Por Clau Camargo
Encontrar uma instituição de ensino preparada para atender alunos neurodivergentes ainda é um desafio para muitas famílias brasileiras. Crianças e adolescentes com TDAH, autismo, dislexia, discalculia, altas habilidades ou outras condições fora do padrão neurológico típico precisam de estratégias adequadas, profissionais capacitados e condições reais de aprendizagem.
Embora a educação inclusiva seja um direito garantido por lei, a realidade mostra que o acesso à matrícula não é suficiente. A inclusão precisa ocorrer de forma efetiva, com igualdade de oportunidades, acolhimento e suporte pedagógico adequado.
De acordo com o Ministério da Educação, em 2025, o número de matrículas na educação especial chegou a 2,5 milhões. Na educação básica, em instituições públicas e privadas, esse total passou de 312 mil para 850 mil entre 2015 e 2024, segundo levantamento do Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que atua com pesquisa, formação continuada e controle social na área de educação inclusiva.
“O que se observa é que tem aumentado a demanda, mas na prática ela não tem sido absorvida como se deve. Não basta apenas matricular, é necessário que a inclusão ocorra de fato, garantindo reais condições de aprendizagem e desenvolvimento, com igualdade de oportunidades”, defende Clau Camargo, advogada e primeira-dama de Arujá.
Capacitação de professores é um dos principais gargalos
Entre os principais desafios apontados para a consolidação da educação inclusiva está a formação dos profissionais que atuam em sala de aula. Levantamento do Instituto Rodrigo Mendes indica que, para o atendimento na educação básica, apenas 151 mil professores fizeram algum curso sobre inclusão com carga horária mínima de 80 horas. O número representa 6% do total.
Ainda segundo os dados citados no material, apenas 40% desses profissionais realizaram cursos específicos para atendimento educacional especializado, conforme informações do MEC.
“Os professores, no entanto, não podem e nem devem ser responsabilizados por essa defasagem, pois a grande maioria já é sobrecarregada por muitas horas de trabalho e por salas de aula muitas vezes superlotadas”, afirma Clau Camargo.
Inclusão escolar depende de políticas públicas efetivas
Para que a inclusão avance além da matrícula, escolas e gestores públicos precisam investir em formação, estrutura, acompanhamento pedagógico e equipes preparadas para lidar com diferentes necessidades de aprendizagem.
O desafio envolve não apenas as instituições de ensino, mas também o poder público, que deve garantir condições para que estudantes neurodivergentes tenham acesso a uma educação de qualidade.
“Portanto, cabe às instituições de ensino e aos nossos governantes a busca por caminhos que ofereçam a nossos alunos neurodivergentes uma educação inclusiva efetiva e de qualidade”, conclui Clau Camargo.
Artigo de Clau Camargo, advogada, autora e primeira-dama de Arujá (SP)