Mogi das Cruzes Moção
Câmara repudia falas atribuídas a ex-dirigente
Moção questionou referências a Hitler e Mussolini em reunião
03/09/2026 19h20
Por: Redação
A CÂMARA

A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovou, na quarta-feira (2 de setembro), uma moção de repúdio contra declarações atribuídas à ex-dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, Roselaine Batalha Silva. Segundo o documento aprovado pelo Legislativo, as manifestações teriam feito referências elogiosas a Adolf Hitler e Benito Mussolini.

A Moção de Repúdio nº 112/2026 foi apresentada pela Comissão Permanente de Educação da Câmara, presidida pela vereadora Malu Fernandes (PL) e integrada também pelos vereadores Priscila Yamagami (PL), Inês Paz (PSOL), Edu Ota (Podemos) e Johnny da Inclusão (Avante).

Moção cita reunião virtual com diretores de escolas

De acordo com o texto da moção, as declarações teriam ocorrido durante uma reunião virtual realizada em 12 de agosto de 2026 com diretores de escolas da rede estadual.

O documento afirma que a então dirigente teria recomendado biografias de Hitler e Mussolini ao tratar de liderança. A moção também registra que reportagens publicadas sobre o episódio atribuíram a Roselaine referências positivas a Hitler e ao livro Mein Kampf.

As afirmações são apresentadas no documento legislativo como declarações atribuídas à ex-dirigente. A moção sustenta ainda que manifestações semelhantes teriam ocorrido em outras reuniões conduzidas por ela.

Vereadores divergiram sobre responsabilidade do Estado

Durante a discussão da matéria, integrantes da Comissão de Educação concordaram com o repúdio às declarações atribuídas à ex-dirigente, mas apresentaram avaliações diferentes sobre a responsabilidade política pelo episódio.

A vereadora Inês Paz (PSOL), professora aposentada da rede estadual, criticou o Governo do Estado e afirmou que houve pressão pela retirada da dirigente do cargo.

“Pressionamos, e o governador foi obrigado a retirá-la do cargo.” — Inês Paz.

A parlamentar também relacionou o episódio às condições enfrentadas pelos profissionais da Educação e defendeu atenção ao adoecimento dos trabalhadores da área.

Presidente da comissão rebateu crítica ao governador

A presidente da Comissão Permanente de Educação, Malu Fernandes (PL), discordou da avaliação de Inês Paz sobre a responsabilidade do governador e destacou que a ex-dirigente foi retirada da função.

“Minha Moção é um apoio aos nossos gestores e demais profissionais de Educação.” — Malu Fernandes.

A vereadora afirmou ainda que o Legislativo precisa voltar atenção à saúde mental dos educadores e defendeu que a condução da Unidade Regional de Ensino respeite os profissionais da rede.

Saúde mental dos educadores entrou no debate

A vereadora Priscila Yamagami (PL), que também é professora e integra a comissão, ampliou a discussão para as condições enfrentadas pelos profissionais da Educação.

“Os professores estão adoecidos sim. É preciso um debate profundo.” — Priscila Yamagami.

A parlamentar defendeu uma discussão mais ampla sobre a crise na Educação e ressaltou a responsabilidade dos educadores como referência para estudantes e para a comunidade escolar.

Moção formalizou posição política do Legislativo

Com a aprovação da Moção nº 112/2026, a Câmara formalizou sua desaprovação às declarações descritas no documento e manifestou apoio aos gestores e profissionais da Educação.

A moção possui caráter político e institucional de manifestação do Legislativo e, por si só, não estabelece penalidade administrativa ou judicial.