Cereal mais consumido do mundo, a produção de milho ganhou destaque no estado de São Paulo em 2025. O Valor de Produção Agropecuária (VPA) paulista do grão atingiu mais de R$ 4 bilhões no último ano, com uma variação positiva de 26,24% em relação a 2024, segundo estimativa preliminar divulgada pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).
Além do aumento do VPA, que o coloca entre os 10 maiores produtos cultivados no estado, a produção do milho paulista apresentou um crescimento considerável na safra 2024/25, com progressão de 14,30% no volume cultivado.
As cinco regiões que mais se destacam na produção são Itapeva, Assis, Ourinhos, São João da Boa Vista e Presidente Prudente. Juntas, representam mais de 58% do cultivo do milho no Estado. Sandro Lemos Parise, engenheiro agrônomo e especialista em grãos da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) na região de Assis, destacou os motivos do destaque regional no cultivo do milho.
“A região de Assis é considerada o berço da produção do milho safrinha, que é o sistema de produção predominante no estado de São Paulo e no Brasil e onde as primeiras pesquisas se iniciaram no início da década de 90, quando diminuiu a plantação de trigo depois da soja”, explicou.
“O crescimento da cultura no estado é mais uma demonstração da força do agronegócio paulista. Para isso, investimos em pesquisas e extensão rural aos produtores de milho, uma cultura de importância vital para o mundo todo. A ascensão do grão, com relevância na plantação e em diversas cadeias, reforça o nosso papel de destaque no setor”, disse o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Para Bernhard Kiep, diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (ABRAMILHO) e produtor do grão, o estado de São Paulo possui um grande potencial para seguir em crescimento da produção da cultura, especialmente pelos benefícios que a cultura oferece e pelas demandas que atende no Estado.
“O milho tem se tornado uma cultura cada vez mais importante para o Estado de São Paulo e o Brasil como um todo, e é importante que os agricultores paulistas reflitam sobre os benefícios que essa cultura traz à sanidade do solo, como a melhoria de sua qualidade, por meio da palhada e do material orgânico que ele deixa após a colheita. Além disso, existe uma demanda crescente, impulsionada pelo abate de suínos, bovinos e aves no Estado. Dessa forma, há um grande potencial para explorarmos melhor a cultura do milho em São Paulo, e a Abramilho apoia cada vez mais os produtores”, disse Kiep.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) participa ativamente, oferecendo auxílio e suporte aos produtores de milho. O programa Milho+SP, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), é um projeto focado em ações para a melhoria do cultivo do grão nas propriedades e conta com a parceria das empresas: Brevant e Pioneer, Yara, Corteva e Valtra.
O trabalho do programa Milho+SP tem foco em duas estratégias: incentivo ao cultivo de milho na reforma de pastagens e o aumento da produtividade em áreas já cultivadas, por meio de transferência de tecnologia e melhorias no manejo. As ações são realizadas por meio de palestras, campos demonstrativos, vitrines tecnológicas, encontros técnicos e dias de campo.
“O programa conta com diversas unidades demonstrativas ao longo do Estado de São Paulo, apresentando treinamentos, capacitações e divulgação de boas práticas e de tecnologias, inclusive comerciais, que podem ser utilizadas para aumentar o teto produtivo e promover a sustentabilidade do produtor, gerando benefícios”, destacou Parise.
Além disso, a SAA também contribui com o desenvolvimento de novas cultivares e a pesquisa do grão no estado de São Paulo. O Instituto Agronômico (IAC-APTA), através do Programa de Melhoramento de Milho, lançou em dezembro de 2025 dois novos híbridos de milho branco: o IAC 2027 e o IAC 2039, visando ao mercado de canjica e de farinha branca, com forte cultivo no sudoeste paulista e alto valor, por ser um produto convencional e gourmet.
A pesquisadora e melhorista de milho do IAC, Maria Elisa Zagatto, comentou sobre as tecnologias e iniciativas de melhoramento do milho no estado, destacando a demanda por cultivares convencionais (não transgênicas) de milho para nichos de mercado, principalmente milho-verde, milho-pipoca, milho branco, e falou da importância do uso dos novos híbridos de milho do IAC: “O uso de cultivares do IAC será inovador para o mercado de alimentação humana e o manejo eficiente no Estado”.
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