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‘Seja o algoritmo na vida do seu filho’, diz delegada de núcleo que já salvou mais de 300 crianças de crimes virtuais em SP
Estado de São Paulo foi pioneiro na criação do Núcleo de Observação e Análise Digital, que monitora redes sociais para prender suspeitos e prevenir...
01/04/2026 08h46
Por: Redação Fonte: Secom SP

Criado em 2024 para monitorar as redes sociais e combater crimes envolvendo crianças, adolescentes e animais, o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo , já salvou 365 vítimas e mais de mil animais. A afirmação é da delegada e coordenadora do Núcleo, Lisandrea Colabuono, que participou do SP Pod, o podcast da Agência SP, cuja estreia ocorreu nesta quarta-feira (1).

Segundo a delegada, a criação do núcleo ocorreu após os ataques em escolas pela necessidade de compreender como as redes sociais estavam sendo utilizadas para cometer crimes . “Não tínhamos dados, precisávamos saber o motivo, traçar um perfil criminal dos responsáveis pelos ataques”, disse. Hoje, o núcleo se concentra em evitar ataques. “O foco do nosso trabalho são as vítimas, em sua maioria crianças. A gente não dorme para salvar vidas”, disse Lisandrea.

O trabalho do Núcleo, explica a delegada, é monitorar as ‘chans’, comunidades anônimas da deepweb que agregam pessoas com os mesmos interesses, e as chamadas “panelinhas” nas redes sociais, plataformas preferidas pelos responsáveis por esse tipo de crime.

“Muitos são adolescentes que buscam pertencimento e que de certa forma têm dificuldade de interação social. As vítimas, em sua maioria, são meninas, de 6 a 14 anos”, explicou a delegada.

No podcast, Lisandrea chama a atenção para a falta de motivação específica dos agressores e a banalização da violência .

Foto: Reprodução/Secom SP

“Não há motivação financeira. Na verdade, por vezes ali é a violência pela violência, apenas para ficar conhecido entre seus pares nos grupos”, afirma.

Outro detalhe importante é o horário das agressões, geralmente de madrugada, horário em que os pais estão dormindo e as crianças usam a internet sem vigilância.

“Já houve casos de ligarmos para os pais que estavam dormindo enquanto seu filho estava sendo submetido a mutilações”. disse. Por isso, segundo a delegada, o Noad faz um trabalho intenso de monitoramento entre 22h e 5h.

A delegada chamou a atenção para a necessidade de os pais interagirem e monitorarem os filhos nas redes com extrema atenção.

“Conheçam seus filhos mais do que qualquer algoritmo. Hoje, o algoritmo sabe exatamente o que o filho de cada um de nós quer nas redes. Ele identifica em 3 segundos e começa a passar”, alerta a delegada, que ainda acrescenta: “Seja o algoritmo na vida do seu filho. Não deixe que uma rede social o conheça melhor que você”.

Monitoramento de plataformas digitais

A coordenadora do Noad disse que um dos maiores problemas enfrentados pela polícia em crimes virtuais é a falta de colaboração de algumas plataformas .

“A moderação das plataformas é absolutamente necessária. Tivemos um caso, por exemplo, de uma adolescente se mutilando e nós acionamos a plataforma para que derrubasse o servidor e preservasse os dados para investigarmos. Eles [a plataforma] não consideraram o caso urgente nem violento”, disse.

Lisandrea afirma que é necessário vislumbrar um cenário em que a plataforma consiga monitorar que o crime está ocorrendo, “porque eles têm a tecnologia para isso”, e acione imediatamente a força de segurança. “Hoje sabemos, por exemplo, que as plataformas preferidas dos criminosos são aquelas que possuem pouca moderação”. enfatizou.

NOAD

A delegada explicou ao SP Pod que o Estado de São Paulo foi pioneiro na criação do Núcleo de Observação e Análise Digital e na identificação de falhas de moderação nas plataformas, que foram comunicadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo.