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Governo de São Paulo inaugura a maior planta de biometano do Brasil em Paulínia

Empreendimento reforça a infraestrutura de biometano do estado, que já concentra nove das dezenove plantas em operação do país

07/03/2026 19h51
Por: Redação Fonte: Secom SP
São Paulo reforça a liderança nacional no setor, com nove unidades em operação entre as dezenove existentes no país Foto: Divulgação/Governo de SP
São Paulo reforça a liderança nacional no setor, com nove unidades em operação entre as dezenove existentes no país Foto: Divulgação/Governo de SP

O Governo do Estado de São Paulo inaugurou neste sábado (7), em Paulínia, a maior planta de biometano do Brasil, consolidando o protagonismo paulista na transição energética e na produção de combustíveis sustentáveis. A cerimônia contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

São Paulo reforça a liderança nacional no setor: o estado concentra uma capacidade da ordem de 700 mil m³/dia, cerca da metade do país, com nove unidades em operação entre as dezenove existentes no Brasil.

A planta da OneBio, instalada em um Ecoparque que integra um complexo ambiental avançado — em substituição ao antigo aterro sanitário —, produz biometano por meio da purificação de biogás gerado a partir de resíduos sólidos urbanos depositados em aterro. A capacidade nominal é de 225 mil m³/dia, o que representa um terço da capacidade instalada em território paulista e o equivalente ao consumo de mais de 1.000 ônibus urbanos. O volume de produção inicial é de 50% da capacidade e deve atingir a operação plena ao longo de 2026.

O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Edge, controladora do investimento com 51% da participação, e da Orizon Valorização de Resíduos, com 49%. A produção da Onebio será comercializada pela Edge – a planta já está conectada à infraestrutura de distribuição de gás canalizado. Em novembro, a Edge anunciou contrato com a Unilever para fornecimento de biometano a uma fábrica de sabonetes em Valinhos, no interior de São Paulo, para descarbonização dos processos e/ou da frota.

A unidade recebeu licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em tempo recorde, além da autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produção e comercialização do biometano.

“A gente sempre tem discutido muito vocações. Qual é a vocação do Brasil? Será que o nosso país vai ser eternamente o país do futuro? Uma das nossas vocações é a transição energética. O mundo precisa de parceiro confiável para gerar energia e nós podemos ser esse parceiro confiável”, afirmou o governador durante a inauguração. “Etanol, biometano! Essa produção pode transformar a nossa oferta de energia, vamos ter aqui um produto com previsibilidade de preço, que vai nos blindar de choques externos. A gente tem a solução. Aqui a gente tem o futuro, disse o governador Tarcísio de Freitas durante a inauguração.

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou que o estado está na vanguarda do desenvolvimento sustentável. “A maior planta de biometano do Brasil está aqui em São Paulo. É mais transição energética, é uma matriz renovável que está chegando a 49% da produção. Do lixo, a gente transforma, gera biogás, gera biometano e faz o quê? Coloca na rede abastece a nossa indústria. E essa é a beleza da gente ter uma economia circular de verdade. É São Paulo na direção certa”, disse.

Balanço

Atualmente, o estado de São Paulo conta com nove plantas de biometano autorizadas, responsáveis por uma capacidade de produção da ordem de 700 mil metros cúbicos por dia (m³/dia). Outras oito unidades estão em fase de autorização pela ANP. Com isso, o estado se prepara para superar a marca de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026, dentro de um potencial estimado de 6,4 milhões de m³/dia.

A nova planta em Paulínia posiciona São Paulo na vanguarda da economia circular e da descarbonização da matriz energética brasileira, transformando resíduos urbanos em energia renovável e ampliando a segurança energética do país.

Políticas estaduais e expansão do biometano em São Paulo

O Governo de São Paulo vem impulsionando a expansão do biometano por meio de políticas públicas e regulamentações estratégicas. Em dezembro de 2025, a ARSESP publicou norma que viabiliza a interconexão de plantas à rede de gás canalizado sem impacto para outros usuários, com custos remunerados exclusivamente pelos fornecedores, por meio da TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde). A medida integra objetivos da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) e do Plano Estadual de Energia (PEE 2050), que apontam o biometano como uma das principais estratégias para aumentar a participação de fontes renováveis e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

O biometano pode ser usado como insumo industrial — substituindo gás natural na produção de fertilizantes —, fonte de energia em processos produtivos ou combustível para veículos leves e pesados, promovendo economia circular ao transformar resíduos em biocombustível.

Para estimular o setor, o governo criou incentivos como licenciamento ambiental simplificado, benefícios fiscais para veículos movidos a gás natural ou biometano e a plataforma Conecta Biometano SP, que reúne 125 inscritos entre produtores, distribuidores e comercializadores. Municípios como Presidente Prudente já se preparam para abastecimento 100% com biometano, e até 2028 o estado projeta superar a produção de 1 milhão de m³/dia, consolidando São Paulo como referência nacional em energia renovável e transição energética.

Estudo mostra potencialidades do setor

Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio técnico e institucional da SEMIL, mostrou as potencialidades de biogás e biometano em São Paulo. A pesquisa concluiu que o potencial de produção de biometano no estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.

Entre os ganhos adicionais, destaca-se a substituição parcial de combustíveis no transporte, com potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel.

Segundo o estudo da FIESP, mais de 80% do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol — como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha — para a geração de biogás e biometano.

Em São Paulo, o biometano já é utilizado como insumo na produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.

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