A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovou, na terça-feira (22), voto de pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles. A jornalista, escritora, militante feminista e defensora dos direitos humanos morreu em 15 de setembro, aos 81 anos.
A manifestação consta do Requerimento nº 125/2026, de autoria da vereadora Inês Paz. O documento destaca a trajetória de Amelinha na defesa dos direitos humanos, da democracia, da igualdade de gênero e das políticas de memória relacionadas à ditadura militar brasileira.
Amelinha foi presa durante a ditadura militar
Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante o período da ditadura, Amelinha foi presa em 1972 e levada ao DOI-Codi de São Paulo, onde foi submetida a torturas.
Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi paulista entre 1970 e 1974, foi alvo de ação declaratória movida por integrantes da família Teles. Em decisão de primeira instância proferida em 2008 e posteriormente confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, foi reconhecida a existência de responsabilidade civil de Ustra por atos ilícitos relacionados às torturas sofridas pelos autores da ação.
O entendimento também foi mantido posteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça.
Requerimento recorda relato sobre tortura
O documento aprovado pelos vereadores reproduz trecho de uma entrevista concedida por Amelinha em 2022, na qual ela relatou os efeitos permanentes da violência sofrida durante o período de repressão política.
“Tortura é uma ferida que não cicatriza. Esta ferida, de vez em quando, sangra. Há momentos em que você tem recaídas. É um trauma pra vida toda: sou sobrevivente, sou vítima, sou lutadora, sou militante, sou feminista, porque sou deste mundo e participo do que está acontecendo”, afirmou Amelinha.
Atuação também marcou movimento de mulheres
Ao longo de sua trajetória, Amelinha Teles participou de organizações e iniciativas voltadas aos direitos das mulheres, à memória política e aos direitos humanos.
Ela foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo e atuou na coordenação do projeto Promotoras Legais Populares, iniciativa direcionada à formação de mulheres sobre direitos e cidadania.
Também integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e participou da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo – Rubens Paiva.
Câmara aprovou manifestação de pesar
No requerimento, a autora relacionou a homenagem à trajetória de Amelinha nas áreas dos direitos humanos, da igualdade de gênero e da preservação da memória sobre as violações cometidas durante a ditadura militar.
O Requerimento nº 125/2026 foi aprovado pelos vereadores durante a sessão ordinária realizada em 22 de setembro.