Fundada em 2023 por Paulo Silva e Rodrigo Chiesa, a Filtrify chega ao terceiro ano de operação com mais de R$ 160 milhões em vendas acompanhadas por sua tecnologia, segundo dados informados pela empresa. A companhia, que surgiu como uma ferramenta de filtragem de produtos para afiliados do marketing digital, atendeu mais de 24 mil clientes, acumulou mais de R$ 6 milhões em faturamento e registrou margem líquida de 32% em 2025. Atualmente, a plataforma concentra recursos de pesquisa de produtos, criação de páginas, campanhas, rastreamento de vendas e envio de conversões ao Google Ads/Meta Ads.
O afiliado divulga produtos de terceiros na internet e recebe comissão por venda concretizada, sem precisar adquirir o item que promove. Esse modelo se desenvolve em um ambiente de comércio digital em expansão: conforme levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), o e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de cerca de 15,3% sobre o ano anterior, e a projeção para 2026 é de R$ 259,8 bilhões.
Da necessidade pessoal à primeira venda
A origem da empresa está ligada à experiência de Paulo Silva, que empreende desde 2012 e já havia criado negócios nas áreas de games e de tecnologia financeira. Em 2023, impactado por conteúdos sobre renda extra nas redes sociais, ele decidiu atuar como afiliado e esbarrou na principal dificuldade de quem inicia nesse mercado: encontrar um bom produto para vender. Uma das orientações de influenciadores recomendava buscar, na Hotmart, itens com temperatura entre 30 e 80 graus (um indicador de vendas), nota acima de quatro e ao menos dez comentários, mas a plataforma não oferecia esses filtros. Ele então desenvolveu uma ferramenta própria para aplicá-los.
"No começo tinha feito só para o meu uso, mas aquela minha veia empreendedora me disse: e se mais alguém tem essa dor?", relembra Paulo Silva, fundador da Filtrify. A primeira venda, totalmente orgânica, ocorreu em 5 de maio de 2023. Na sequência, o empreendedor passou a fazer transmissões ao vivo no TikTok, despertando a curiosidade do público, que se tornou parceiro e começou a revender a solução. Em junho daquele ano, uma análise publicada por um youtuber do segmento resultou em 500 vendas em 24 horas.
"A ideia inicial era relativamente simples: criar uma ferramenta que organizasse essas informações e ajudasse o afiliado a tomar decisões melhores. O grande desafio foi transformar essa ideia em um produto que realmente gerasse valor e, principalmente, conseguir entender quais problemas os nossos clientes estavam dispostos a pagar para resolver", explica Rodrigo Chiesa, também fundador da empresa. Segundo ele, o percurso envolveu obstáculos técnicos, de aquisição, de produto, de suporte e de escala, com decisões tomadas sob recursos limitados e sem garantia de resultado.
Expansão guiada pelas demandas do usuário
"Acredito que a gente sempre olhou muito para produto", afirma Paulo Silva. Ele conta que o módulo de rastreamento de vendas foi criado em 2024, quando não havia no mercado uma integração totalmente automatizada com o Google Ads para enviar dados de vendas. Em 2025, Rodrigo Chiesa identificou que educadores do segmento precisavam indicar diversas ferramentas aos alunos para que eles estruturassem a operação, o que levou a Filtrify a reunir tudo em uma única assinatura.
Para Rodrigo Chiesa, uma escolha determinante foi não construir tudo de uma vez, partindo de um problema específico e ampliando o produto à medida que as necessidades dos clientes ficavam mais claras. "Outro ponto importante foi entender que não estávamos construindo apenas uma ferramenta, mas um ecossistema de produtos para o afiliado", observa. "No fim, acredito que os números são consequência de uma combinação de produto, relacionamento com os clientes, capacidade de adaptação e, principalmente, consistência durante vários anos", acrescenta.
A ampliação também acompanhou mudanças no comportamento dos afiliados brasileiros, que migraram em parte para ofertas internacionais e vendas em dólar. Esse movimento gerou novas demandas de rastreamento e de envio de conversões, motivo que deu origem ao FiltriPixel. De acordo com os sócios, a estrutura técnica precisou evoluir para lidar com integrações externas, webhooks, processamento assíncrono, filas e grandes volumes de dados, e algumas partes do sistema chegaram a ser reconstruídas após problemas de escala. A equipe, que no início se resumia praticamente a uma pessoa, conta hoje com cerca de 12 profissionais distribuídos entre tecnologia, suporte, comercial, novos negócios e social media.
Indicadores e prioridades da próxima etapa
Na avaliação dos fundadores, o faturamento deixou de ser a única régua do negócio. Margem, retenção, uso efetivo dos produtos, custo de aquisição, eficiência dos canais, volume de suporte e custo de infraestrutura passaram a orientar as decisões, ao lado da capacidade da plataforma de processar eventos e conversões corretamente. A trajetória de crescimento, apoiada em parceiros e influenciadores, também evidenciou o risco de concentrar a aquisição em poucos canais. Sobre a inteligência artificial (IA), que reduziu o custo de criar páginas, campanhas e automações, os sócios entendem que o recurso deve ser aplicado onde elimina uma dor pela qual o cliente se dispõe a pagar.
Para os próximos anos, a prioridade declarada é a sustentabilidade, com foco na confiabilidade da plataforma, em uma operação financeiramente saudável e na diversificação de canais. A empresa pretende manter a prática de ouvir o mercado, testar rapidamente, medir a resposta e mudar de direção quando os dados indicarem essa necessidade. "O maior aprendizado desses três anos talvez seja este: não se apegar à solução. Se apegar ao problema do cliente", resumem os fundadores.
Para mais informações, basta acessar: https://filtrify.com.br
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