A moda sempre foi sinônimo de identidade e cultura, além de um setor que promove grandes movimentos para a economia, mas sua indústria vive um ponto de inflexão. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as empresas ligadas à moda são responsáveis por até 8% das emissões globais de CO₂, além de um alto consumo de energia e água e da baixa transparência de dados sobre sustentabilidade. Esse peso começa a ser encarado como um desafio, para que os impactos da produção se tornem visíveis e rastreáveis.
No Brasil, segundo o Índice de Transparência da Moda, elaborado pela Fashion Revolution, mais de 60% das marcas não divulgam inventários completos de emissões de gases e apenas 23% informam os fornecedores de pelo menos um item usado como matéria-prima — etapa em que se encontram os maiores riscos de desmatamento, exploração de trabalho e degradação ambiental.
Do campo à pegada de carbono
Em meio a um cenário de urgentes mudanças e conscientização, a Future Climate e a Almagrino se unem em uma iniciativa que conecta ciência, rastreabilidade, moda e propósito.
A Future Climate realizou para a Almagrino a pegada de carbono completa de três peças de roupas — camisa polo, camisa oxford e camiseta — aplicando a metodologia “do berço ao túmulo” (cradle-to-grave), que considera todas as etapas da cadeia: cultivo do algodão, fiação, tecelagem, tingimento, acabamento, confecção, transporte, uso e descarte. Os resultados apontaram valores distintos de pegada de carbono conforme o tipo de peça e o processo produtivo, revelando com precisão o impacto climático de cada produto e reforçando o compromisso das empresas com dados reais, integridade e transparência.
Mas não bastava medir e não informar. Como símbolo desse movimento e de toda ação realizada, uma das camisas da coleção Almagrino é usada pela equipe da Future Climate durante a COP30, em Belém. A peça, uma camisa polo, traz o valor da sua pegada de carbono estampado na manga, além de um QR Code de rastreabilidade que carrega informações sobre toda a cadeia produtiva do vestuário, até mesmo a fazenda em que o algodão foi cultivado.
A ação representa uma forma concreta de “vestir a camisa da agenda climática”, unindo inovação, propósito e comunicação transparente. Ao apontar o número das emissões diretamente na peça e permitir o acesso às informações completas da sua produção, a iniciativa mostra que transparência e rastreabilidade são o caminho para uma moda mais íntegra e alinhada à transição climática. "Vestir a camisa da agenda climática é mais do que uma metáfora, é uma atitude. Na COP30, queremos mostrar que é possível transformar discurso em prática, levando a rastreabilidade e a integridade das nossas açães até o detalhe do que vestimos", destaca Laura Albuquerque, Chief Climate Officer da Future Climate Group.
No caso da camisa polo, o trabalho da Future Climate apontou que a produção da peça de roupa gerou a liberação de 3,21 kg de CO₂ e (dióxido de carbono equivalente), desde a origem do algodão até a confecção do vestuário. Para quantificar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas a partir da produção de uma camisa polo, muitas questões foram analisadas, até mesmo a gramatura do tecido de algodão, embalagens usadas no transporte e na venda, distâncias percorridas pelo produto, além do uso de água e energia em diferentes etapas do processo, entre outros fatores.
Com a mensuração da pegada de carbono, a Almagrino fez a compensação do impacto causado pela produção das camisas com a compra de créditos de carbono, a partir do projeto de energia eólica Rio do Vento Complex Project, do Rio Grande do Norte.
"Na Almagrino, acreditamos que o futuro da moda está na clareza: do campo ao cabide, sem esconder nada. Medir, comunicar e compensar a pegada de carbono das nossas peças é parte da nossa essência e do que queremos inspirar no setor", afirma Pedro Sávio, sócio-fundador da Almagrino.
Transparência, rastreabilidade e propósito
Fundada em Cuiabá (MT), a Almagrino integra toda a cadeia produtiva do algodão, desde a lavoura até a confecção. Em sua “plantação de camisetas”, localizada em Campo Verde (MT), é cultivada uma área de 160 hectares com algodão especial e segregado, além do uso de práticas de agricultura regenerativa, sem irrigação. A confecção resulta em peças em algodão premium rastreável.
A parceria entre Almagrino e a Future Climate se traduz em um produto com pegada de carbono mensurada, rastreabilidade comprovada e comunicação transparente, levado à COP30 como símbolo de inovação e integridade climática. E o movimento não para por aí: além das peças usadas na COP30, a Almagrino adquiriu créditos de carbono suficientes para a compensação integral da produção de roupas fabricadas pela empresa durante o ano todo, aproximadamente 32 mil peças.
Este processo, reforças o compromisso das empresas com uma moda de impacto positivo e carbono neutro, mostrando que a transparência também se veste e que o futuro da moda está em transformar discurso em prática e propósito em ação.
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