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Dry January incentiva reflexão sobre consumo de álcool

Iniciativa propõe abstinência durante o primeiro mês do ano como forma de rever hábitos e promover bem-estar

05/01/2026 15h12
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Motortion/Getty Images
Motortion/Getty Images

O início de um novo ano costuma ser acompanhado por metas relacionadas à saúde e à qualidade de vida. Entre as iniciativas que ganham destaque nesse período está o Dry January, ou "janeiro seco", movimento criado no Reino Unido em 2013 que propõe a abstinência de bebidas alcoólicas durante o primeiro mês do ano como forma de repensar a relação com o álcool e observar possíveis benefícios ao organismo.

No fim de 2024, autoridades de saúde dos Estados Unidos divulgaram novas recomendações sobre o consumo de álcool, reforçando a associação entre a ingestão de bebidas alcoólicas e o aumento do risco de câncer. As orientações destacam que não há uma dose considerada segura e incluem medidas de conscientização, como a atualização de rótulos de advertência, com o objetivo de reduzir casos de doenças e mortes relacionadas ao consumo.

No Brasil, onde o álcool está presente em diferentes contextos sociais, a proposta de um período sem consumo pode representar um desafio. Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) indicam que, em 2023, foram registradas 27 internações relacionadas ao álcool a cada 100 mil habitantes, além de um aumento significativo na taxa de óbitos associados ao consumo entre 2010 e 2023.

De acordo com Arthur Guerra, médico psiquiatra e coordenador do Núcleo de Psiquiatria do Hospital Sírio-Libanês, os efeitos da abstinência variam conforme o padrão de consumo. Segundo o especialista, em casos de uso moderado ou social, a pausa pode contribuir para a melhora do sono e da alimentação. Já em situações de consumo mais intenso, os benefícios tendem a ser mais expressivos, incluindo desintoxicação do organismo, redução de peso e a possibilidade de retomada do consumo de forma mais controlada.

Além dos aspectos físicos, o Dry January também favorece a reflexão sobre comportamentos associados ao álcool. O especialista ressalta que o consumo, muitas vezes, está incorporado à rotina de forma automática, influenciado por hábitos familiares ou sociais. A interrupção temporária pode ajudar a identificar se o uso é consciente ou apenas repetição de padrões, o que contribui para a prevenção de comportamentos prejudiciais à saúde.

Atenção ao consumo após o período de abstinência. Apesar dos benefícios, é importante observar o comportamento após o fim do mês sem álcool. Em alguns casos, pode ocorrer o chamado "efeito rebote", caracterizado pelo consumo excessivo após a pausa. Para o especialista, esse tipo de reação pode indicar a necessidade de avaliar a relação com a bebida e investigar se o álcool está sendo utilizado como forma de lidar com questões emocionais, como ansiedade, depressão ou dificuldades de sono.

Entre as estratégias sugeridas estão a redução da frequência e da quantidade ingerida após o período de abstinência, como limitar o consumo aos fins de semana ou diminuir significativamente as doses habituais. A proposta é aproveitar o intervalo para estabelecer uma relação mais equilibrada com o álcool.

Iniciativas como o Dry January também têm reflexos na saúde pública, ao estimular o consumo consciente e contribuir para a redução de danos associados ao uso abusivo. A proposta não é a abstinência permanente, mas a reflexão sobre limites e hábitos, abrindo espaço para discussões mais amplas sobre prevenção e promoção da saúde.

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