O Brasil está entre os principais produtores globais de minerais, com destaque para o minério de ferro. Mesmo assim, limitações logísticas permanecem entre os principais desafios para a expansão da mineração no país, sobretudo quando se considera a necessidade de transportar grandes volumes de produção a partir de regiões afastadas da costa.
A dimensão do setor ajuda a explicar a importância da infraestrutura de transporte. O Brasil produziu cerca de 400 milhões de toneladas de minério de ferro em anos recentes, o que mantém o país entre os maiores produtores globais do mineral.
Além da relevância produtiva, a atividade mineral também gera receitas importantes para estados e municípios. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) somou mais de R$ 6,8 bilhões em 2023, de acordo com a Agência Nacional de Mineração.
Mesmo com esse peso econômico, o escoamento da produção mineral exige uma estrutura logística complexa. Minério de ferro, bauxita e outros recursos naturais dependem de ferrovias, rodovias e portos especializados para alcançar os mercados internacionais.
No Brasil, o transporte ferroviário responde por grande parte desse fluxo. O minério de ferro seguiu como principal produto transportado por ferrovias em 2024, com 390 milhões de toneladas úteis, segundo o Ministério dos Transportes.
A malha ferroviária brasileira está organizada em corredores logísticos que concentram o transporte de cargas de grande volume, como o minério de ferro. Essa concentração limita novas rotas de escoamento e amplia custos para projetos minerais localizados fora dessas áreas.
Outro ponto relacionado à logística do setor é a distância entre as regiões produtoras e os terminais marítimos. No Brasil, minas frequentemente se encontram a centenas de quilômetros dos portos, o que exige soluções logísticas integradas que combinem ferrovia, porto e, em alguns casos, transporte hidroviário.
Essa discussão não ocorre apenas no Brasil. A qualidade da infraestrutura logística influencia diretamente o custo de exportação de commodities e a competitividade de economias baseadas em recursos naturais, de acordo com análises do Banco Mundial.
Nesse contexto, empresas e investidores ampliam o debate sobre novos corredores logísticos na América do Sul, incluindo projetos ferroviários, portuários e hidroviários capazes de reduzir distâncias e custos de transporte.
Entre os executivos que acompanham essas discussões está Lucas Kallas, presidente do Conselho da Cedro Participações. O empresário tem dedicado parte relevante de sua agenda à prospecção de oportunidades fora do Brasil. Apenas no último ano, passou cerca de nove meses em compromissos internacionais, visitou 17 países e acumulou aproximadamente 540 horas de voo em viagens voltadas à análise de projetos e rotas logísticas.
Durante essas agendas, Kallas avaliou possibilidades em regiões como Ásia, Oriente Médio, África e América Latina. Entre os temas analisados aparece o potencial logístico da hidrovia do rio Orinoco, no norte da América do Sul, mencionado em debates sobre alternativas de escoamento mineral com acesso ao Caribe e aos mercados globais.
"A mineração brasileira possui enorme potencial geológico. O desafio está em construir rotas eficientes que permitam levar essa produção ao mercado global com custos competitivos", afirma.
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