A pandemia de COVID-19 transformou o mundo do trabalho, desencadeando mudanças estruturais que seguem moldando o comportamento de empresas e trabalhadores. De acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne 38 países desenvolvidos, muitos profissionais passaram a rejeitar empregos com baixos salários e más condições de trabalho, o que contribuiu para o aumento das demissões voluntárias e das dificuldades de recrutamento, especialmente nos setores de hospitalidade, alimentação e manufatura.
Ao mesmo tempo, uma análise global conduzida pela EY aponta que o trabalho remoto, adotado em massa durante a pandemia, passou a ser um fator determinante para a retenção de talentos. Embora as empresas tenham avançado para modelos híbridos ou presenciais, muitos trabalhadores demonstram resistência em abrir mão da flexibilidade conquistada desde 2020, valorizando mais a qualidade de vida, a autonomia e a integração entre vida pessoal e profissional. As duas pesquisas revelam um cenário no qual o desafio das organizações vai além da contratação: manter os profissionais engajados e satisfeitos exige adaptação a novas expectativas e um ambiente de trabalho reconfigurado.
Essas transformações trouxeram à tona uma inquietação crescente: cada vez mais profissionais sentem que suas carreiras já não representam quem realmente são. Um levantamento da Gallup de 2024 mostra que o engajamento global caiu para 21%, o menor índice em quatro anos, com destaque para a queda entre líderes e gestores, justamente os responsáveis por motivar equipes. A mesma pesquisa aponta que 33% dos trabalhadores afirmam estar "em sofrimento" ou "apenas sobrevivendo" no trabalho, resultado de desalinhamentos entre valores pessoais e cultura organizacional.
A falta de alinhamento entre a trajetória profissional e os valores pessoais pode comprometer a motivação, o bem-estar e o engajamento. Uma reportagem da Fast Company Brasil mostra que, em uma pesquisa global, os três principais fatores apontados por trabalhadores para um "bom emprego" foram: rotina agradável, remuneração estável e senso de propósito, porém apenas cerca de 40% afirmaram ter esses três elementos. Isso reforça que a ausência de propósito, quando o trabalho ignora princípios e convicções pessoais, tem potencial para minar o engajamento e afetar o equilíbrio emocional no exercício da atividade profissional.
Nesse contexto, a autenticidade ganha papel central. Como destaca André Kaercher, especialista em desenvolvimento humano, ser autêntico é mais do que ser "genuíno": é agir com coerência entre o que se acredita e o que se entrega, mesmo em ambientes que valorizam mais a performance do que a essência. Essa escolha, embora desafiadora, é o que separa profissionais que apenas reproduzem comportamentos esperados daqueles que deixam um legado. "Quando você lidera com autenticidade, lidera com a sua essência. E é isso que inspira a transformação real", afirma.
Entre as novas gerações, a exigência por alinhamento entre valores pessoais e missão corporativa tem se tornado cada vez mais evidente. De acordo com a pesquisa global da Deloitte de 2025, cerca de 45% dos profissionais da Geração Z e 44% dos millennials já rejeitaram uma oferta de emprego ou deixaram uma posição por perceberem incompatibilidade com os valores da empresa. A busca por propósito e coerência ética nas relações de trabalho tem influenciado diretamente nas decisões de carreira, refletindo uma tendência em que a identificação com a cultura organizacional é tão relevante quanto salário ou cargo.
Kaercher acrescenta que a reconexão com a identidade profissional não é apenas uma demanda pessoal, mas uma estratégia para destravar resultados e renovar o senso de propósito. "Muitos profissionais entram em ciclos de estagnação porque estão vivendo carreiras que não representam mais suas verdades. Romper com isso começa por uma pergunta essencial: quem sou eu neste momento da minha jornada?", observa.
Entre os dias 5 e 7 de dezembro de 2025, São Paulo recebe o Arenna, evento que traz como um de seus focos o pilar "Identidade: Clareza, Força e Protagonismo". A proposta é explorar, a partir de evidências científicas e experiências práticas, como a construção de uma identidade profissional pode ser um diferencial em tempos de instabilidade e transição.
Mais informações estão disponíveis no site oficial: https://www.instagram.com/andrekaercher/reel/DOwf6GdEl1N
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