A inteligência artificial (IA) está avançando gradativamente nas redes de franquia brasileiras. É o que revela o estudo inédito Uso da Inteligência Artificial pelas Redes de Franquias 2025, realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Segundo a pesquisa, o maior percentual, 37% das empresas franqueadoras da amostra, estão na fase de testes na aplicação da IA e 22% a utilizam de forma não estruturada. E 26% das marcas afirmam adotá-la de modo estruturado.
E essa tecnologia é utilizada de maneiras diversas nas empresas. Neander Souza, especialista em IA para franqueadoras, que criou a tecnologia Franq.IA, explica que a inteligência artificial pode ser aplicada em muitas áreas e que uma das mais importantes é a Conversacional. Segundo ele, o usuário é resistente em utilizar dezenas de aplicativos, desejando resolver tudo em um único comando de voz ou mensagem. Para isso, a IA conversacional é indicada, porque entrega respostas rápidas, personalizadas, diretamente nos canais que o cliente já usa (como WhatsApp, Instagram Direct e voz assistida).
Nas franqueadoras, essa tecnologia é aplicada no atendimento ao cliente e ao franqueado, em chatbots inteligentes e agentes virtuais; no processo de expansão das marcas, qualificando leads; na operação e gestão de rede, integrada ao controle de estoque, treinamento e até gestão de marketing local; e no marketing, com campanhas integradas. "Não adianta instalar um chatbot, é preciso ter personalização para alcançar resultados comerciais e humanizar o atendimento", alerta Souza.
A Dr. Shape é uma franqueadora que investiu em inteligência artificial para compor seu novo projeto de franquia, lançado no segundo semestre de 2025. Especializada em varejo de suplementos alimentares e artigos esportivos, a marca está há 25 anos no mercado e criou totens de autoatendimento para serem instalados em condomínios residenciais e comerciais, academias, lojas de conveniência e outros pontos de venda. Nesses totens, o cliente escolhe o suplemento alimentar que deseja comprar, paga e o retira sem a presença de um vendedor. Para o auxiliar em dúvidas relacionadas aos produtos, entra a inteligência artificial. Dessa maneira, o consumidor finaliza sua compra, já que tem as informações que precisa ali, na hora, e o franqueado pode instalar quantos totens conseguir, em pontos variados, sem depender de mão de obra, aumentando seu faturamento mensal.
A mão de obra escassa é um dos motivadores de as franquias investirem em inteligência artificial. Na Blow Escova Inteligente, que tem mais de 50 salões de beleza especializados em serviços de escova, o uso do aplicativo próprio sempre foi estimulado, para que as clientes conhecessem cada vez mais a marca, seus serviços, produtos e profissionais. Mas, no ano passado, a franqueadora criou a primeira escovaria com recepção 100% automatizada. Com a ajuda de tecnologia, ao chegar à Blow, as clientes fazem seu check-in e o profissional recebe a mensagem da presença delas. Depois de serem atendidas, elas mesmas fazem o pagamento do serviço, sem a necessidade de um recepcionista.
As franquias da Blow Escova Inteligente mantêm gerentes ou o próprio franqueado como gestores e existe o suporte para as clientes que têm dificuldade em usar a tecnologia. Com a automatização da recepção, o investimento na franquia foi reduzido e a lucratividade, aumentada.
IA no setor de Alimentação
O setor de Alimentação é um dos que mais precisam de inteligência artificial específica, devido a particularidades como produção, horários estendidos de trabalho, compras, vendas e entregas. Dhionatan Paulino, especialista em Food Service, comenta que o setor está cada vez mais complexo, pressionado por custos altos e escassez de mão de obra.
Paulino, que atua na estruturação de operações e franquias de delivery, desenvolveu a Aurix IA, uma inteligência artificial aplicada exclusivamente ao universo de restaurantes, delivery e food service. Ele explica que, após operar uma rede de franquias de delivery de restaurantes por mais de 15 anos, a Mineiro Delivery, decidiu colocar em prática o que ensinava aos seus franqueados.
Dos pontos principais que interferiam no desempenho dos restaurantes, Paulino via que os empreendedores não entendiam de margem e Custo de Mercadoria Vendida (CMV); operavam com cardápios mal estruturados; sobrecarregavam suas equipes por não terem processos dinâmicos e dependiam excessivamente de marketplaces sem estratégia.
Para organizar essas questões, ele criou a Aurix, que funciona como um chat inteligente, com o qual o usuário conversa e recebe orientações personalizadas em áreas como performance em marketplaces; CMV, margem e precificação; cardápio e produto; operação e processos; gestão financeira; pessoas e cultura e mentalidade empreendedora.
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