A hiperplasia prostática benigna (HPB) provoca o crescimento não canceroso da próstata e pode comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina. Jato fraco, demora para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto e necessidade de levantar várias vezes durante a noite estão entre os sintomas possíveis.
Quando os sintomas são importantes ou não melhoram adequadamente com medicamentos, ou quando surgem complicações como retenção urinária, infecções recorrentes, cálculos na bexiga ou prejuízo à função renal, pode haver indicação de tratamento cirúrgico.
A ressecção transuretral da próstata, conhecida como RTU ou "raspagem", é uma técnica tradicional e consolidada. Outra possibilidade é o HoLEP, procedimento realizado pelo canal da uretra que utiliza um laser de hólmio para separar e remover o tecido prostático responsável pela obstrução.
"A diferença não está apenas na fonte de energia. Enquanto a RTU remove o tecido em fragmentos, o HoLEP separa o adenoma da cápsula da próstata, permitindo uma remoção mais ampla do tecido obstrutivo", explica o Dr. Rafael Haddad Astolfi, urologista, CRM-SP 157.364 e RQE 80.779.
HoLEP permite recuperação mais rápida que a RTU
O especialista explica que uma das principais vantagens do HoLEP está na recuperação após a cirurgia. Estudos que compararam a técnica à RTU mostram menor sangramento e necessidade de transfusão, além de períodos mais curtos de uso de sonda e de internação hospitalar.
A técnica de enucleação, associada à capacidade do laser de coagular os vasos durante o procedimento, contribui para reduzir o sangramento. Essas características ajudam a explicar as diferenças observadas no período inicial de recuperação.
Apesar dessas diferenças, tanto o HoLEP quanto a RTU apresentam bons resultados no alívio dos sintomas urinários. O HoLEP combina resultados funcionais semelhantes aos da RTU com vantagens importantes no período pós-operatório.
HoLEP apresenta baixa necessidade de nova cirurgia
Outra vantagem do HoLEP é a durabilidade dos resultados. A técnica permite remover de forma mais completa o adenoma responsável pela obstrução, o que está associado a uma baixa necessidade de novos procedimentos ao longo dos anos.
A Cleveland Clinic aponta entre as vantagens do HoLEP a possibilidade de tratar próstatas de diferentes tamanhos, o menor risco de sangramento e a menor probabilidade de precisar de uma nova intervenção. A técnica pode ser utilizada inclusive em próstatas de grande volume, nas quais outras opções endoscópicas podem apresentar limitações.
A escolha do procedimento, entretanto, deve considerar o tamanho e a anatomia da próstata, os sintomas, as condições clínicas e as características de cada paciente.
"Na escolha da cirurgia, devemos considerar não apenas a recuperação, mas também a durabilidade do tratamento e a possibilidade de uma nova intervenção no futuro", afirma o especialista.
Experiência do cirurgião influencia os resultados do HoLEP
O médico frisa que o HoLEP é uma cirurgia tecnicamente exigente e possui uma longa curva de aprendizado. A experiência do cirurgião pode influenciar aspectos do procedimento e da recuperação, incluindo o risco de incontinência urinária transitória, que geralmente melhora ao longo do período pós-operatório.
Um estudo publicado no International Neurourology Journal analisou fatores relacionados à incontinência após o HoLEP durante a curva de aprendizado. Os resultados mostraram a importância da experiência e do treinamento supervisionado, além de características do próprio paciente relacionadas a esse risco.
A relação entre experiência e resultados também foi avaliada em um estudo com mais de mil procedimentos, que encontrou melhora no tempo cirúrgico, no tempo de enucleação e nos resultados relacionados à continência à medida que aumentava a experiência do cirurgião.
"O HoLEP é uma cirurgia tecnicamente complexa e com uma longa curva de aprendizado. A experiência do cirurgião é fundamental para obter bons resultados e reduzir o risco de complicações", explica o Dr. Rafael.
A escolha entre HoLEP e RTU deve considerar o tamanho e a anatomia da próstata, os sintomas, as condições clínicas e as prioridades de cada paciente, além da experiência da equipe com o procedimento.
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