Botafogo, Cruzeiro, Vasco da Gama, Bahia e Atlético-MG. Esses são alguns clubes que optaram por transformar-se em Sociedade Anônima de Futebol (SAF). Até julho de 2025, 117 times no Brasil já haviam adotado o modelo, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade Anônima do Futebol (IBESAF) divulgado pelo portal Migalhas.
Instituída pela Lei 14.193/21, a SAF permite que o clube passe a estruturar o futebol como sociedade anônima, em vez de mantê-lo como associação sem fins lucrativos. Na prática, tornar-se SAF pode ajudar não apenas a reorganizar dívidas, mas também redefine o valor de seus ativos. Isso permite que estádios, centros de treinamento e propriedades comerciais sejam tratados como plataformas de negócio. A explicação é de André Trevelin, diretor de operações internacionais da Villa Boa Inc.
"Com a profissionalização da gestão, os clubes passam a estruturar receitas recorrentes e previsíveis, como direitos comerciais mais bem explorados, naming rights, programas de sócio-torcedor baseados em dados, licenciamento de marca, exploração imobiliária de ativos (arenas, centros de treinamento e áreas adjacentes), além de parcerias estratégicas com investidores institucionais", diferencia André Trevelin.
O executivo diz que, quando o clube migra para SAF, ele passa a operar com governança, transparência e capacidade maiores de atrair investimentos que antes eram inviáveis. "Isso transforma a relação entre esporte e mercado, fortalece o patrimônio e cria condições reais para novas fontes de receita", explica.
André Trevelin destaca que há um interesse crescente por SAFs. Isso é evidenciado pelo próprio levantamento do IBESAF: se, em julho de 2025, o número de sociedades anônimas de futebol chegou a 117, em fevereiro do mesmo ano ele era de 99.
"Estamos assistindo a um novo capítulo do futebol brasileiro. Quem tratar o patrimônio com rigor empresarial e alinhar estratégia, transparência e execução tende a colher os melhores resultados nos próximos anos", afirma.
Perfil do investidor e cifras bilionárias
Ele pontua que o perfil do investidor mudou significativamente. Antes, predominava o investidor passional. Hoje, há fundos, family offices e grupos empresariais analisando clubes como ativos estratégicos, com foco em governança, geração de caixa, valorização patrimonial e retorno no médio e longo prazo.
Além de ser o esporte mais praticado do país, o executivo lembra que há diversos dados que atestam a dimensão das cifras movimentadas pelo futebol. Entre 2016 e 2025, só com a venda de jogadores de clubes brasileiros ao exterior, foram gerados 2,6 bilhões de euros (cerca de R$ 16 bilhões, na cotação atual).
No ranking mundial, o Brasil é o segundo país que mais lucra com esse tipo de transferência, atrás apenas da França. Os dados foram levantados pelo Observatório do Futebol e divulgados pelo GE.
Se forem somados patrocínios esportivos, venda de ingressos, licenciamento de produtos, direitos de transmissão, premiações, entre outros, o montante movimentado pelos clubes torna-se ainda maior.
"De forma geral, a SAF muda a relação entre esporte e mercado, cria disciplina financeira e abre espaço para novos modelos de negócio. Isso reposiciona o futebol brasileiro como uma indústria capaz de atrair capital qualificado e sustentável", sintetiza André Trevelin.
Para saber mais sobre estruturação de projetos e modelos de investimento no esporte, basta acessar o site da Villa Boa Inc: https://villaboainc.com/
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