A promoção de um ambiente voltado à inovação e à tecnologia nos Colégios Técnicos da Universidade Estadual Paulista é uma meta do Governo de São Paulo para enriquecer a formação dos alunos desde o ensino médio. A ideia ganhou corpo com a aproximação da Agência Unesp de Inovação (AUIN) e dos três colégios técnicos da Unesp. Entre as ações, foi realizado um Hackathon interno, serão implementados FabLabs, voltados ao desenvolvimento de projetos dos alunos, e um dos colégios participou de maneira inédita de um dos maiores eventos voltados para o ensino técnico no Brasil, promovido pelo Centro Paula Souza.
“A missão do nosso projeto com as escolas técnicas é motivar os alunos para duas oportunidades, como empresários ou como alunos de graduação”, afirma o atual diretor da AUIN, Saulo Guerra. E complementa: “Nesta gestão da professora Maysa, achamos que seria uma uma grande oportunidade falarmos com pessoas mais novas e, assim, atrair nossos jovens para ficar na universidade”.
A Unesp possui dois Colégios Técnicos Industriais – os chamados CTIs – localizados em Bauru e Guaratinguetá, e um Colégio Técnico Agrícola, em Jaboticabal. O professor Marcelo Rodrigues, diretor do CTI em Bauru, conta que o colégio já pautava a temática inovação e empreendedorismo, com disciplinas e projetos voltados para a área nos três cursos – eletrônica, informática e mecânica – oferecidos juntamente com o Ensino Médio. Agora será possível potencializar a capacidade de inovação. “Com a AUIN, estamos seguindo um caminho, tendo o aporte necessário, não só financeiro, mas de orientação e capacitação. Eu acho que isso vai ser muito bom a longo prazo”, afirma Rodrigues.
A implementação de FabLabs está em andamento. Com o aporte financeiro disponibilizado, as unidades estão no processo de construção do espaço e compra do material. O ambiente será equipado com duas impressoras 3D, uma com tecnologia FDM (funcionamento a partir do aquecimento do filamento de plástico), uma com tecnologia de impressão em resina e ainda uma máquina CNC a laser, para corte e gravação. As inaugurações estão previstas para 2026.
O professor e vice-diretor do CTA, Marcos Juinthi Koba Morise, entende que a chegada dos equipamentos irá permitir um aperfeiçoamento das criações do colégio e agregará à nova disciplina de prototipagem, inserida na matriz curricular de 2026, atendendo justamente a uma demanda de um conteúdo mais amplo na parte de criação, como explica: “A impressora 3D e outros equipamentos vão auxiliar a criar produtos melhores e com estética mais bem desenvolvida”.
Hackathon da AUIN
No ano passado, a AUIN propôs para os Colégios Técnicos a realização de um Hackathon entre os estudantes, ou seja, evento que incentiva o desenvolvimento de soluções inovadoras para um determinado problema em curto período de tempo. “O desafio é para os alunos entenderem essa pegada da inovação, a dinâmica de terem que resolver um problema em tempo rápido e apresentar uma solução de forma competitiva”, explica Saulo Guerra.
O CTA, que oferece os cursos de agropecuária e informática, foi o primeiro Colégio Técnico da Unesp a pôr em prática o Hackathon promovido pela AUIN. Foram três dias de evento, dois destinados a criações e um a apresentações. Os desafios foram a construção de um chatbot para a AUIN e de um software para conectar empresas parceiras e alunos. Os participantes foram divididos em equipes com mentores e precisavam entregar um protótipo que funcionasse. Ao fim, foram selecionados seis grupos e há a intenção de realizar uma nova dinâmica entre eles para determinar os vencedores.
“É uma experiência bem legal. Eles aprenderam a trabalhar em equipe e sob pressão. Eles gostaram bastante”, conta Marcos Morise. O diretor afirma ter intenção de reproduzir o evento e analisa formas de torná-lo viável para edições futuras. O Hackathon ainda será reproduzido nos CTIs em Bauru e Guaratinguetá, entre este e o próximo ano.
O diretor da AUIN comenta que o tema proposto foi pensado a partir do cotidiano da Agência, em desafios enfrentados pela equipe. A ideia é criar uma dinâmica em que os melhores projetos possam ser aprimorados para atingir uma maturidade tecnológica e assim se transformarem em produto. “Se uma das ideias virar uma tecnologia, depois ela pode ser aplicada e validada dentro da própria Unesp”, explica.

Primeira Feira Tecnológica
Em 2025, aconteceu também a 16ª edição da Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps). Pela primeira vez, a Unesp esteve presente no evento e ainda levou três projetos inovadores. Por intermédio e incentivo da AUIN, os Colégios Técnicos da Universidade puderam concorrer na categoria de instituições parceiras. As três unidades se inscreveram e foram selecionadas três propostas do CTI “Prof. Isaac Portal Roldán”, em Bauru. “Dos 26 projetos que foram classificados, nós de Bauru éramos os únicos com três propostas. Foi um feito bastante significativo”, destaca o professor e diretor Marcelo Rodrigues.
Uma das ideias foi a criação de um sistema de Diagnóstico Hematológico Inteligente, que une ciências biológicas e inteligência artificial. Desenvolvido por Ivy Chiquito Netto, estudante do primeiro ano em técnico em eletrônica, e Silas Reuel, do terceiro ano em técnico em informática, “o projeto tem como objetivo automatizar e agilizar a análise de exames de sangue, reduzindo o tempo de processamento para alguns minutos”, como explica Ivy.
A ideia parte de uma Rede Neural Convolucional (CNN), ou seja, uma rede neural artificial de aprendizado de máquina, voltada especialmente para análise de dados de imagens. Assim, a rede é responsável por reconhecer os leucócitos por meio de imagens de exame, contabilizá-los e classificá-los e, ao final, fornece uma sugestão de diagnóstico. O sistema já possui uma acurácia de aproximadamente 90%, entretanto, ainda enfrenta limitações quanto à diversidade de amostras disponíveis, restringindo o desempenho da CNN.
A estudante afirma ter intenção de dar continuidade ao projeto. “Pretendemos estabelecer parceria com uma clínica de análises sanguíneas para ampliar nossa base de dados e aprimorar o modelo”. E complementa: “Nosso objetivo futuro é disponibilizar a tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso gratuito à população, e não direcioná-la à comercialização”. Ivy já entrou em contato com a AUIN para garantir a propriedade intelectual e efetivar a patente do projeto.
As outras ideias selecionadas foram o Cisternax, voltado para o arrefecimento de ambientes por meio da captação da água da chuva, e o Ergo Ladder, que busca facilitar o acesso às macas hospitalares a partir de uma plataforma elevatória.
Com esses projetos, Carolina Silveira, Assistente Técnica Administrativa da AUIN, reitera a importância da aproximação da Agência com os Colégios Técnicos e conta que se surpreendeu com a criatividade dos jovens. “Ver o aluno de ensino médio fazendo tanta coisa, com tão pouco, foi muito gratificante”, afirma.
Apesar dos protótipos do CTI não terem sido premiados, a assistente da AUIN, responsável pela mediação com o Centro Paula Souza, conta que a experiência foi enriquecedora. “O evento foi de muita importância para os alunos porque eles conheceram outros projetos, puderam andar nos stands, perguntar como que eles fizeram, quais foram as ideias. Foi importante essa primeira vivência”, afirma.
“A feira me proporcionou uma das experiências mais marcantes da minha vida e foi, para mim, motivo de um orgulho imenso”, afirma Ivy sobre sua experiência. A estudante destacou que o espaço a motivou profissionalmente: “Essa experiência ampliou meu olhar, percebi que a pesquisa vai muito além da teoria. Ela envolve entender a aplicação prática, a viabilidade técnica, o impacto social e até mesmo o potencial comercial de uma ideia.”
O Diretor do CTI de Bauru está na expectativa para edições futuras: “Agora, a gente já sabe como funciona a feira. Então, podemos melhorar o projeto e levar uma maquete lá para ser avaliada e com foco em poder ficar em primeiro, segundo, terceiro.”
O Diretor da AUIN complementa que, com a construção de um ecossistema de inovação dentro dos colégio técnicos, espera-se a potencialização, refinamento e avanço cada vez maior dos projetos. “Que tenhamos mais potência para os nossos alunos apresentarem projetos, porque agora eles têm um laboratório didático melhor, têm um Fablab – que não existia – e têm um ecossistema mínimo de inovação nascendo na escola técnica”, diz o diretor da AUIN Saulo Guerra. Ele crê que, com a nova infraestrutura, o retorno possa vir nos próximos três anos.
Sobre os Colégios Técnicos
Os Colégios Técnicos da Unesp promovem um ensino médio integrado a cursos técnicos em quatro áreas: agropecuária e informática, mecânica, eletroeletrônica, eletrônica e informática industrial. As três unidades estão vinculadas a faculdades da Unesp. Em Bauru, o CTI está ligado à Faculdade de Engenharia (FEB); em Guaratinguetá, à Faculdade de Engenharia e Ciências (FEG); e, em Jaboticabal, o CTA é atrelado à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV).
“O aluno tem esse contato com o ambiente universitário já no ensino médio. E isso facilita até para a posterior escolha do curso, se for ingressar na Unesp”, destaca Marcelo Rodrigues, professor e diretor do CTI em Bauru. Em concordância, o professor e vice-diretor do CTA, Marcos Morise, entende que “esse trânsito do aluno na graduação, pós-graduação, voltando para o universo da educação básica, do ensino médio, é um elemento agregador”.
Os colégios técnicos propõem o desenvolvimento anual de Trabalhos de Conclusão de Curso, o que já estimula a criação de projetos inovadores nas mais diversas áreas. Além disso, os alunos são incentivados, principalmente pelo contato com as faculdades, a participarem do PIBIC Júnior, desenvolvendo pesquisas como bolsistas. Em Bauru, há uma média anual de 30 a 50 alunos envolvidos nesse programa.
A estudante Ivy Netto afirma que o CTI proporcionou “muito mais do que o aprendizado técnico”. Ela relata ter encontrado um espaço que a desafiava, onde pôde conhecer pessoas importantes para sua jornada como aluna e pessoa, destacando a parceria que construiu com seu parceiro de equipe Silas. “O Colégio Técnico da Unesp, de certa forma, foi o ponto de encontro entre o meu sonho e as pessoas certas para torná-lo realidade”, diz Ivy. Como próximos passos, a estudante deseja concluir o ensino médio e técnico e ingressar na graduação em Engenharia Mecatrônica.
“O curso técnico traz a questão de disciplina, trabalho em equipe, que é muito importante, depois para o mercado de trabalho, e também a questão da autonomia”, afirma o professor e diretor Rodrigues. E complementa com uma perspectiva mais ampla: “A educação técnica seria um dos caminhos para melhorar, não só a educação, mas também a parte econômica do país”, afirma.

A AUIN
A Agência Unesp de Inovação foi criada em 2007 e é, desde então, o núcleo de inovação representante oficial da Universidade. A partir da AUIN, foram criados diversos ambientes de inovação espalhados pelos 24 municípios onde existe Unesp, contabilizando hoje mais de 60 espaços. A Agência é responsável por cuidar, proteger e orientar inovações desenvolvidas na Unesp, além de auxiliar na inserção dos projetos na sociedade por meio de consultorias para empresas-filhas. “As obrigações e as ações da AUIN estão focadas prioritariamente em três pilares: a área de propriedade intelectual, a área de transferência de tecnologia e a área de empreendedorismo”, detalha o diretor da Agência.
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