O setor de manutenção, reparo e revisão de aeronaves (MRO) vive um ciclo de expansão no Brasil. Em setembro, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) destacou a agenda de qualificação e padronização para mecânicos de manutenção no MRO Brasil 2025: a agência reguladora destacou desafios recorrentes — desde lacunas de mão de obra certificada até atualização contínua de competências — e apresentou soluções alinhadas à segurança operacional, conformidade e ganhos de produtividade nas oficinas do país. Entre os pontos centrais, estiveram a importância de trilhas formativas robustas, intercâmbio técnico entre fabricantes e centros de manutenção e o fortalecimento de critérios de qualidade que encurtam tempo de parada das aeronaves, eixo crucial para a expansão do mercado de manutenção (MRO) no país.
No eixo industrial, o estado do Rio de Janeiro consolida um polo de motores com uma nova planta industrial orçada em R$ 430 milhões que reforça o ecossistema de revisão, testes e serviços avançados. O movimento sinaliza um ciclo de investimentos na cadeia de propulsão — do reparo pesado à modernização — e aponta para a combinação de demanda regional crescente, base técnica qualificada e infraestrutura capaz de atender frotas comerciais, executivas e agrícolas, com efeitos diretos sobre emprego e transferência tecnológica.
O movimento posiciona o Brasil como base competitiva para serviços de alto valor agregado na cadeia global de propulsão. Na leitura do especialista em confiabilidade e segurança de processos de motores de aeronaves, Lucas Rodrigo da Costa, a agenda de formação apresentada pela ANAC dialoga com a necessidade real de pista e oficina. "Sem padronização de procedimentos e capacitação contínua, o ganho de escala vira risco; com método e gente treinada, vira produtividade e segurança", afirma.
Estudos e análises setoriais apontam que o Brasil amplia sua relevância regional como hub de manutenção, impulsionado por demanda doméstica, custos competitivos e experiência acumulada em overhaul. Para Lucas, esse reposicionamento exige também governança de dados de manutenção e rastreabilidade de componentes. A padronização de checklists, o controle de torque crítico e o monitoramento de vibração são decisivos para prevenir eventos de overspeed e falhas por fadiga em turboprops. "A oficina que documenta, mede e aprende mais rápido entrega motor mais confiável, reduz retorno não programado e fideliza operador executivo e comercial", diz, ao comentar avaliações sobre o papel estratégico do país no MRO.
No front industrial global, a maior procura por manutenção sustenta margens de fabricantes e amplia acordos de suporte de longo prazo — inclusive para a família PT6, muito presente no Brasil. Lucas vê oportunidade para transferência de conhecimento e atualização de boletins em campo. "A expansão de programas de suporte e a alta na demanda por overhaul sinalizam mais treinamento, ferramental e auditorias — isso melhora a qualidade no hangar e no on-wing", avalia.
A trajetória de Lucas dá dimensão prática a esse diagnóstico. Ele é mecânico licenciado com especialização em Powerplant (GMP) e atuação prática em Pratt & Whitney Canada PT6A e GE H80/M601 — incluindo HSI (Hot Section Inspection), análise de bicos injetores, shrouds e sistemas de temperatura, aplicação do programa MORE (FAA/ANAC), borescope, testes de performance e run-up, além de manutenção de FCU, Starter Generator e Reduction Gearbox. Na VOAR Aviation, estruturou um protocolo de inspeção e manutenção replicado em diferentes unidades, com logs digitais, QR codes para rastreabilidade de ferramentas e registros em nuvem, reduzindo erros, padronizando processos e elevando KPIs de confiabilidade. Também formou novos profissionais, com efeito multiplicador sobre consistência de inspeções, limpeza e montagem de motores.
Como inspetor e técnico na Air Turbine Aviation, coordenou serviços on-wing e off-wing em cinco países da América do Sul, com ênfase em borescope, balanceamento de hélices, verificações de torque e conformidade com diretrizes de aeronavegabilidade. Nos projetos internos, estruturou checklists de recebimento, verificação documental e fluxo de discrepâncias, melhorando comunicação com clientes e prevenindo retrabalho — iniciativas que convergem com a pauta regulatória de qualificação e segurança operacional destacada na MRO Brasil 2025.
Além do portfólio técnico, Lucas é reconhecido pela sua participação crucial no resgate da aeronave que transportava o Ministro do Supremo Tribunal Federal Teory Zavaski no Brasil, na região de Paraty. Conforme o portal Universo de Negócios, ele faz manutenção avançada dos motores aeronáuticos e está entre os pouquíssimos profissionais no Brasil com domínio técnico dos sistemas mais complexos da aviação executiva, sendo um dos poucos profissionais no Brasil que dominam os motores Pratt & Whitney Canada – Série PT6A e motores GE Aviation – Séries H80 e M601.
A recuperação do mercado doméstico e regional pós-pandemia vem impulsionando o backlog de oficinas e a expansão de capacidades, sobretudo em propulsão. Indicadores do segmento mostram aumento de horas voadas e demanda por ciclos de manutenção programada e inspeções. Para Lucas, a próxima fronteira está em manutenção preditiva, integração de telemetria e auditorias digitais. "O motor fala: vibração, temperatura e tendência de consumo contam a história. Com analytics na oficina e no campo, a decisão fica mais rápida e o risco, menor", afirma.
Na avaliação do especialista, ao projetar ganhos de segurança e disponibilidade com a nova planta no RJ e com programas de formação ampliados, o Brasil pode consolidar-se como "oficina do hemisfério sul" para famílias de motores estratégicas se alinhar investimento, certificação e pipeline de talentos. "Escala sem método não sustenta reputação. Se o país combinar qualificação, padronização e auditoria contínua, entrega custo competitivo, qualidade e previsibilidade para toda a cadeia", conclui Lucas.
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