O canabinol (CBN), um dos fitocanabinoides presentes na planta cannabis, tem atraído o interesse de quem busca alternativas para melhorar o sono. Pesquisas recentes sugerem que ele pode ajudar a regular o ciclo natural do descanso — o chamado ciclo circadiano — e favorecer um sono mais contínuo e restaurador.
Para a pesquisadora Ana Gabriela Baptista, CEO da TegraPharma, esse ganho de atenção tem relação com uma mudança na forma de entender o sono. "O CBN não age como uma sedação intensa. Ele atua como modulador, ajudando o corpo a organizar suas fases naturais de descanso e favorecendo um sono mais funcional", explica.
O que médicos têm observado na prática
A médica Andréa Alvarenga (CRM-DF 5490), que acompanha pacientes com insônia e queixas de sono fragmentado, relata que o uso do CBN tem mostrado resultados consistentes na rotina clínica. Segundo ela, muitos pacientes descrevem noites mais contínuas e despertares mais leves. "Os relatos mais frequentes são de maior sensação de descanso, mais clareza mental e melhora do humor ao longo do dia", comenta. Ela reforça que o CBN não "apaga" o paciente, mas favorece uma noite mais equilibrada.
A médica informa ainda que, em alguns casos, o CBN tem sido utilizado como alternativa para pessoas que desejam reduzir o uso prolongado de hipnóticos tradicionais, especialmente aqueles do grupo Z. "Tenho acompanhado pacientes que chegam em uso elevado desses medicamentos e querem fazer a transição. O CBN pode ajudar nesse processo porque favorece um sono mais natural", afirma.
Para Ana Gabriela, isso se alinha ao que vem sendo observado em pesquisas internacionais e ao avanço no entendimento do sistema endocanabinoide. "O sono é composto por fases que trabalham juntas para restaurar corpo e mente. Quando essas fases são preservadas, o impacto no dia seguinte é muito mais positivo", diz.
Como funciona o acesso a produtos com CBN no Brasil
No Brasil, produtos à base de CBN ainda não estão disponíveis em farmácias. Por essa razão, o acesso acontece por meio de importação individual, conforme as regras da RDC 660 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sempre mediante prescrição médica.
Hoje, o processo para solicitar a importação de produtos derivados de cannabis é considerado simples. Depois da consulta, o paciente envia a receita em um cadastro digital no portal do governo. Com a autorização aprovada, a solicitação é feita diretamente ao fornecedor legalmente autorizado, e o produto é entregue em casa. Esse fluxo já faz parte da rotina de milhares de brasileiros que utilizam terapias à base de cannabis.
De acordo com a CEO da TegraPharma, a regulamentação trouxe previsibilidade e segurança ao acesso. "A RDC 660, hoje a principal via de acesso a produtos derivados de cannabis no país, estabeleceu um caminho claro para quem tem indicação clínica e acompanhamento médico. O processo é organizado e permite que o paciente receba o produto em casa, dentro das normas estabelecidas", detalha.
Informações da própria Anvisa reforçam essa consolidação. Em 2025, mais de 190 mil importações foram realizadas por pacientes brasileiros, demonstrando o papel da regulamentação no cuidado de pessoas com epilepsias refratárias, dores crônicas, transtornos psiquiátricos, doenças neurodegenerativas, distúrbios do sono e outras condições que podem se beneficiar de terapias derivadas da cannabis.
Um cuidado que vai além do produto
Tanto a médica quanto a pesquisadora reforçam que o CBN deve ser parte de uma abordagem mais ampla de cuidado, que inclui ajustes na rotina, higiene do sono e acompanhamento clínico contínuo. A TegraPharma, empresa norte-americana que atua no acesso à cannabis medicinal no Brasil e em outros países, mantém iniciativas de apoio técnico a profissionais e suporte a pacientes, oferecendo orientação sobre formulações e promovendo materiais educativos relacionados ao uso medicinal da cannabis.
Conforme Ana Gabriela, o avanço das terapias à base de canabinoides representa uma mudança na forma de entender a saúde do sono. "Estamos evoluindo com possibilidades terapêuticas mais fisiológicas. E isso tem feito diferença real na vida de muitos pacientes", conclui a executiva.
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