O mercado brasileiro de energia solar vive um momento de "maturidade forçada". Após o boom de instalações entre 2018 e 2022, uma base significativa de equipamentos já começa a sair do período de garantia de fábrica, geralmente de cinco anos. Isso significa que milhares de inversores solares, responsáveis por converter a energia gerada nos módulos fotovoltaicos em eletricidade utilizável, entram em uma nova fase do ciclo de vida. O desafio agora não é instalar, mas manter a operação funcionando sem interrupções.
Bruno Bueno, CEO da Ozora Soluções, empresa especializada em manutenção e reparo de inversores solares, avalia que o setor vive a era do "Pós-Venda Estratégico". "O foco do cliente mudou: antes era ‘quanto custa para instalar’, hoje é ‘como mantenho minha usina gerando’. Com o aumento das tarifas e as novas regras de compensação, cada dia de inversor parado é um prejuízo direto no bolso do investidor. A demanda por assistência técnica especializada crescerá exponencialmente até 2026, transformando a manutenção no novo motor do setor", observa.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), divulgados pelo Canal Solar, mostram que o Brasil instalou mais de 130 mil sistemas de energia solar no segmento de geração distribuída apenas no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a matriz elétrica nacional cresceu 2.426 megawatts (MW), alcançando 218,3 GW de potência fiscalizada. Esse avanço reforça a importância de garantir que os sistemas já em operação continuem produzindo energia de forma eficiente.
Os inversores, por serem equipamentos eletrônicos de potência, operam sob estresse térmico constante e podem apresentar falhas típicas após cinco anos de uso. Entre os problemas mais comuns estão a degradação de capacitores, falhas de isolamento causadas por oxidação, defeitos em módulos de potência (IGBTs), travamento de ventoinhas e sistemas de arrefecimento, além de erros de comunicação em placas de Wi-Fi e dataloggers. "A imprevisibilidade financeira causada por paradas frequentes destrói qualquer plano de comissionamento, por melhor que ele seja no papel", afirma Bueno.
A atuação da assistência técnica multimarcas tem se mostrado decisiva nesse cenário. O executivo da Ozora explica que, na prática, o processo pode envolver diagnóstico avançado com equipamentos como osciloscópios e câmeras térmicas, reparo em nível de componente e testes em carga que simulam a operação real de uma usina solar.
"Enquanto muitas autorizadas sugerem a troca total do equipamento, é possível substituir componentes específicos por peças de qualidade igual ou superior. Na Ozora, por exemplo, cerca de 92% dos inversores Growatt que deram entrada em laboratório foram recuperados sem necessidade de troca de placa", relata.
Além da correção de falhas, a manutenção preventiva é apontada como fundamental para prolongar a vida útil dos inversores, o que inclui limpeza periódica de filtros e coolers, reaperto de terminais, monitoramento da temperatura ambiente e atualização de firmware, medidas simples que evitam grande parte dos problemas observados. "Instalar inversores em locais com ventilação inadequada reduz sua vida útil pela metade", alerta o CEO.
Outro aspecto relevante é a contribuição para a economia circular. Recuperar equipamentos em vez de descartá-los evita a geração de lixo eletrônico, reduz a pegada de carbono e preserva capital. "Quando recuperamos um inversor de 50 kW em vez de descartá-lo, estamos prolongando a vida útil do ativo por mais cinco ou dez anos com uma fração do custo de um novo. É a sustentabilidade ambiental aliada à sustentabilidade econômica", pondera.
O futuro da assistência técnica aponta para soluções ainda mais avançadas. A manutenção preditiva baseada em dados, apoiada por inteligência artificial (IA), já permite identificar padrões de falha antes que o equipamento pare de funcionar, detalha Bueno: "Softwares de monitoramento podem analisar a curva de geração e alertar: ‘este inversor vai falhar nos próximos 30 dias por superaquecimento’, permitindo intervenção antecipada".
Com a popularização dos microinversores e dos sistemas híbridos que integram baterias de lítio, a complexidade técnica tende a aumentar. A Ozora, por exemplo, investiu em treinamento para atender a essa nova geração de tecnologia, indo além dos modelos On-Grid tradicionais.
"A assistência técnica terá que se especializar rapidamente em inversores híbridos e sistemas de armazenamento que possuem uma complexidade química e eletrônica ainda maior. O reparo especializado é a chave para a longevidade da transição energética no Brasil", conclui o CEO da Ozora Soluções.
Para saber mais, basta acessar: http://ozorasolucoes.com
Tecnologia Vime Digital cria sites que atuam como plataformas internas
Tecnologia SIBS premia MakeValue por inovação em conectividade bancária
Tecnologia Nova versão do malware NGate atinge usuários no Brasil
Tecnologia Everysk e Octante aceleram operações digitais de FIDCs
Tecnologia Pagos e TNS preparam mercado para o comércio agêntico
Tecnologia Hablla percorre Brasil e Uruguai com evento de WhatsApp e IA