Professores e diretores da rede estadual de São Paulo com o melhor desempenho acadêmico no programa Escola de Gestão passaram a última semana do mês de fevereiro em uma imersão internacional na Espanha. A iniciativa, implantada em 2025 pelo Governo de São Paulo, já impactou 15 mil profissionais da Educação. A viagem marcou o módulo internacional da iniciativa de formação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP).
Ao todo, 48 educadores foram contemplados com a viagem. Ao retornar ao Brasil, eles se reuniram com o vice-governador Felicio Ramuth e com o secretário da Educação, Renato Feder, no Palácio dos Bandeirantes. O programa Escola de Gestão é uma iniciativa realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV/DGPE) e foca na formação de lideranças educacionais e reforça que investir na qualificação dos gestores impacta diretamente a aprendizagem dos estudantes.
“O programa Escola de Gestão reafirma o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento da gestão escolar e com a valorização dos profissionais da rede estadual. A experiência internacional amplia perspectivas e posiciona São Paulo como referência nacional na formação de gestores”, afirmou o vice-governador Felicio Ramuth.

O grupo selecionado para a imersão na Espanha é formado por professores e diretores mediadores. O grupo visitou escolas públicas espanholas, aprofundou temas como gestão da aprendizagem com foco direto na sala de aula, liderança emocional, metodologias ativas, técnicas de acompanhamento docente, inovação e uso da inteligência artificial na educação.
Com 30 horas intensivas de aprendizagem, o módulo foi realizado em Madrid, entre os dias 21 e 28 de fevereiro, e incluiu formações acadêmicas, visitas técnicas e imersões também em cidades históricas como Toledo e Salamanca.
O secretário da Educação, Renato Feder, aponta que a partir da formação técnica na Espanha, os participantes perceberam que a distância entre o “chão da escola” e modelos internacionais de excelência é menor do que se imagina. “A participação na formação que aconteceu ao longo do ano e, agora, essa viagem para o módulo internacional, é a vivência e também o reencontro com o propósito. O desafio está no conhecimento, na postura, na intencionalidade e na coragem de fazer diferente desses profissionais. Agora eles voltam para suas regiões para continuar e complementar com o trabalho de excelência que já vinham fazendo”, disse Feder.
Para o professor cursista André Luiz Garcia, da Unidade Regional de Ensino de Sumaré, a experiência começou antes mesmo do embarque.
“Nunca tinha feito uma viagem internacional. Foi uma correria para tirar o passaporte a tempo”, relembra. “Mas, chegando lá, a gente entendeu que muitos desafios que enfrentamos aqui são universais. O diferencial é como enfrentamos esses problemas”.
Segundo ele, a maior lição não veio apenas das palestras, mas do olhar dos gestores espanhóis: “Trabalhar educação sem emoção não faz sentido. E vimos isso no olhar dos diretores das escolas que visitamos. Isso é um diferencial enorme”.
A experiência também ganhou um significado pessoal para o professor. André aproveitou a estadia para visitar a cidade onde seu avô nasceu. “Foi algo inexplicável. Conhecer minhas raízes e, ao mesmo tempo, ampliar minha visão profissional. É algo que vou levar para o resto da vida”, disse.
Para Ana Paula Duarte Sampaio, diretora multiplicadora da Unidade Regional de Ensino de Sorocaba, a expectativa era moderada e a realidade superou qualquer previsão.
“Minha expectativa era normal, mas, à medida que os dias foram passando, virou mil”, conta. “Aprendi que liderança não é apenas ter autonomia, mas principalmente ter empatia. Um líder precisa ser empático para ser ouvido e conseguir transformar”.
A imersão trouxe reflexões práticas sobre metodologias ativas e, principalmente, sobre inclusão compreendida de forma ampliada, envolvendo culturas, contextos e realidades diversas presentes na escola pública.
O contato com diferentes tradições religiosas e culturais ampliou ainda mais seu olhar: “Não foi só ver em revista. Foi sentir, tocar, viver, e ainda poder compartilhar tudo isso na volta ao Brasil.”
Elizângela Rodrigues da Coll, da Unidade Regional de Ensino de Registro, também aponta que suas expectativas para a viagem foi superada: “Eu achei que seria um curso tradicional: hotel, aula e descanso. Mas cada segundo foi aprendizado.”
Para ela, a vivência internacional ampliou horizontes e fortaleceu a convicção de que o conhecimento precisa ser compartilhado e multiplicado — na escola, na comunidade e na família.
Diretora multiplicadora do programa na região de Assis, Deise Aparecida dos Santos embarcou com o objetivo de buscar um aprendizado verdadeiramente transformador.
“Eu sabia que algo precisava mudar, e a mudança vem por meio da formação”, afirmou a diretora.
Durante a semana na Espanha, uma expressão a acompanhou: “a célula da vitória”. A ideia é influenciar um pequeno grupo que, por sua vez, inspira outros, até que o impacto se torne coletivo.
“Uma pessoa sozinha não transforma nada. Mas um grupo comprometido transforma tudo. Voltei com a responsabilidade de reverberar esse aprendizado na minha escola e na rede”, concluiu.
Durante o encontro no Palácio dos Bandeirantes, os participantes relataram que a experiência permitiu comparar realidades entre as redes de ensino, ampliar perspectivas e reconhecer que a busca pelo constante aprimoramento alinha as práticas da rede paulista às tendências globais.
A diretora de Formação de Lideranças da Efape (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo), Simone Cristina de Castro Wojcicki, diz que o impacto do programa vai além da bagagem de conhecimento: “Quando o gestor cresce e se engrandece de aprendizado, o maior impacto é na escola. E quando a escola cresce, quem ganha é o estudante. Por isso, atuar na gestão da liderança é tão importante.”
Para Simone, a inovação não acontece apenas nas transformações, mas também aperfeiçoando práticas já existentes com intencionalidade e visão estratégica: “Sempre podemos ter um olhar diferente e oferecer o melhor, atuando no cuidado com as pessoas e na clareza do propósito”, afirmou.
O Programa Escola de Gestão integra uma política pública estruturada, que em seu primeiro ano já impactou cerca de 15 mil gestores e profissionais da educação em todo o Estado de São Paulo, distribuídos pelas 91 Unidades Regionais de Ensino.
O programa é composto por 10 módulos formativos, totalizando aproximadamente 120 horas de formação técnica especializada. A etapa internacional representa o ápice dessa jornada, na ampliação do conhecimento através da experiência e vivência diferenciada proporcionada pelo contato direto com práticas educacionais internacionais na Espanha.
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