Pesquisa elaborada pelo Núcleo de Estudos de Comportamento e Gestão de Pessoas do Insper detalha como o modelo de trabalho remoto, amplamente adotado durante a pandemia, ainda gera debates no mercado brasileiro.
Segundo o estudo, embora muitas empresas tenham iniciado movimentos para ampliar a presença física nos escritórios, os trabalhadores demonstram resistência a abandonar completamente o home office. A análise produzida pelo Insper no segundo semestre de 2025 mostra como essa mudança tem impactado a relação entre profissionais e organizações.
O levantamento ouviu trabalhadores de diferentes setores e níveis de carreira e aponta que o formato híbrido, formato que combina dias no escritório com trabalho remoto, continua sendo o modelo padrão entre empresas brasileiras. A pesquisa indica que a experiência adquirida nos últimos anos mudou as expectativas dos profissionais sobre flexibilidade e qualidade de vida no trabalho.
Conforme analisado pelos pesquisadores do Insper, grande parte dos funcionários passou a considerar a possibilidade de trabalhar de casa como um benefício relevante. Por isso, decisões corporativas que eliminam totalmente essa alternativa podem provocar insatisfação e até estimular a busca por novas oportunidades no mercado.
Os dados mostram que, quanto maior a frequência atual de trabalho remoto, maior tende a ser a resistência ao retorno integral ao escritório. Entre os profissionais que trabalham a maior parte da semana em casa, a disposição para permanecer na empresa diminui quando a flexibilidade é retirada. Conforme apuração feita pelo Insper, mesmo entre aqueles que adotam o modelo híbrido com poucos dias remotos, a possibilidade de perder esse benefício já é vista com cautela.
Tecnologia auxilia trabalhadores que atuam em regime home office
O avanço do trabalho remoto também impulsionou o uso de ferramentas digitais voltadas à comunicação e à gestão de tarefas. De acordo com a plataforma colaborativa francesa Wimi Teamwork, entre as soluções usadas por empresas com times alocados em diferentes regiões e que precisam enviar arquivos de grande porte, há soluções que auxiliam esses trabalhadores que atuam em regime home office.
Esse tipo de tecnologia se tornou um apoio importante para empresas que mantêm funcionários em diferentes cidades ou países, permitindo que documentos, relatórios e conteúdos multimídia circulem sem grandes barreiras técnicas.
Entre as ferramentas que foram recomendadas para esse tipo de atividade aparece a startup TransferNow, que, segundo a empresa, oferece um serviço online para compartilhar documentos pesados de forma rápida e segura.
A proposta da empresa é facilitar o envio de materiais que normalmente ultrapassam o limite de anexos de e-mail, como arquivos mais pesados, vídeos grandes ou projetos gráficos, algo comum em tarefas realizadas por equipes que trabalham à distância.
Mudança cultural nas empresas e as possibilidades para o futuro do trabalho
Ainda sobre o estudo publicado pelo Insper, o cenário revela uma transformação cultural nas organizações e na cultura dos trabalhadores da atualidade. Antes da pandemia, o trabalho remoto ainda era limitado em muitas áreas. Com a necessidade de adaptação rápida naquele período, empresas investiram em ferramentas digitais e processos que permitiram manter equipes produtivas fora do escritório.
Esse aprendizado acabou redefinindo a forma como muitos profissionais enxergam o trabalho. A redução do tempo gasto em deslocamentos, maior autonomia para organizar a rotina e a possibilidade de equilibrar compromissos pessoais e profissionais estão entre os fatores frequentemente citados como vantagens do home office.
Ao mesmo tempo, empresas que defendem o retorno presencial apontam benefícios relacionados à colaboração, à integração das equipes e à cultura corporativa. A convivência no ambiente físico, segundo alguns executivos, pode facilitar a troca de ideias e acelerar processos de decisão.
Na avaliação dos pesquisadores, a tendência é que o mercado de trabalho brasileiro continue buscando equilíbrio entre produtividade e flexibilidade. Em vez de uma escolha definitiva entre presencial ou remoto, muitas organizações devem apostar em modelos intermediários que combinem os dois formatos.
O desafio, segundo especialistas, está em estruturar políticas claras e coerentes com as expectativas dos profissionais. Empresas que conseguirem adaptar seus modelos de trabalho às novas demandas do mercado podem ter vantagem na retenção de talentos e na construção de equipes mais engajadas.
Nesse cenário, o debate sobre trabalho remoto deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a fazer parte da estratégia das organizações em um mercado cada vez mais competitivo e digital.