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Endocrinologista explica emagrecimento após os 40 anos
Dra. Aline Pinho, médica especialista em endocrinologia e metabologia, avalia por que hormônios, sono e composição corporal precisam ser analisados em conjunto no emagrecimento após os 40 anos, com destaque para a medicina de precisão e o cuidado ...
24/08/2026 18h25
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A partir dos 40 anos, as mulheres começam a vivenciar um envelhecimento mais intenso, que acompanha as alterações hormonais típicas da menopausa e frequentemente vem junto a um aumento nas responsabilidades e mudanças na vida tanto pessoal quanto profissional. Ademais, depois desta idade, o processo de emagrecimento deixa de depender apenas de dieta e exercício e passa a exigir uma leitura mais ampla do organismo. Isso é o que apontam os materiais do Hospital Israelita Albert Einstein e da Rede Oswaldo Cruz.

A médica endocrinologista Aline Pinho defende que o principal erro nessa fase é repetir estratégias que funcionavam na juventude sem considerar mudanças metabólicas e hormonais que ocorrem de forma silenciosa. "Depois dos 40, o problema raramente é apenas o peso. O organismo começa a mudar silenciosamente antes mesmo que a balança mostre isso", afirma.

Segundo a especialista, alterações na massa muscular, na distribuição de gordura e na sensibilidade à insulina já estão em curso antes mesmo de o peso corporal se alterar de forma perceptível. Nas mulheres, a perimenopausa e a menopausa acrescentam outra camada de complexidade, podendo modificar o sono, a disposição e a distribuição de gordura.

"Depois desta idade, por exemplo, não basta perguntar quanto a pessoa come ou quanto se exercita. É preciso entender como ela dorme, como está sua saúde hormonal, quanto músculo possui, como está distribuída a gordura corporal, qual é seu risco metabólico e como aquele organismo responde ao estresse e à recuperação", explica a médica.

Particularidades devem ser levadas em consideração

Segundo a Dra. Aline Pinho, dois pacientes com o mesmo peso e o mesmo Índice de Massa Corporal (IMC) podem precisar de condutas diferentes. Alguém com sono fragmentado ou perda relevante de massa muscular tende a responder de forma distinta a um plano terapêutico em comparação a outra pessoa sem essas alterações.

"Depois desta fase, emagrecer bem não significa apenas perder quilos. Significa compreender o que mudou naquele organismo, corrigir o que interfere na resposta ao tratamento e proteger aquilo que não podemos nos dar ao luxo de perder: músculo, força, energia e autonomia", pontua. De acordo com a médica, uma pessoa pode manter o mesmo peso na balança e, ainda assim, apresentar menos músculo e mais gordura visceral, cenário comum na transição menopausal.

"Músculo não é apenas estética. É um tecido metabolicamente ativo, relacionado à força, funcionalidade, saúde metabólica e independência ao longo do envelhecimento", completa.

Medicina de precisão une dados clínicos e genética

Na avaliação da Dra. Aline Pinho, a visão da medicina de precisão parte de uma premissa simples: pacientes diferentes não deveriam receber automaticamente o mesmo tratamento apenas por apresentarem o mesmo IMC. A integração de dados genéticos a essa análise tem ganhado espaço na literatura científica, como discutido em artigo sobre medicina de precisão aplicada à obesidade e ao diabetes.

A médica ressalta, porém, que a genética deve ser interpretada com cautela. "Genética não é sentença e não deve ser interpretada isoladamente. Os escores genéticos atuais têm potencial para estratificação de risco, mas ainda apresentam limitações", assinala.

Um exemplo identificado pela endocrinologista envolve variantes relacionadas ao receptor de GLP-1, hormônio ligado à saciedade, estudadas por sua relação com a resposta a medicamentos dessa classe, tema também abordado pela BBC News Brasil. De acordo com ela, esses marcadores ainda não têm precisão suficiente para, isoladamente, indicar ou descartar um tratamento.

"A indicação continua sendo predominantemente clínica, mas hoje a genética pode acrescentar uma camada de informação que torna essa decisão muito mais individualizada", pondera. O tempo de uso desses medicamentos acompanha o debate sobre uso contínuo ou provisório, tema explorado em reportagem da Rádio USP. Segundo a Dra. Aline Pinho, ainda não existe teste genético validado para prever riscos específicos dessa classe, e essa avaliação depende da história clínica e do acompanhamento médico.

Perimenopausa e menopausa pedem acompanhamento integrado

Para a especialista, a transição menopausal não se resume ao fim da menstruação, mas envolve um período que pode se estender por anos e se manifestar de formas diferentes entre as mulheres, questão discutida em material da Agência Brasília. "Sono ruim, ondas de calor, alteração de humor, mudança de composição corporal, queda da libido, redução de energia e dificuldade maior para manter músculo podem aparecer em combinações distintas", descreve.

A médica também cita a terapia hormonal como recurso validado para sintomas vasomotores da menopausa, cuja indicação deve ser avaliada conforme sintomas, idade, tempo desde a menopausa e perfil de risco de cada paciente. Segundo ela, o acompanhamento nessa fase deve envolver também avaliação de risco cardiovascular, massa óssea e metabolismo.

"É justamente nessa fase que eu quero olhar para risco cardiovascular, composição corporal, músculo, osso, metabolismo, sono, sexualidade e hábitos que determinarão como essa mulher chegará às próximas décadas", frisa.

Na visão da endocrinologista, o objetivo não é apenas alcançar um peso menor, mas construir um organismo mais forte e equilibrado. Para ela, a boa medicina de prevenção não deveria esperar o organismo adoecer para agir. "Depois dos 40, acredito que o paciente não deveria perguntar apenas: ‘meus exames estão normais?’ Uma pergunta mais sofisticada seria: ‘esses resultados mostram que estou construindo o envelhecimento que desejo ter?’", resume Dra. Aline Pinho.

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