A inteligência artificial vive uma nova etapa de evolução. Depois da popularização dos modelos generativos e da engenharia de prompts, empresas e profissionais começam a direcionar sua atenção para um novo cenário, em que a tecnologia deixa de ser uma ferramenta restrita às áreas técnicas e passa a ocupar espaço nas decisões estratégicas dos negócios. Segundo a pesquisa The State of AI 2025, da McKinsey, 62% das organizações já experimentam agentes de IA, mas apenas 23% afirmam estar escalando algum sistema agêntico. O cenário evidencia o desafio das empresas de transformar a experimentação em aplicações estruturadas e alinhadas aos objetivos estratégicos do negócio.
Para Rafael Ronqui, diretor do MBA da FIAP, essa mudança representa uma transformação na forma como as empresas incorporam a tecnologia à gestão. "A inteligência artificial ainda vive um momento de hype, mas tende a se tornar uma tecnologia do cotidiano corporativo, assim como aconteceu com a computação em nuvem e a transformação digital", explica. Neste cenário, o papel das lideranças passa a ser compreender quando e como utilizar a IA para apoiar a estratégia, em vez de adotar ferramentas apenas pela novidade.
Na perspectiva dos negócios, de acordo com Ronqui, a orquestração de IA está relacionada à capacidade dos gestores de conectar tecnologia e estratégia. As empresas precisam avaliar em quais processos a inteligência artificial pode gerar valor e como sua utilização pode contribuir para os resultados da organização. "Essa transformação alcança diferentes níveis hierárquicos. Há alguns anos, não existiam cargos de C-level dedicados exclusivamente à inteligência artificial, e atualmente esta demanda já é uma realidade crescente no mercado", adiciona o diretor.
Essa mudança também altera o perfil esperado dos profissionais de negócios. Professor Ronqui ressalta que, ao utilizar a IA para automatizar tarefas rotineiras, gestores podem direcionar mais tempo para atividades que exigem análise, tomada de decisão e visão estratégica. Em vez de dedicar horas ao cruzamento manual de dados ou a processos operacionais, o profissional pode utilizar a tecnologia para agilizar essas etapas e concentrar esforços na geração de competitividade para a empresa.
As transformações provocadas pela IA e os novos desafios para líderes e empresas estarão no centro da live IA Business Trends, do Connect Summit 2026, evento gratuito da FIAP com o tema "A Era da Orquestração – Humanos, IA e o Futuro do Trabalho". Marcado para 19 de agosto, o encontro terá a participação de Rafael Ronqui, diretor do MBA da FIAP, Wellington Pinto, diretor sênior da Oracle e coordenador de MBA, e John Paul Lima, diretor da Graduação online da FIAP, trazendo diferentes perspectivas sobre como a inteligência artificial está impactando a gestão, a liderança e os negócios.
Rafael reforça que o avanço da IA também exige uma transformação cultural nas organizações. Para que os investimentos em tecnologia gerem resultados, empresas precisam preparar seus colaboradores, estimular o letramento em inteligência artificial e criar ambientes que permitam experimentar, errar e aprender. À medida que as lideranças se tornam mais preparadas para decidir onde e como aplicar a tecnologia, a tendência é que os investimentos se tornem mais assertivos e o retorno sobre as iniciativas de IA aumente. "A IA não vem para eliminar cargos, mas para aliviar o operacional e potencializar a capacidade de decisão dos líderes", conclui o diretor.
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