Economia Negócios
Duplicata escritural avança do regulatório à operação
Empresas antecipam adoção do modelo para reduzir atritos, ampliar segurança e melhorar acesso ao crédito; integração entre ERP, registradoras e ins...
08/05/2026 15h17
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O mercado brasileiro vive um momento de transição na adoção da duplicata, que vai além do cumprimento regulatório e aponta para uma agenda mais ampla de modernização financeira. Após anos de debates, o modelo começa a se consolidar nas operações, impulsionado por empresas que buscam não apenas adequação, mas eficiência. Na prática, o avanço reflete uma mudança mais profunda: a necessidade de reduzir atritos operacionais, ampliando a visão da capacidade e, com isso, melhorar o acesso ao crédito.

Inserida na agenda regulatória do Banco Central, a duplicata escritural tem como um dos objetivos ampliar o acesso das empresas ao crédito, diminuindo a exposição ao risco e ampliando as ofertas, inclusive em maior volume. Ao conectar a nota fiscal eletrônica, o aceite do comprador e a liquidação do pagamento, o modelo reduz falhas históricas como duplicidade de garantias e inconsistências de registro e traz uma visão clara de capacidade.

De acordo com Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, empresa especializada em ecossistemas integrados de soluções de finanças, fluxo de caixa e cadeias de negócios, o movimento atual ainda é puxado pelos grandes pagadores, por conta da necessidade de fortalecer seus fornecedores. No entanto, a regulamentação fiscal e, em paralelo, o split payments ainda tomam grande atenção dos sistemas de gestão e dos empresários ".

A antecipação à obrigatoriedade regulatória tem sido motivada por ganhos operacionais e financeiros imediatos. "Organização, autenticidade, unicidade, risco, fraude e incapacidade de tomar crédito têm sido temas abordados nas agendas que despertam a preocupação por antecipar as datas dos marcos regulatórios, definidas pelo porte das empresas", explica o executivo. Com isso, a duplicata deixa de ser apenas uma exigência futura e passa a ser instrumento de organização e melhoria financeira.

Apesar dos avanços, o principal obstáculo à adoção não está na tecnologia, mas na falsa percepção de complexidade: "O desconhecimento e a desinformação sobre como implementar o processo frente à motivação das vantagens e dos ganhos ainda dificultam o avanço das empresas. Na prática, já é possível implementar de forma simples e quase imediata, pois já há infraestrutura disponível por meio de APIs e outras camadas de integração prontas", diz Silva.

A integração entre sistemas de gestão, registradoras, instituições financeiras e fluxos internos também segue como um dos principais desafios. Um levantamento realizado pela Nexxera durante o evento Encontros à Mesa revela que 71% das empresas apontam a automação e a simplificação de processos como a prioridade absoluta para 2026, reforçando que a eficiência operacional é o eixo central dessa transformação.

"Já ultrapassamos esta barreira, colocando infraestrutura à disposição de todo o mercado. A infraestrutura da Nexxera está pronta para os processos com notas fiscais/duplicatas, recebíveis e pagamentos, entre outros já disponíveis para todos os sistemas de gestão (muitos já adequados), registradoras e instituições financeiras", afirma o executivo.

Para ele, o objetivo foi simplificar e automatizar a entrada das empresas, para agora dar espaço à adoção dos modelos e permitir a adesão de forma simples, sem impacto nas agendas tributárias e de split, obtendo as vantagens que já estão disponíveis.

"Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma nova lógica, pronta e acessível, de processos que ampliam a competitividade no mercado", reforça o fundador e presidente da Nexxera.

Para os próximos anos, a expectativa é de avanço consistente na adesão à duplicata escritural, com impacto direto na forma como o crédito é estruturado e distribuído. A tendência, segundo Edson Silva, é o crescimento de soluções ainda mais inteligentes, baseadas em dados confiáveis e processos integrados.

Esse movimento deve ampliar o alcance do crédito, especialmente para empresas pequenas e com maior dificuldade de acesso. "O avanço do crédito inteligente deve beneficiar de forma mais efetiva a base da pirâmide econômica. E, ao reduzir fricções, empresas passam a acessar melhores condições com mais agilidade, ampliando a democratização do crédito", conclui.

Para saber mais, basta acessar: Duplicata escritural: um passo rumo à profissionalização definitiva do crédito no Brasil