O mercado imobiliário brasileiro movimentou bilhões de reais em vendas em 2025, impulsionado pela expansão de cidades médias e litorâneas, pela valorização do alto padrão e por um processo de descentralização dos investimentos. É o que aponta levantamento da DWV, empresa de inteligência de mercado para o setor, que analisou mais de 111 mil imóveis ao longo do ano.
Segundo os dados da plataforma, os mercados que lideraram o ranking nacional de vendas concentraram volumes expressivos de Valor Geral de Vendas (VGV), refletindo uma mudança relevante no perfil do setor. O valor médio por imóvel chegou a R$ 2,85 milhões nas praças mais valorizadas, com Balneário Camboriú liderando o ranking nacional de ticket médio, seguida por Torres (RS) e São Paulo (SP). O dado reforça o avanço do alto padrão fora dos grandes centros tradicionais.
Para Dagoberto Fagundes, cofundador da DWV, os números de 2025 evidenciam tendências estruturais no mercado imobiliário. "Quando analisamos o VGV, fica claro que o setor não está apenas vendendo mais unidades, mas movimentando volumes financeiros cada vez maiores em regiões específicas. Os dados revelam três movimentos importantes: a descentralização do investimento, a valorização fora do eixo tradicional e uma liquidez mais seletiva, concentrada em produtos bem posicionados".
Segundo ele, o comportamento do comprador ajuda a explicar essa concentração de valor. "Não se trata de um crescimento generalizado. O capital está direcionado a empreendimentos com produto de qualidade, boa localização e preço coerente. Isso explica por que alguns mercados concentram bilhões em vendas enquanto outros apresentam um ritmo mais lento".
O estudo também mapeia cidades emergentes que registraram forte crescimento de VGV em relação a 2024, como Balneário Piçarras (SC), Navegantes (SC), Porto Belo (SC) e João Pessoa (PB), reforçando o protagonismo de cidades médias e turísticas no atual ciclo do mercado imobiliário.
Para 2026, a expectativa da DWV é de continuidade desse movimento, com maior foco em eficiência e geração de valor. "O próximo ciclo será menos sobre volume genérico e mais sobre VGV qualificado. Dados serão cada vez mais decisivos para definir onde lançar, como precificar e para quem vender".
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