O Brasil realizou 2,35 milhões de cirurgias plásticas estéticas em 2024, liderando o ranking mundial, com 354.985 procedimentos à frente dos Estados Unidos, segundo levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). A lipoaspiração foi o procedimento mais realizado no país, representando 12,3% do total, uma média superior a 790 cirurgias por dia.
Considerando também os procedimentos não cirúrgicos, como toxina botulínica e preenchimentos, foram mais de 3,12 milhões de intervenções realizadas por cirurgiões plásticos brasileiros em um único ano.
O volume de procedimentos traz para o debate uma questão cada vez mais presente entre médicos, entidades reguladoras e pacientes: até que ponto é seguro ir em uma cirurgia plástica? A pergunta ganha relevância em 2026, quando o Conselho Federal de Medicina prepara uma revisão dos parâmetros brasileiros de segurança para a lipoaspiração, definidos originalmente pela Resolução CFM n.º 1.711/2003.
Entre os pontos em análise estão o tempo de duração das cirurgias, a combinação de múltiplos procedimentos, o volume de gordura aspirado, a extensão corporal operada, a infraestrutura necessária, a lipoenxertia e o uso de novas tecnologias.
Para o cirurgião plástico Renato Giannini Neto, regente adjunto do Capítulo de Lipoescultura da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o atual momento exige que avanços e inovações sejam acompanhados de uma discussão científica. "Com o aumento do uso de novas tecnologias na cirurgia plástica, precisamos estar ainda mais atentos ao tempo cirúrgico e à resposta metabólica do paciente. Muitas dessas tecnologias podem prolongar o procedimento e aumentar a resposta inflamatória do organismo", explica.
O médico ressalta que o tempo cirúrgico precisa ser cuidadosamente planejado. "A cada hora adicional de cirurgia, devemos reavaliar criteriosamente a relação entre benefício e risco, levando em consideração as condições clínicas do paciente, o porte dos procedimentos e a resposta metabólica ao trauma cirúrgico", adverte.
Em vigor há mais de duas décadas, a Resolução CFM n.º 1.711/2003 foi estabelecida em um contexto técnico e tecnológico diferente do atual. Avanços em equipamentos, técnicas cirúrgicas e métodos de lipoenxertia colocam em pauta quais critérios devem orientar a especialidade.
O tema estará entre os assuntos abordados no Plastic On Board, encontro científico imersivo em cirurgia plástica que reunirá especialistas de todo o Brasil, de 19 a 22 de fevereiro de 2027, a bordo de um cruzeiro com partida de Santos (SP) e destino a Búzios (RJ).
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