A edição 2025 dos Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo (Paresp) deve ser a última da carreira de Nathalie Filomeno, atleta de Sorocaba, no vôlei sentado. Fenômeno das quadras e uma das pioneiras da modalidade no país, ela se prepara para migrar para o atletismo.
Nathalie nasceu portadora de lesão do plexo braquial, trauma causado aos nervos que controlam os movimentos e a sensibilidade do ombro, braço e mão, e conheceu o vôlei aos 8 anos de idade. Em 2006, aos 15 anos, foi convidada a participar de um treino da seleção brasileira de vôlei sentado. Aceitou e nunca mais saiu.
“O vôlei é a minha paixão, é parte da minha identidade. Ele me ensinou disciplina, trabalho em equipe e resiliência. Graças ao vôlei viajei para países que eu sonhava visitar, como Japão, Rússia, Holanda, Estados Unidos e França, e tive o privilégio de conhecer atletas como a Fabi [ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei] e o Ronaldinho Gaúcho”, conta Nathalie, que joga como levantadora atacante.
A história do vôlei sentado no Brasil se confunde com a história de Nathalie. A modalidade foi difundida no país em 2002, quatro anos antes da estreia da sorocabana pela seleção nacional. “Nos últimos 20 anos o vôlei sentado evoluiu muito no Brasil em termos de visibilidade e apoio. Passamos a ter mais competições organizadas, melhor infraestrutura e uma percepção social mais positiva sobre o esporte para pessoas com deficiência.”
Todos os principais resultados do vôlei sentado feminino brasileiro tem as mãos de Nathalie. Ela foi campeã mundial em Sarajevo (Bósnia e Herzegovina), em 2022, medalha de prata nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto-2015 e Lima-2019 e medalha de bronze nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro-2016 e Tóquio-2020. Mas, após anos de dedicação exclusiva ao vôlei, Nathalie decidiu buscar novos horizontes.
Em janeiro deste ano, Nathalie iniciou a transição para o atletismo. Suas especialidades são o arremesso de peso e o lançamento de disco, prova esta, aliás, que ela detém a terceira melhor marca do país na classe F38, com 25,70m.
“O atletismo oferece uma diversidade de provas e a possibilidade de me dedicar a competições que também valorizam a superação pessoal e os limites físicos, algo que sempre me motivou”, diz ela, que pretende emplacar a quinta Paralímpiada. “Minha meta é estar em Los Angeles-2028. A experiência de estar nas Paralimpíadas é algo indescritível, e eu sonho viver essa emoção novamente, agora em uma nova modalidade.”
Conciliar as duas modalidades está fora de cogitação. A agenda para o vôlei deve ser encerrada definitivamente em dezembro. A prata no Paresp deste ano, portanto, marcou muito provavelmente a despedida de Nathalie das quadras. “O Paresp é crucial para mim, pois é uma competição que me permite competir em alto nível e desenvolver minhas habilidades. Era eu pra eu ter competido já no atletismo este ano, mas estava com a mão machucada.”
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