismo de pagamento e transferência no país. A edição também aponta estabilidade nas taxas cobradas pelos cartões — próximo de 2,1% no crédito, 1,5% no pré-pago e 1,0% no débito.
Em 2024, a mesma edição do Panorama afirmou que o Pix registrou 63,8 bilhões de transações, alta de 52% em relação ao ano anterior, superando o volume combinado de cartão de crédito, débito, boleto, TED, pré-pago e cheques. Em 2025, segundo o Banco Central, o sistema segue em expansão acelerada, batendo sucessivos recordes diários e consolidando-se como o meio de pagamento mais utilizado no país — com mais de 170 milhões de usuários ativos.
Ajuste fiscal em 2027 e desafios macroeconômicos
Em 2027, Meirelles alertou que o Brasil deverá enfrentar um ajuste fiscal independente do governo eleito. “Qualquer administração terá de enfrentar o tema do controle de despesas. O arcabouço institucional precisa ser respeitado para garantir estabilidade e crescimento”, afirmou. “Com o fortalecimento de fintechs, bancos digitais e novas infraestruturas como o Pix, o Brasil consolida-se como um dos ecossistemas de pagamentos mais avançados do mundo”, reiterou Linconl Rocha.
Durante a reunião, os gestores da Pagos reforçaram o compromisso de ampliar comitês técnicos, produzir estudos, promover fóruns de debate e apoiar a participação dos associados em consultas públicas, com o objetivo de qualificar a interlocução com reguladores e reduzir assimetrias entre instituições de diferentes portes.
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