A SP House, hub de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo que mostra o potencial em inovação da economia estadual durante o maior evento sobre o tema do mundo, o South by Southwest (SXSW), recebeu na tarde desta sexta-feira (13) uma discussão sobre a liderança paulista na utilização da tecnologia na área da saúde.
Com a participação de Carolini Kaid, da USP; Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein; Vanessa Olzon Zambelli, PhD do Instituto Butantan; e moderação de Ronaldo Lemos, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS) Rio; o painel mostrou como a IA está transformando diagnósticos, terapias com anticorpos monoclonais, pesquisa de vacinas, gestão hospitalar e estratégias de saúde pública.
“O futuro que vislumbramos se concentra em aplicar a inteligência aumentada, telemedicina, bancos de dados e inteligência analítica para além da pesquisa, com o objetivo de promover maior equidade no acesso à saúde para a população, especialmente em um país com grandes disparidades”, disse Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.
Um exemplo destacado pelo médico é o projeto focado na detecção precoce de lesões de leishmaniose em regiões endêmicas da Amazônia. “Desenvolvemos uma solução baseada em um Large Language Model (LLM) treinado para essa finalidade. Essa tecnologia permite que profissionais de saúde em áreas rurais, mesmo sem especialização e sem a necessidade de conexão online, fotografem a lesão. A solução, com uma alta eficácia de 92%, calcula a probabilidade de a lesão ser leishmaniose. Este é um exemplo claro de como a inteligência aumentada e os recursos tecnológicos são cruciais para trazer equidade e facilitar o acesso à saúde para populações historicamente desassistidas”, afirmou.
Além do uso da tecnologia, o painel abordou como São Paulo pode consolidar sua infraestrutura científica, parcerias público-privadas e ecossistemas de dados para liderar de forma responsável a próxima era da saúde.
“Um dos avanços mais significativos é a terapia gênica entrando na era da edição para a cura. Neste contexto, a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) financia um projeto pioneiro de viroterapia com o vírus Zika, utilizando-o como vetor viral para entregar material terapêutico e toda a maquinaria diretamente ao cérebro, algo inédito”, contou a pesquisadora Carolini Kaid, da USP.
Vanessa Olzon Zambelli, PhD do Instituto Butantan, destacou os avanços para as pesquisas científicas com a IA. “Ainda estamos no início desta jornada. No entanto, a inteligência artificial já ajuda a otimizar o processo de pesquisa. Com a IA, é possível entender melhor a estrutura das proteínas, por exemplo, prever sua funcionalidade em um organismo e otimizar processos, reduzindo a necessidade de trabalho de bancada. Isso significa que muitas vezes podemos antecipar e refinar o conhecimento e obter insights antes de ir para o laboratório ou realizar investimentos.”
Esta é a terceira participação da SP House no SXSW, evento realizado em Austin, nos Estados Unidos, entre esta sexta (13) e segunda-feira (16). O espaço do Governo de São Paulo no festival ocupa 2,2 mil m², quase o dobro da edição anterior, com a expectativa de receber até 600 pessoas simultaneamente.
Serão cerca de 60 horas de conteúdo, distribuídas entre dois palcos principais, além de encontros institucionais, apresentações corporativas e discussões sobre negócios e parcerias internacionais.
Com o tema “We are borderless”, a edição deste ano propõe refletir sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um cenário cada vez mais conectado. A SP House funciona como um espaço de encontros e trocas entre empreendedores, executivos, investidores, pesquisadores, gestores públicos e criadores.
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*Enviada especial ao SXSW, em Austin (EUA)