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Dia do Saquê destaca saber japonês reconhecido pela UNESCO
Comemorada no mês de outubro, data valoriza os saberes nipônicos ligados à produção da bebida e às práticas culturais a ela atreladas ao redor do mundo
13/10/2026 11h20
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Celebrado em 1º de outubro, o Dia Mundial do Saquê marca uma data cuja importância ultrapassa o consumo da bebida em si, carregando conhecimentos, técnicas e práticas culturais transmitidos há gerações no Japão. A escolha do dia, estabelecido em 1978 pela Japan Sake and Shochu Makers Association ("Associação Japonesa dos Fabricantes de Saquê e Shochu", em tradução livre) remonta ao calendário de produção da bebida, que depende da colheita do arroz, ao final de setembro, para ter início em outubro.

Dentro dessa produção, o koji, fungo cultivado sobre grãos cozidos no vapor e responsável por transformar o amido em açúcar, permitindo a fermentação, assume papel central, sendo até reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2024. O reconhecimento também abrange o conjunto de saberes relacionados ao cultivo do koji, o controle das condições de fermentação e o domínio de diferentes etapas da produção pelos toji (mestres), com a participação dos kurabito (trabalhadores).

Após o reconhecimento, o Japão passou a somar 23 elementos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, que reúne manifestações como o Teatro Kabuki, o Bunraku (teatro de bonecos tradicional), o Washoku (conjunto de práticas da culinária tradicional japonesa), e a produção artesanal de washi (papel). No campo da cultura alimentar, o saquê é o segundo elemento japonês inscrito na lista, depois do Washoku, reconhecido em 2013.

Como uma iniciativa que difunde a cultura japonesa, a Japan House São Paulo reúne, em seu ambiente digital, informações sobre a produção tradicional do saquê e explica que registros do século VIII já indicavam o uso do koji em processos semelhantes aos atuais. Com o passar do tempo, técnicas como a adição gradual dos ingredientes e a pasteurização contribuíram para estabelecer as bases da produção moderna, aumentando a durabilidade da bebida.

A instituição nipônica também detalha as diferentes etapas do processo de fabricação do saquê, que pode levar até dois meses: primeiro, o arroz é polido, lavado e cozido no vapor; em seguida, o koji converte o amido em açúcar, enquanto as leveduras transformam esse açúcar em álcool, durante um processo conhecido como fermentação paralela múltipla.

A relação do saquê com a cultura japonesa, no entanto, não se limita às técnicas de produção, mas é incorporada a diferentes rituais e festivais, como o kagami biraki, uma das cerimônias tradicionais relacionadas à renovação dos espíritos a partir da abertura de barris de saquê com martelos de madeira. Já nos santuários xintoístas, barris decorados, chamados de kazaridaru, são oferecidos aos kami (divindades), como forma de agradecimento. A bebida também está presente nos casamentos japoneses tradicionais durante o san-san-kudo, ritual que celebra o juramento dos noivos com goles de saquê em três cálices de tamanhos diferentes, simbolizando a união das famílias.

O mês do Dia Mundial do Saquê oferece uma oportunidade de observar a bebida por outra perspectiva: não apenas como resultado da fermentação do arroz, água e koji, mas como expressão de conhecimentos transmitidos entre gerações e de práticas que conectam produção, natureza, espiritualidade e vida comunitária. No Brasil, esse patrimônio ganhou ainda uma trajetória própria, marcada pela imigração japonesa e pela construção de uma cultura nipo-brasileira.

Serviço:

Japan House São Paulo
Av. Paulista, 52 – térreo – Bela Vista, São Paulo, SP
Horário: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita
Mais informações em www.japanhousesp.com.br