A busca por modelos produtivos sustentáveis deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência central na saúde pública e no desenvolvimento industrial global. No setor farmacêutico, em que a garantia de qualidade exige alto consumo de água, energia e insumos, a implementação de processos de economia circular e o controle rigoroso de efluentes e emissões tornaram-se pilares vitais para mitigar os impactos ambientais e garantir o bem-estar das comunidades do entorno das plantas fabris.
Dados da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e de levantamentos do setor produtivo apontam que a eficiência energética e a reutilização de recursos hídricos estão entre as prioridades estratégicas de mais de 70% dos grandes complexos industriais do Centro-Oeste. A transição para fontes limpas e a modernização tecnológica do parque industrial surgem como os principais vetores para alinhar o crescimento da produção à redução da pegada de carbono.
Nesse cenário, o Laboratório Teuto, um dos maiores complexos farmacêuticos da América Latina, estruturou sua gestão ambiental com foco na prevenção e no uso eficiente de recursos em Anápolis (GO). Entre as iniciativas em curso estão a instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica, a priorização do uso de gás natural e a substituição de caldeiras e equipamentos por modelos de alta performance. A adoção de novas compressoras industriais, por exemplo, reduziu em cerca de 6% o consumo de energia da planta.
De acordo com a supervisora do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Teuto, Aretha Duarte, a empresa conseguiu uma redução superior a 90% nas emissões de dióxido de enxofre (SOx) em um dos principais equipamentos ao substituir combustíveis fósseis pesados. "Realizamos o inventário de gases de efeito estufa sob as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol para garantir o acompanhamento rigoroso da nossa pegada de carbono e sustentar o crescimento da produção de forma limpa", destaca.
Novos investimentos
Na gestão hídrica, a empresa inaugurou na sede um novo sistema de tratamento de água purificada equipado com ultrafiltração e osmose reversa de duplo passo. A tecnologia que gera uma economia estimada de 15% no consumo de água potável. O controle inclui o tratamento prévio de todo o efluente industrial antes do descarte na rede coletora da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego). Na frente de resíduos, a companhia combina reciclagem, coprocessamento e o programa VitaCycle, que utiliza tecnologia blockchain e papel cartão reciclado para garantir a rastreabilidade da embalagem até o pós-consumo.
Aretha explica que as iniciativas permitiram ampliar a recuperação de resíduos e fortalecer a logística reversa, reduzindo drasticamente a destinação de resíduos para aterros. "Mais do que apresentar indicadores técnicos, nosso papel é aproximar futuros profissionais dessas práticas, mostrando na rotina industrial como a sustentabilidade está diretamente conectada à saúde pública e ao futuro da produção farmacêutica no país", complementa.
O avanço de práticas industriais sustentáveis no polo farmacêutico de Anápolis não apenas preserva os ecossistemas locais do solo, do ar e da água, mas também estabelece novos parâmetros de responsabilidade para o abastecimento nacional de medicamentos. "Ao integrar novas tecnologias, rastreabilidade e conscientização educacional, como as visitas técnicas de universitários à Reserva Follium, a indústria demonstra que o acesso à saúde e a segurança terapêutica podem caminhar ao lado da preservação ambiental no Brasil", finaliza Aretha.
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