Com as entregas de 14 estações das Linhas 6-Laranja e 17-Ouro pelo Governo de São Paulo neste ano, quase 500 mil moradores da cidade de São Paulo passaram a contar com uma parada de metrô a até 1,5 quilômetro de casa.
O cálculo de moradores próximos das novas estações foi feito pela Agência SP, baseada nos setores censitários do Censo 2022 do IBGE. Esses setores dividem São Paulo em milhares de pequenas áreas, cada uma com o número de habitantes levantado pelo recenseamento. Com esse nível de detalhe, é possível estimar quantas pessoas vivem no entorno de cada nova estação.
O número de beneficiados pode ser ainda maior, já que os dados demográficos datam de quase 4 anos atrás.
As 14 estações são de duas linhas. O monotrilho da Linha 17-Ouro soma oito estações entre o Morumbi e o Aeroporto de Congonhas. Sete entraram em operação em 31 de março; a oitava, Washington Luís, no bairro do Jardim Aeroporto, foi inaugurada no dia 30 de junho.
A Linha 6-Laranja contribui com as seis estações de sua primeira fase, entre João Paulo I e Perdizes , que foram inauguradas nesta quinta-feira (2). Quando estiver completa, a linha vai transportar 630 mil pessoas por dia.
Das 440 mil pessoas que moram a até 1,5 quilômetro das estações entregues em 2026, a maioria (cerca de 290 mil) já morava a essa distância de outras estações, entregues em anos anteriores. Cerca de 150 mil, no entanto, não estavam próximas de nenhuma estação de metrô ou trem.
A análise mostra que moradores de dois distritos da capital têm agora uma cobertura inédita do transporte sobre trilhos. Freguesia do Ó, na zona norte, tem uma estação pela primeira vez em seu território, por conta da Linha 6-Laranja.
O distrito de Campo Belo, que antes possuía apenas uma estação homônima, em sua divisa, agora tem quatro dentro do território, todas da Linha 17-Ouro: Vereador José Diniz, Brooklin Paulista, Washington Luís e Aeroporto de Congonhas.
Entre as novas estações, as de maior população no entorno são Perdizes, na Linha 6-Laranja, com cerca de 97 mil moradores a 1,5 quilômetro, seguida de João Paulo I (93 mil) e Sesc-Pompeia (91 mil), ambas na mesma linha.
Atualmente, são seis obras simultâneas em quatro linhas de metrô (Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 6-Laranja e 15-Prata), que somam cerca de R$ 50 bilhões em investimentos. Desse aporte, mais de R$ 25 bilhões foram viabilizados por parcerias com a iniciativa privada.
Na entrega da Linha 17-Ouro, em março, o Governo de São Paulo também autorizou a extensão dessa linha. Serão mais 4,6 quilômetros e quatro novas estações, que vão levar o metrô a Paraisópolis pela primeira vez.
A Linha 6-Laranja é a maior obra de mobilidade urbana em implantação na América Latina. Orçada em R$ 19 bilhões, a linha terá, quando completa, 15,3 quilômetros e 15 estações, da Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, no centro. O trajeto, hoje feito em cerca de 1h30 de ônibus, cairá para 23 minutos, com previsão de transportar mais de 630 mil pessoas por dia.
Na zona leste, a Linha 2-Verde está sendo estendida de Vila Prudente até Guarulhos, com 14 quilômetros, 12 estações e o primeiro trecho, até Vila Formosa, previsto para 2027. Na mesma região avança o monotrilho da Linha 15-Prata, com as futuras estações Boa Esperança, Jacu-Pêssego e Ipiranga, esta em conexão com a Linha 10-Turquesa da CPTM, com meta de conclusão em 2027.
A oeste e ao sul, outras duas linhas serão ampliadas. A Linha 4-Amarela ganhará 3,3 quilômetros e duas estações, Chácara do Jockey e Taboão da Serra, em um trecho que parte da atual estação Vila Sônia, com investimento de cerca de R$ 4 bilhões e operação prevista para 2028.
A estação Taboão da Serra será a primeira do Metrô fora da capital , o que deve tornar a Linha 4-Amarela uma das primeiras da rede a cruzar os limites da cidade. Já a Linha 5-Lilás teve aprovada a extensão até o Jardim Ângela, na zona sul, passando de 20 para 24,3 quilômetros, com duas novas estações, conclusão prevista para 2028 e investimento de R$ 3,4 bilhões.
Para medir a população próxima, a Agência SP desenhou uma área de até 1,5 quilômetro ao redor de cada estação e somou os moradores dos setores censitários dentro dela, proporcionalmente à parte de cada setor que está nesse raio. Quando duas estações ficam próximas, as áreas foram unidas para não contar a mesma pessoa duas vezes. Para chegar ao número de quem não tinha acesso próximo a nenhuma outra estação, foram descontados os moradores que já tinham uma estação de Metrô ou da CPTM a 1,5 quilômetro antes das novas entregas.
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