O Governo de São Paulo entregou nesta terça-feira (31) a Linha 17-Ouro do Metrô, que amplia a mobilidade na Região Metropolitana, ligando o Aeroporto de Congonhas à rede metroviária, pelas linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás. Com investimento de R$ 5,97 bilhões, o ramal tem 6,7 quilômetros de extensão e deve transportar diariamente cerca de 100 mil passageiros quando atingir a operação plena, prevista para outubro.
Com entrega prevista para 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, as obras foram retomadas em setembro de 2023 pela gestão do governador Tarcísio de Freitas. “Hoje não estamos simplesmente entregando uma linha, estamos encerrando um ciclo de atraso. Durante anos, convivemos com uma estrutura que consumiu recursos e ficou parada. Obra parada não tem valor presente e não ajuda o cidadão. Precisávamos tomar a frente e resolver, não dava para conviver com atraso e aceitar o desperdício. Tínhamos que virar essa página e retomar a confiança. Esse governo veio para trazer a solução. Estamos dando um passo grande hoje, com a interligação do aeroporto de Congonhas ao sistema, tornando essa rede mais conectada”, afirmou o governador.
Durante a inauguração, Tarcísio também autorizou a expansão da linha, com mais 4,6 km de extensão e quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis, que integrará pela primeira vez uma das maiores comunidades da capital ao sistema de transporte sobre trilhos. “Concluímos a obra para dar outros passos, com firmeza e responsabilidade. Autorizamos hoje o projeto de extensão para mais quilômetros de linha 17, que leva o metrô a Paraisópolis e conecta a Linha 4-Amarela”, afirmou.
A implantação da linha traz benefícios sociais e ambientais em uma área de grande população na capital. Além de diminuir o tempo de viagem e estabelecer a aguardada conexão com o aeroporto, o projeto prevê a integração com linhas de ônibus e ciclovias, incentivando deslocamentos sustentáveis.
Nesta fase inaugural, o ramal realizará operação transitória, com transporte de passageiros disponível de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Excepcionalmente nesta terça, por conta da cerimônia de inauguração, a Linha 17 vai abrir ao público das 16h às 20h.
A linha começa a funcionar com a circulação de dois trens, com tempo de espera médio entre 7 e 14 minutos, em formato de shuttle (cada composição vai e volta pela mesma via, em ambas as vias), entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi. As viagens contarão com a supervisão de funcionários embarcados, procedimento padrão nas novas linhas de metrô.
A operação transitória permite acompanhamento técnico e regulações dos sistemas e a verificação contínua da confiabilidade operacional. O objetivo é garantir segurança e qualidade no atendimento aos passageiros, do início do serviço até a evolução para a operação em tempo integral, das 4h40 à 0h.
O trajeto vai obedecer parada em sete das oito estações da linha: Morumbi (conexão com a Linha 9-Esmeralda), Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo (integração à Linha 5‑Lilás), Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas.
A estação não estará no funcionamento inicial para não impactar a experiência do passageiro com aumento significativo no tempo de espera, já que essa parada demanda a utilização da bifurcação da linha. A Washington Luís será integrada tão logo a inserção de novas composições permita a redução do intervalo de circulação, o que está previsto para junho deste ano.
Todas as estações da Linha 17-Ouro contam com dois acessos bem integrados ao entorno urbano, facilitando a entrada e a saída dos passageiros. Elas são totalmente acessíveis, com elevadores, escadas rolantes, pisos táteis, sanitários adaptados e sinalização adequada, garantindo autonomia e conforto a pessoas com mobilidade reduzida.
As estações também contam com portas de plataforma e espaços dedicados para guarda de bicicletas (paraciclos, além de um bicicletário na Estação Morumbi), integrados a ciclovias existentes, incentivando a mobilidade ativa e a integração entre diferentes modos de deslocamento. Nos acessos, há baias para embarque e desembarque de veículos (táxis, aplicativos) e pontos de ônibus.
Nesta fase inicial de operação, as passarelas seguirão o mesmo horário das estações, das 10h às 15h. Tanto as passarelas quanto o túnel do aeroporto de Congonhas são abertos a todos os pedestres, inclusive para quem não for embarcar no monotrilho. O acesso facilita a mobilidade, a travessia da Avenida Roberto Marinho e a entrada no aeroporto. Quando as estações estiverem em pleno funcionamento, os acessos também seguirão seus horários de funcionamento.
Cada um dos 14 trens da frota, todos já fabricados na China, tem capacidade para 616 passageiros. Desse total, 11 unidades já estão no Pátio Água Espraiada, sendo oito já comissionadas, que é o processo de cumprimento dos protocolos de testes de segurança e liberação para operar. As outras três composições estão a caminho do Brasil por navio e a utilização de mais trens na operação comercial é ampliada gradualmente conforme o crescimento da demanda, seguidas de ajustes nos sistemas de controles. O investimento foi de R$ 989 milhões.
Os trens desta linha foram projetados para funcionar com o sistema UTO (Unattended Train Operation), sem condutor, com controle por sinalização CBTC. Cada composição é formada por cinco carros, com passagem livre entre eles, ar‑condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância, sistemas de detecção e combate a incêndio e tração sobre pneus. Um dos destaques é o conjunto de baterias embarcadas, que permite ao trem se deslocar mesmo em caso de falta de energia, reforçando a segurança e a confiabilidade da operação.
O monotrilho oferece vantagens em alguns cenários, como o eixo da Av. Roberto Marinho, por ser elevado e ocupar os canteiros centrais, o que reduz desapropriações e impacto nos bairros. Suas estações têm infraestrutura completa, com elevadores, escadas rolantes, paraciclos e integração com ciclovias. Além disso, sua implantação requalifica o entorno com áreas verdes, paisagismo e conexões cicloviárias contínuas, como já visto na Linha 15‑Prata.
A operação elétrica do sistema também garantirá uma redução anual de 25.937 toneladas de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, reforçando o compromisso ambiental da empresa. O novo eixo de transporte ainda contribuirá para reduzir significativamente o uso do transporte individual, com economia estimada de 11,7 milhões de litros de combustíveis por ano, diminuindo congestionamentos e incentivando deslocamentos sustentáveis.