A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) ampliou em nove vezes a capacidade de monitoramento ambiental do território paulista nos últimos anos por meio do Monitoramento Ambiental por Imagens de Satélite (MAIS). A ferramenta utiliza imagens de satélite e análise de dados geoespaciais para identificar alterações na vegetação nativa e orientar ações de fiscalização ambiental em todo o estado.
O alcance do monitoramento vem crescendo de forma expressiva. Entre 2015 e 2022, todo o território paulista era analisado, em média, duas vezes por ano, totalizando cerca de 586 mil km² observados anualmente. Com a evolução da ferramenta, essa frequência aumentou: em 2023, o estado passou a ser monitorado cinco vezes ao ano (1,36 milhão de km² analisados) e, em 2024, nove vezes ao ano (2,22 milhões de km²). Em 2025, o avanço foi ainda mais significativo: todo o território paulista passou a ser analisado, em média, 18 vezes ao longo do ano, totalizando 4,43 milhões de km² monitorados — o dobro do registrado no ano anterior. Na prática, isso significa que o Estado passou a revisar com muito mais frequência as mesmas áreas, aumentando a capacidade de identificar rapidamente alterações na vegetação.
De acordo com o diretor de Proteção e Fiscalização Ambiental (DPFA) da Semil , André Rocha, o uso de imagens de satélite permite tornar a fiscalização ambiental mais estratégica e eficiente. “O monitoramento por imagens permite identificar indícios de alterações na vegetação e priorizar as áreas que precisam de verificação em campo. Isso otimiza o trabalho das equipes e fortalece a capacidade de resposta do Estado na proteção ambiental”, explica.
Com o avanço dessa capacidade de monitoramento, a rotina de análise ambiental da Semil identificou 2.741 alterações na vegetação nativa entre 2023 e 2025, o equivalente a 5.392 hectares com algum tipo de intervenção ambiental. As informações têm sido utilizadas para orientar ações de fiscalização e ampliar a capacidade do Estado de acompanhar mudanças na cobertura vegetal.
Embora o volume identificado no estado some 5.392 hectares no período de três anos, os dados nacionais indicam que o desmatamento no Brasil ocorre, majoritariamente, em áreas de grande extensão. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, o país registrou mais de 1,2 milhão de hectares desmatados apenas em 2024, com predominância de grandes áreas contínuas nos biomas Amazônia e Cerrado.
No caso paulista, o cenário é distinto. A maior parte das ocorrências envolve intervenções de pequena escala e dispersas no território, o que exige maior frequência de monitoramento e capacidade de detecção. Nesse contexto, o uso de imagens de satélite permite identificar alterações que, muitas vezes, não seriam percebidas por métodos tradicionais de fiscalização.
O aumento no número de registros está associado à ampliação da capacidade de monitoramento do Estado, e não necessariamente a um avanço do desmatamento. Com o uso de imagens de satélite e a automação dos processos, a ferramenta passou a identificar intervenções menores e mais dispersas, que antes não eram detectadas.
O MAIS, coordenado pela DPFA, utiliza imagens de satélite e cruzamento de dados geoespaciais para identificar possíveis ocorrências de desmatamento e outras intervenções em áreas naturais.
Desde 2023, a iniciativa conta com um processo automatizado de identificação de supressão vegetal. Além disso, o processo de análise também passou a incorporar alertas emitidos por parceiros externos, como o MapBiomas e a Fundação SOS Mata Atlântica.
A partir dos alertas gerados, equipes técnicas realizam análises e direcionam as informações à Polícia Militar Ambiental para ações de fiscalização ambiental. No período analisado, 91% das ocorrências identificadas já foram fiscalizadas, resultando em 1167 autuações ambientais, o que corresponde a 47% das áreas verificadas em campo.
Segundo o subsecretário de Meio Ambiente da Semil , Jônatas Trindade, o uso de geotecnologias vem ampliando a capacidade de monitoramento do território paulista e fortalecendo as políticas públicas de proteção ambiental. “O MAIS amplia a capacidade do Estado de acompanhar o território e identificar alterações na vegetação com mais agilidade. Isso permite orientar melhor as ações de fiscalização, apoiar processos de regularização ambiental e contribuir para a recuperação de áreas degradadas”, afirma.
A análise dos dados também mostra que 87% das alterações identificadas ocorreram em áreas do bioma Mata Atlântica, enquanto 13% foram registradas no Cerrado.
Outro dado relevante é o tamanho das áreas detectadas: 84% das ocorrências envolvem áreas de até 1 hectare, enquanto 14% correspondem a áreas entre 1 e 5 hectares e apenas 2% ultrapassam 5 hectares. O resultado demonstra a capacidade da ferramenta de detectar intervenções ambientais mesmo em áreas pequenas.
Outro diferencial do MAIS é o uso estratégico de bases de dados públicas e parcerias institucionais, que disponibilizam imagens de satélite e informações geoespaciais utilizadas no monitoramento.
Entre as fontes utilizadas estão imagens dos satélites Sentinel-2 e CBERS-4A, além de dados de alta resolução como PlanetScope, disponibilizados por meio do Programa Brasil MAIS, do Ministério da Justiça e Segurança Pública . A ferramenta também utiliza plataformas de visualização e análise geoespacial, como o Google Earth.
Essa integração de informações permite ampliar significativamente a capacidade de acompanhamento ambiental sem necessidade de investimentos elevados na aquisição de imagens, aproveitando dados já produzidos por diferentes instituições públicas.
A iniciativa foi apresentada recentemente durante reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) como exemplo de uso de tecnologia e integração de dados para fortalecer o monitoramento ambiental no Estado de São Paulo.
O monitoramento por satélite também contribui para orientar políticas públicas de restauração e conservação ambiental no estado. As informações geradas ajudam a identificar áreas prioritárias para recuperação e apoiar programas que incentivam produtores rurais e proprietários de terras a restaurar vegetação nativa e adotar práticas produtivas sustentáveis.
A Semil , por meio da Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (DBB), desenvolve projetos estruturantes de conservação e restauração em diferentes regiões do estado. Atualmente, as iniciativas somam 34,5 mil hectares com atividades de conservação da vegetação nativa, restauração ecológica, implantação de sistemas agroflorestais (SAFs), florestas multifuncionais, pecuária ecológica e ações de saneamento rural, controle de erosão, coexistência humano-fauna, meliponicultura e manejo de espécies exóticas invasoras.
Dados do Painel Verde indicam que o Estado possui atualmente mais áreas em processo de regeneração do que de supressão de vegetação nativa. Entre 2023 e 2025, mais de 11,8 mil hectares estão vinculados a compromissos de reparação de danos ambientais, reforçando a tendência de recuperação da cobertura vegetal no território paulista.
Entre os principais projetos estão as ações na Serra da Cantareira, o Vale + Verde, no Vale do Paraíba, além de parcerias com municípios e universidades públicas e do programa Conexão Mata Atlântica, já concluído.
Juntos, os projetos mobilizam recursos provenientes da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) , do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição e do Global Environment Facility, com R$ 45 milhões já executados, beneficiando produtores rurais e fortalecendo a agenda de restauração ambiental no estado.
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