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Google passa a medir presença de sites em respostas de IA
Relatório do Search Console registra impressões em AI Overviews, AI Mode e Discover, mas não mostra cliques nem consultas. Matheus Silveira, CEO da Quality SMI, analisa como interpretar os dados e acompanhar a presença das marcas em outras platafo...
02/10/2026 14h42
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O Google liberou, em 31 de agosto de 2026, para todos os sites do mundo, os relatórios de desempenho de inteligência artificial (IA) generativa no Search Console. Segundo o anúncio oficial, o recurso, testado desde junho com um grupo restrito de propriedades, mostra quantas vezes as páginas de um site foram exibidas no AI Overviews, no AI Mode e nas experiências de IA do Discover.

É a primeira métrica oficial da empresa sobre visibilidade em respostas de IA, acompanhamento que antes dependia de testes manuais e ferramentas externas. Conforme a documentação de ajuda do Search Console, o relatório traz impressões, páginas, países, dispositivos e evolução temporal, mas não informa cliques, taxa de cliques, consultas ou posição, o que impede associar a exibição a tráfego ou negócios.

Presença medida, resultado ainda não

Para Matheus Silveira, CEO da Quality SMI, agência de GEO (Generative Engine Optimization, ou otimização para mecanismos generativos) e SEO, a novidade muda o ponto de partida da conversa. "Até agora, quem queria saber se aparecia nas respostas de IA do Google precisava testar na mão, pergunta por pergunta, ou contratar ferramentas externas que fazem estimativas. Agora o próprio Google entrega um número", afirma. Na avaliação do executivo, o dado tira o GEO do campo da impressão pessoal e coloca a disciplina no mesmo patamar do SEO, com histórico e comparação mês a mês.

O especialista, no entanto, faz uma ressalva. "É um primeiro passo, e bem limitado. A empresa que abrir o relatório esperando ver retorno sobre investimento vai se frustrar. O que ele mostra hoje é presença. Já é muita coisa, porque a maioria das empresas nem sabe se existe nessas respostas", pondera.

A leitura das impressões, segundo Silveira, deve funcionar "como um termômetro de presença, não como indicador de resultado". O dado não revela a pergunta, a posição na resposta ou se houve clique, e ganha valor na tendência: impressões em alta após a reestruturação de um conteúdo sinalizam que o Google passou a considerar a página útil; em queda, pedem investigação. "O erro é pegar o número absoluto e tratar como audiência. Mil impressões em IA não são mil pessoas interessadas na sua empresa", alerta.

Uma análise do Pew Research Center com 900 adultos nos Estados Unidos ajuda a dimensionar essa distância: quem viu um resumo gerado por IA clicou em um resultado tradicional em 8% das visitas, ante 15% entre quem não viu. Os links citados nos próprios resumos foram clicados em 1% das visitas.

Fonte de informação ou opção de compra

O executivo aponta o recorte por página como a informação mais estratégica do relatório. "Quando a IA cita um artigo do blog, ela está usando a empresa para explicar um assunto. Quando cita uma página de produto ou de serviço, ela está colocando a empresa como alternativa para quem quer resolver um problema. São papéis muito diferentes no funil", explica.

Silveira observa que muitas empresas com blog bem trabalhado aparecem com frequência como fonte, enquanto as páginas comerciais ficam de fora. Nesses casos, segundo ele, a companhia ensina o mercado e deixa a venda para outro. "Esse cruzamento mostra onde está o gargalo. Às vezes a página de serviço é genérica demais, sem informação concreta que a IA consiga extrair e citar", diz.

A distinção pesa porque a IA já entra nas decisões de consumo. Pesquisa da Sinch, divulgada pela Forbes Brasil em setembro de 2026, mostra que 78% dos consumidores brasileiros esperam que a tecnologia facilite as compras de fim de ano, ante 43% na média global.

Cruzamento de fontes

Para não confundir visibilidade com tráfego, leads ou vendas, o CEO da Quality SMI recomenda evitar relações automáticas. "Visibilidade subiu, então vendas subiram: essa relação não está comprovada pelo relatório, e ninguém deveria apresentá-la assim para a diretoria", argumenta. O segundo cuidado é cruzar fontes: o Search Console mostra a exibição, enquanto o Analytics e o CRM registram o que ocorreu depois. Se as impressões crescem e os leads ficam parados, a empresa está sendo vista, mas não está convencendo.

Ele lembra ainda que parte do efeito da IA não gera clique, já que o usuário pode ler a resposta, guardar o nome da marca e procurá-la diretamente depois. "Por isso, eu sempre recomendo perguntar ao lead como ele conheceu a empresa. Parece básico, mas é o dado que fecha essa lacuna enquanto as ferramentas não evoluem", acrescenta.

Bloqueio e outras plataformas

O Google também passou a oferecer um controle para excluir o site dos recursos de IA generativa. Na visão de Silveira, para quem vende, bloquear é quase sempre a escolha errada: o debate faz sentido para grandes portais, que dependem do clique, mas indústrias, distribuidores e prestadoras de serviço querem ser lembrados na hora da decisão. "Sair das respostas de IA significa abrir mão de uma vitrine que está crescendo e deixar esse espaço para o concorrente", avalia. Contra o risco de a IA falar da empresa de forma errada, ele sugere publicar informação clara, correta e atualizada.

Outra limitação é o alcance, restrito ao ecossistema do Google, enquanto parte relevante das pesquisas de compra já começa no ChatGPT, no Perplexity e no Copilot, segundo o executivo. "O que eu recomendo é montar um conjunto fixo de perguntas que um cliente real faria sobre aquele segmento e testar periodicamente nas principais plataformas, registrando se a marca aparece, como aparece e ao lado de quem", orienta. Em paralelo, ele indica acompanhar no Analytics o tráfego vindo dessas ferramentas e o volume de buscas pelo nome da marca, que costuma subir quando a empresa passa a ser citada.

Os dados do Search Console dão às empresas um primeiro parâmetro oficial de presença em respostas de IA, ainda restrito à exibição e ao Google. Na leitura do especialista, o indicador ganha utilidade quando combinado a outras fontes e a métodos próprios. "Nenhum desses dados sozinho conta a história inteira. Juntos, eles dão uma visão bem mais honesta do que está acontecendo", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://www.qualitysmi.com.br/