A qualidade dos óvulos diminui antes da menopausa, mesmo quando a mulher mantém ciclos menstruais regulares. O declínio ocorre gradualmente, antecedendo sinais típicos da perimenopausa, como irregularidade menstrual e ondas de calor. Especialistas em reprodução humana alertam que aguardar o surgimento desses sintomas pode reduzir significativamente as opções de planejamento reprodutivo.
De acordo com o Dr. Eduardo Motta, médico especialista em Reprodução Humana e fundador do Grupo Huntington, "o óvulo piora antes que os hormônios. Quando a mulher começa a ter algum sintoma de irregularidade menstrual, a qualidade ovular já está comprometida". O profissional destaca que a reserva ovariana, medida por exames como a dosagem de AMH e a contagem de folículos antrais (CFA), reflete apenas a quantidade de folículos, não a qualidade dos óvulos.
A reserva ovariana indica quantos folículos ainda permanecem nos ovários, enquanto a qualidade ovocitária está relacionada ao potencial do óvulo fertilizado gerar uma gestação saudável. Estudos da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva apontam que esses marcadores têm correlação fraca com a qualidade dos óvulos e não predizem com precisão a probabilidade de gravidez espontânea. A idade materna continua sendo o indicador mais consistente de sucesso reprodutivo, com redução das taxas de gravidez e aumento dos riscos de anomalias cromossômicas e perdas gestacionais ao longo dos anos.
A partir dos 35 anos, a diminuição das chances de gravidez torna‑se mais acentuada, embora a fertilidade não desapareça de forma abrupta. Dados de clínicas de reprodução assistida mostram que a taxa de sucesso do congelamento de óvulos está fortemente ligada à idade da mulher no momento da coleta. Diretrizes internacionais recomendam que o procedimento seja realizado preferencialmente antes dos 35 anos, pois a qualidade dos óvulos coletados nessa faixa etária oferece melhores perspectivas de uso futuro.
Durante a perimenopausa, ainda é possível ocorrer ovulação, permitindo gravidez espontânea, embora a probabilidade diminua com a idade avançada. A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, e a possibilidade de gestação natural nessa fase deve ser diferenciada da gravidez pós‑menopausa.
Para mulheres que já atingiram a menopausa e desejam engravidar, a ovodoação representa a única alternativa viável. Nesse tratamento, óvulos de doadora jovem são fertilizados e transferidos ao útero da receptora. O Dr. Motta explica que, embora a ovodoação elimine a limitação da produção ovárica, os riscos associados à idade materna – como pré‑eclâmpsia, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal – permanecem elevados, especialmente após os 45 anos. Condições preexistentes, como hipertensão, pré‑diabetes e doenças cardiovasculares, também requerem avaliação cuidadosa antes do procedimento.
A ovodoação pode ser considerada antes da menopausa em casos de comprometimento significativo da qualidade dos óvulos, baixa reserva ovariana ou falhas em ciclos de reprodução assistida. O planejamento reprodutivo precoce, com avaliação especializada antes dos 35 anos, amplia as opções disponíveis e permite decisões mais informadas sobre congelamento de óvulos ou uso de gametas doados.
Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva
A Huntington Medicina Reprodutiva, com mais de 30 anos de atuação, integra o Grupo Eugin, rede internacional presente em nove países. A clínica oferece um portfólio completo de tratamentos de reprodução assistida, incluindo fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas e oncofertilidade, seguindo protocolos científicos e foco no acompanhamento individualizado dos pacientes.
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