Casos recentes no sistema financeiro têm reacendido o alerta no mundo corporativo ao expor uma fragilidade recorrente: marcas fortes nem sempre refletem culturas organizacionais sólidas. No setor bancário, onde a confiança é um ativo central, o descompasso entre imagem institucional e estrutura interna evidencia limites da comunicação e do reposicionamento diante da ausência de critérios técnicos, gestão de riscos e uma cultura pautada por responsabilidade e ética.
Comunicação, reposicionamento e campanhas institucionais não substituem critérios técnicos, gestão de riscos e uma cultura orientada por responsabilidade e ética. Adeildo Nascimento, especialista em cultura organizacional e CEO da DHEO Consultoria, observa que existe um viés recorrente nas altas lideranças. "Muitos executivos acreditam que contratar grandes marcas de consultoria cria uma blindagem. Se algo der errado, sempre é possível dizer que foi a melhor do mercado. Isso gera uma falsa sensação de segurança e transfere a responsabilidade".
Para ele, esse movimento é especialmente perigoso em projetos de cultura. "Transformação cultural não é terceirizável. Ela não nasce do slide nem do método, nasce do engajamento real do CEO e da liderança. Quando isso não acontece, o projeto vira encenação corporativa: bonito na comunicação e frágil na prática".
Mudança exige liderança no topo
Um relatório da McKinsey indica que os casos bem-sucedidos têm um fator comum: envolvimento direto do principal executivo. "Sem liderança ativa, não existe framework que sustente mudança, seja em banco, indústria ou qualquer outro setor".
O especialista também critica a aplicação de modelos padronizados em realidades complexas como a do sistema financeiro. "Cultura exige diagnóstico profundo, leitura de contexto e projetos sob medida. Framework global aplicado como receita ignora pessoas, história e pressão regulatória. Consultor que fala mais do que escuta não transforma".
Na avaliação de Adeildo Nascimento, as crises bancárias deixam uma mensagem clara para todo o mercado: "Marca não transforma cultura organizacional. O que transforma é critério, liderança presente e um projeto estratégico bem conduzido. Cultura é obra de autor. E, dentro de uma empresa, o autor é o líder. Sem isso, não há reputação que sustente a confiança no longo prazo".
Vídeo completo no link: https://youtu.be/lHOC4WvMYtw?si=Kr7APDGnBZZjyCm
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