A dor persistente no ombro está entre as queixas musculoesqueléticas mais comuns na rotina ortopédica, associada a causas como lesões do manguito rotador, instabilidade articular, luxações recorrentes e sobrecargas relacionadas à prática esportiva. Segundo revisão sistemática internacional, a prevalência de dor no ombro na população geral é significativa e tende a aumentar com a idade, o que reforça a importância de reconhecer os sinais que indicam a necessidade de avaliação especializada.
Para o ortopedista Rodrigo Queiroz, especialista em cirurgia do ombro e cotovelo em Itapema (SC), o diagnóstico correto é o que deve orientar a escolha entre as diferentes opções terapêuticas hoje disponíveis. "A característica da lesão é fundamental para definir qual tratamento faz mais sentido. Não existe uma tecnologia que seja melhor para todas as lesões. Primeiro precisamos entender qual tecido está comprometido, o tipo de lesão, sua extensão, localização e estágio de evolução", afirma.
Entre as ferramentas conservadoras mais utilizadas atualmente, o médico destaca os procedimentos guiados por ultrassom. "Eles permitem levar a medicação exatamente ao local necessário, com muita precisão. Podemos utilizar anestésicos, medicamentos, ácido hialurônico e, em situações específicas, produtos obtidos do próprio paciente, como o plasma rico em plaquetas", explica. Estudos de revisão já apontam a ultrassonografia como recurso capaz de aumentar a precisão de infiltrações no ombro em comparação a técnicas guiadas apenas por referências anatômicas.
Sobre o plasma rico em plaquetas (PRP), Dr. Rodrigo Queiroz lembra que a técnica passou por uma mudança regulatória recente no Brasil. "Apesar de ser estudado e utilizado na medicina há décadas, no Brasil era considerado experimental. Em julho de 2026, o CFM regulamentou seu uso como tratamento adjuvante para algumas condições osteomusculares específicas, representando um avanço importante", diz, em referência à Resolução CFM nº 2.464/2026, que trata do uso complementar do PRP em condições osteomusculares específicas.
Outros recursos citados pelo médico incluem ondas de choque, laser de alta intensidade e acupuntura neurofuncional. "Também utilizamos as ondas de choque, especialmente em tendinopatias, tendinopatias calcárias e algumas dores crônicas; o laser de alta intensidade, que pode contribuir para o controle da dor e para a modulação dos processos inflamatórios e teciduais; e a acupuntura neurofuncional, que utiliza estímulos periféricos para modular o sistema nervoso e a percepção da dor", detalha. Estudo internacional recente reforça a eficácia das ondas de choque no tratamento de tendinopatias do manguito rotador sem calcificação.
Quando a cirurgia é realmente necessária
Para Dr. Rodrigo Queiroz, a indicação cirúrgica não deve se basear apenas em achados de exames de imagem, mas no impacto funcional da lesão sobre a rotina do paciente. "A decisão entre tratamento conservador e cirurgia não deve ser baseada apenas no que aparece em uma ressonância. Precisamos avaliar o tipo, a extensão e a localização da lesão, mas principalmente o quanto ela está comprometendo a função e os objetivos daquele paciente", pontua.
O médico cita a própria experiência com uma lesão no bíceps sofrida durante uma partida de tênis, tratada de forma conservadora por manter a função preservada, mesmo com alteração estética residual. "Uma alteração estrutural ou até mesmo uma alteração estética não significa necessariamente que exista uma indicação cirúrgica", observa.
Segundo o ortopedista, o receio de muitos pacientes em procurar atendimento por medo de uma indicação cirúrgica costuma ser infundado. "A grande maioria das dores e lesões ortopédicas pode ser tratada sem cirurgia. As situações em que realmente precisamos operar são uma parcela menor dos casos", informa. Ele acrescenta que a individualização do tratamento é o que permite equilibrar tecnologia e necessidade clínica.
"O meu objetivo não é oferecer o maior número de tratamentos, nem necessariamente o tratamento mais moderno. É oferecer o tratamento mais adequado para aquela pessoa naquele momento", conclui Dr. Rodrigo Queiroz, para quem a combinação entre avaliação clínica cuidadosa e comunicação clara com o paciente é o que sustenta decisões terapêuticas mais seguras e funcionais.
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