O setor mineral vive um processo acelerado de modernização. A coleta e análise de dados geológicos, antes restritas a registros manuais e planilhas isoladas, hoje se apoiam em dispositivos digitais, softwares avançados e plataformas em nuvem. Essa transformação tem impacto direto na eficiência das operações e na tomada de decisão, além de contribuir para a redução de impactos ambientais. Um exemplo disso é a Agência Nacional de Mineração (ANM), que implantou uma ferramenta projetada para minerar dados e promover análises avançadas, utilizando inteligência artificial e interoperabilidade entre diferentes bases governamentais. Além disso, o órgão lançou recentemente um novo portal de geoinformação que reúne dados minerários em ambiente único e amplia a transparência. O Sistema de Geociências do Serviço Geológico do Brasil (GeoSGB) também passou a disponibilizar gratuitamente o mais completo conjunto de informações geológicas do país, essencial para pesquisas científicas, prospecção mineral e gestão de recursos naturais. Essas iniciativas públicas mostram como o setor mineral brasileiro avança na digitalização. No âmbito privado, empresas também têm incorporado soluções digitais. De acordo com Leonardo Prudente, diretor-executivo da Axía Resources, empresa brasileira especializada em pesquisa exploratória de metais estratégicos, a tecnologia vem transformando profundamente todo o ciclo de dados geológicos: "Hoje, a coleta é feita com dispositivos digitais em campo, como tablets, sensores, drones e scanners 3D, reduzindo erros manuais e permitindo registro em tempo real". "A organização das informações migrou para bancos de dados centralizados e plataformas em nuvem, enquanto a interpretação se beneficia de softwares de modelagem 3D, inteligência artificial e machine learning, que identificam padrões e reduzem incertezas", explica. Embora a qualidade e a integridade das informações sejam determinantes para o sucesso dos projetos, Prudente observa que dados inconsistentes ou mal validados podem levar a interpretações equivocadas e decisões de investimento erradas. "Por outro lado, dados confiáveis permitem modelos geológicos mais robustos, melhor definição de alvos de perfuração e otimização de recursos financeiros", conta. Apesar dos avanços, o executivo afirma que algumas empresas ainda enfrentam desafios na gestão de grandes volumes de dados geológicos. "A integração de múltiplas fontes e formatos, a garantia de qualidade e padronização, o armazenamento e processamento de big data e a falta de sistemas unificados ainda são obstáculos recorrentes no setor", avalia. "No entanto, o comprometimento das equipes em atender às demandas tem feito com que a resistência à adoção de novas tecnologias diminua, podendo até desaparecer à medida que os ganhos práticos se tornem mais evidentes, como a redução de retrabalho e maior agilidade", acrescenta. O processo de digitalização do setor também é apontado pelo especialista como fator importante para fortalecer a transparência e reduzir impactos ambientais, consolidando uma nova fase para a pesquisa e exploração mineral no país. "Além de diminuir o consumo de papel e permitir um planejamento mais preciso de campanhas, o uso de sistemas digitais evita perfurações desnecessárias e otimiza a logística, reduzindo deslocamentos e emissões. Além disso, o monitoramento ambiental em tempo real e a rastreabilidade das atividades tornam as operações mais eficientes e menos impactantes", salienta. Acompanhando esse cenário, a Axía Resources vem dando grandes saltos tecnológicos em seus processos de coleta e gestão de dados com a introdução de tablets como ferramenta de campo para geólogos e técnicos. Por meio de aparelhos de uso exclusivo, os profissionais utilizam ferramentas como o Memento Database, configurado especificamente para a coleta de dados de sondagem e registros fotográficos. "O sistema conecta colaboradores, gerentes e diretores, que podem acompanhar o progresso em tempo real, representando uma inovação ainda pouco vista no setor", ressalta Prudente. Somado a isso, a equipe também utiliza o QField, extensão móvel do QGIS que permite levar mapas e projetos complexos para o campo. Ambas as ferramentas funcionam offline, garantindo que a coleta ocorra sem interrupções e seja sincronizada com o servidor assim que houver conexão. Para o banco de dados, a empresa utiliza o Mx Deposit, desenvolvido pela Seequent, solução em nuvem projetada para simplificar a coleta, o gerenciamento e o compartilhamento de dados de sondagem e amostragem mineral. "Também investimos em capacitação das equipes e integração entre áreas técnicas para decisões mais rápidas e baseadas em dados", revela. Além dessas soluções, a empresa utiliza ferramentas fornecidas em convênios com universidades federais, como o Leapfrog, para modelagem de recursos, e o Oasis Montaj, para interpretações e inversões geofísicas. Para saber mais, basta acessar: www.axiaresources.com.br
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