A combinação simples “123456” continua sendo a senha mais usada no mundo em 2025, inclusive pela Geração Z, considerada a mais familiarizada com o universo digital. Pesquisas recentes da NordPass e da Comparitech mostram que 25% das mil senhas mais populares são formadas apenas por números. A prática atravessa gerações: de jovens nativos digitais a pessoas com mais de 70 anos, a preferência por credenciais fracas segue dominante, inclusive no Brasil.
Os estudos indicam uma contradição clássica da vida conectada: enquanto a digitalização da economia avança, a porta de entrada dos serviços — a senha — permanece vulnerável. O resultado é um ambiente fértil para fraudes, vazamentos de dados e golpes em larga escala. Na América Latina, o problema se agrava, já que, além da falta de conscientização sobre segurança digital e do uso pouco cuidadoso de senhas, soma-se o avanço das ciberameaças na região.
“Estes dados nos mostram que é um mito que pessoas mais familiarizadas com a tecnologia e até nativos digitais, automaticamente, adotam boas práticas de segurança. O problema que sempre existiu persiste até os dias de hoje. A facilidade de lembrar uma senha infelizmente ainda pesa mais do que a proteção da identidade digital”, afirma Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil. “É imprescindível entender que uma senha fraca permite que um cibercriminoso acesse toda a vida digital de uma pessoa, de redes sociais e e-mail até dados bancários e conteúdos sensíveis armazenados na nuvem”, complementa.
Brasil repete padrão global
No Brasil, a fotografia não é diferente. As senhas mais usadas em 2025 repetem o ranking global, com destaque para sequências numéricas simples, nomes próprios e combinações fáceis de adivinhar. O comportamento contribui para fraudes que colocam o país em segundo lugar na lista mundial de golpes financeiros, segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
A vulnerabilidade também alcança instituições de grande porte. Em outubro, o sistema de segurança de um museu de renome internacional foi comprometido com a senha “Louvre”, resultando em perda milionária. O episódio virou símbolo dos perigos que uma única credencial previsível pode causar a uma instituição.
“Não adianta ter câmera, firewall e criptografia se a porta de entrada é extremamente fácil de abrir. Escolher senhas complexas e difíceis de quebrar é um passo básico na proteção digital, sempre usando um cofre de senhas de confiança para armazená-las”, explica o pesquisador da ESET.
As senhas mais usadas por geração
O ranking por geração tem como base o relatório “As 200 Senhas Mais Comuns”, produzido pela NordPass em parceria com a NordStellar e pesquisadores independentes especializados em incidentes de segurança cibernética. A análise compilou dados de violações públicas e repositórios da dark web entre setembro de 2024 e setembro de 2025, envolvendo credenciais expostas em 44 países. Além das senhas, foram avaliados metadados associados — como datas de nascimento —, o que permitiu relacionar com precisão cada combinação às diferentes faixas etárias e estabelecer padrões estatísticos.
Mesmo com hábitos digitais distintos entre gerações, o estudo revela um comportamento semelhante: as combinações mais populares continuam sendo sequências numéricas simples, palavras óbvias e padrões fáceis de adivinhar, como “123456” e “password”:
Geração Z (1997–2007)
Millennials (1981–1996)
Geração X (1965–1980)
Baby Boomers (1946–1964)
Como criar senhas mais seguras
Segundo a ESET, a primeira regra para abandonar senhas fracas é investir em combinação e tamanho. Senhas mais longas tendem a criar uma barreira mais difícil de ser vencida por ataques automatizados; por isso, a empresa recomenda pelo menos 12 caracteres e, sempre que possível, a mistura de letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos especiais.
“A diversidade de elementos aumenta exponencialmente a quantidade de combinações possíveis, reduzindo a chance de que sequências previsíveis, como datas de aniversário, nomes próprios ou padrões como “123456”, sejam quebradas em poucos segundos”, analisa Daniel Barbosa.
Outro ponto central destacado pela ESET é não repetir a mesma senha em vários serviços. Quando uma credencial de uma única plataforma é exposta, todas as demais contas que compartilham o mesmo acesso se tornam vulneráveis em cadeia, incluindo e-mail, redes sociais e, a depender do caso, até aplicativos bancários. Para quem tem dificuldade em memorizar diferentes combinações, a recomendação é adotar um cofre de senhas, capaz de armazenar e criar senhas fortes de forma automática, reduzindo a dependência de sequências simples.
Tecnologia Transformação do tráfego pago altera marketing digital
Tecnologia Inteligência conectada redefinirá competitividade digital
Tecnologia Imobmeet CRM centraliza processos no mercado imobiliário
Tecnologia IA reforça estereótipos de gênero entre jovens
Tecnologia Omnibees apresenta dados inéditos do setor de viagens
Tecnologia Universidades enfrentam pressão para se reinventar na era da IA e das incertezas Mín. 16° Máx. 29°
Mín. 17° Máx. 26°
ChuvaMín. 18° Máx. 29°
Chuvas esparsas