No mês em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, o Hospital Regional de Registro, unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), destaca o fortalecimento de ações voltadas ao atendimento humanizado às comunidades indígenas do Vale do Ribeira. Segundo dados do IBGE, 17 cidades da região contam com uma população indígena, que totaliza cerca de 1.540 pessoas, com destaque para Iguape, que reúne 327 indígenas.
Referência em saúde pública de alta complexidade, o Hospital Regional de Registro vem consolidando um modelo assistencial que respeita as especificidades culturais, sociais e espirituais desses povos. A iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH), do Ministério da Saúde (MS), e se estrutura a partir de um protocolo institucional desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Humanização. O documento orienta as equipes quanto à importância de considerar tradições, crenças e costumes indígenas durante todo o processo de cuidado.
No ano de 2025, 30 pacientes indígenas buscaram assistência no hospital. Em 2026, até o momento, foram oito. Entre as práticas adotadas estão a mediação da comunicação com apoio de lideranças indígenas e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a autorização da presença do pajé durante a internação, quando solicitado, e a adaptação de condutas assistenciais conforme os hábitos culturais dos pacientes.
“Um exemplo desse olhar sensível foi uma adaptação improvisada realizada para um bebê indígena, respeitando seus costumes. Uma iniciativa simples, mas significativa para o bem-estar e a recuperação do paciente”, afirma o superintendente do Hospital Regional de Registro, Maurício Kucharsky.
A unidade também atua de forma integrada com a rede de atenção à saúde e assistência social, garantindo a continuidade do cuidado após a alta, com o acionamento da SESAI para acompanhamento nas aldeias.
Como parte das ações previstas para 2026, a instituição iniciou a articulação com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) para a realização de visitas técnicas às comunidades da região. A proposta é fortalecer o diálogo com as lideranças, ampliar o conhecimento das equipes sobre as práticas culturais e aprimorar continuamente o acolhimento.
“Ao reconhecer e valorizar as tradições indígenas, promovemos um cuidado mais humanizado, seguro e efetivo, fortalecendo o vínculo com essas comunidades e contribuindo para melhores desfechos em saúde”, afirma o superintendente.
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