Geral São Paulo
Escola da capital apresenta fórmula para crescer 36,2% nas notas de matemática no Saresp
EE Professor Amador dos Santos Fernandes atingiu proficiência de 336,4 no 9º ano do Ensino Fundamental no Saresp; resultados divulgados recentement...
13/03/2026 12h13
Por: Redação Fonte: Secom SP

Os resultados do Saresp 2025 (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) apontaram para uma evolução histórica no desempenho em matemática. No 9º ano, etapa de ensino desafiadora para o ensino e aprendizagem dessa disciplina, a rede estadual alcançou uma média de proficiência de 260,3 pontos na avaliação, a maior nota desde a implantação da avaliação. Na Escola Estadual Professor Amador dos Santos Fernandes, houve um crescimento de 36,2% no resultado de matemática na comparação entre 2025 e 2023, no primeiro ano de gestão. O desempenho da unidade é resultado de uma combinação de estratégias pedagógicas, uso de tecnologia e engajamento de professores, alunos e comunidade escolar.

A proficiência em matemática registrada pelo 9º ano do Ensino Fundamental em 2025 foi de 336,4. Em 2023, foi de 246,9. Em língua portuguesa, a escola também garantiu o avanço dos resultados, passando de 257,3 em 2023, para 291 em 2025, um aumento de 13,09% na nota.

Ações da Seduc e projetos refletem nota alta no Saresp

O avanço da unidade, que se transformou em uma escola de tempo integral em 2021, é uma soma de ações da Seduc-SP e projetos desenvolvidos internamente pela equipe. A escola implementou nivelamento por agrupamento de alunos com níveis semelhantes de aprendizado, tutorias e uma aula eletiva — escolhida pelos alunos — chamada de Fundamentos da Matemática.

A unidade de ensino atende os anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, e tem 300 estudantes matriculados. Os estudantes responsáveis por garantir a marca para a escola seguiram para outras unidades da rede que atendem as três séries do Ensino Médio.

Para a diretora Márcia Cavalcante Marcusso, a conscientização sobre os programas e ações da Secretaria da Educação com base no desenvolvimento dos estudantes é a base do processo: “Se a gente só chegar e falar que eles farão uma prova, ou participarão de uma olimpíada, os alunos não conseguem ter esse discernimento de como isso é importante para eles. Assim como a Educação forma nossos professores para implantar as atividades planejadas, nós também fazemos uma formação para conscientizar os estudantes sobre tudo o que a Seduc propõe, sobre cada programa”.

A professora de matemática Adelaide Honório de Oliveira, que atua na rede há 20 anos, diz que ela mesma nunca usou a matemática como em 2025: “Além das aulas comuns do Currículo Paulista, a disciplina esteve presente em outros projetos da escola, e isso é resultado do engajamento dos alunos. As listas de atividades que vieram da Seduc e as orientações da nossa unidade regional de ensino ajudaram muito mesmo”, afirma a professora Adelaide Honório de Oliveira, que atua na rede há 20 anos. Ela explica que o engajamento foi intensificado com o Brasileirão Saeb e simulados. “Todas as vezes que tinha a Prova Paulista a gente tinha um intensivão no sábado anterior, um café da manhã aqui, e a gente fazia isso”.

O Brasileirão Saeb foi uma iniciativa da Seduc no ano passado que transformou a preparação para as provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em uma competição saudável entre escolas, focada em língua portuguesa e matemática.

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Apoio da tecnologia

O uso de plataformas digitais, como Matific e TarefaSP, foi integrado ao currículo. A professora Adelaide destaca que, desde o ano passado, as ferramentas estão cada vez mais alinhadas ao material digital: “Por exemplo, eu terminei um conteúdo de propriedades da potência e os alunos fizeram a semana dedicada a esse mesmo assunto na Matific. A plataforma está bem alinhada ao Currículo Paulista”.

A aluna Maria Luísa França de Sousa, de 13 anos de idade, conta que utiliza as plataformas na escola e em casa: “A Matific é um jogo que ajuda muito, apoia em conteúdos que a gente pode não ter entendido direito”, diz.

Moeda própria

Criada a partir da ideia do professor de história da unidade, Silas Maciel dos Santos, a escola Amador passou a ter sua moeda própria no ano passado. O “Amadolar” é uma moeda impressa e carimbada utilizada como pagamento para alunos que realizam atividades e atingem boas notas.

A iniciativa também reforça as aulas de educação financeira. Maria Luísa conta que passou a aplicar o que aprendeu em casa: “Eu recebo uma mesada e antes gastava só com besteira. Hoje eu guardo no cofrinho do banco digital e o dinheiro vai rendendo. Eu até ajudei minha mãe a diminuir gastos com tênis com o que aprendo na aula”.

A professora de matemática conta que o projeto com a moeda própria foi pensado para um bimestre, mas fez tanto sucesso que agora terá continuidade neste ano letivo.

O idealizador da moeda “Amadolar”, professor Silas, foi recentemente beneficiado com uma viagem para a Espanha no módulo internacional do Programa Escola de Gestão, formação criada a partir de parceria da Seduc-SP com a Fundação Getúlio Vargas (FGV/DGPE).

Criada a partir da ideia do professor de história da unidade, Silas Maciel dos Santos, a escola Amador passou a ter sua moeda própria no ano passado. O “Amadolar” é uma moeda impressa e carimbada utilizada como pagamento para alunos que realizam atividades e atingem boas notas. Foto: Marco Ankosqui

Recompensa e celebração

O esforço dos estudantes é convertido em momentos de lazer. Com o “Amadolar”, os alunos compram a entrada para acessar um espaço da escola com jogos de videogame, por exemplo. Quando a unidade foi classificada como escola ouro no Saresp de 2024, divulgado no ano passado, houve comemoração com a participação da Fábrica de Cultura e lanches especiais para toda a unidade.

“No ano passado, toda vez que tinha Prova Paulista, a prova bimestral da Seduc, a gente dava uma festinha. Fizemos para comemorar todos os avanços e o fortalecimento dos vínculos”, relata a professora Adelaide. Para ela, comemorar as conquistas também é uma forma de engajar os estudantes para as avaliações externas.

Mudança de rota e Aulas Olímpicas

O foco pedagógico também se refletiu nas olimpíadas de conhecimento, com a conquista de 27 medalhas na Omasp (Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais de São Paulo) em 2025 pelos alunos da escola.

A aluna Giovanna Pereira Atanazio, de 14 anos de idade, conta que a mudança de postura foi essencial, e cita outro professor de matemática da unidade, o Jesus Cintas, que lecionava para a turma enquanto Giovanna estava no 8º ano do Ensino Fundamental. “O professor ajudou muito a gente, conversou e falou que estava na hora de a gente acordar, que ele queria que todo mundo fosse bem”.

Maria Luísa, que saltou da nota 5 para a nota 9 em matemática no Saresp, atribui o sucesso também a um suporte extra. “As Aulas Olímpicas aos sábados me ajudaram bastante”.

As Aulas Olímpicas da Seduc-SP são atividades extracurriculares de aprofundamento, focadas em preparar estudantes do 6º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio para olimpíadas científicas. Focadas no raciocínio lógico e resolução de problemas, elas ocorrem aos sábados, também em unidades da rede estadual de ensino. Maria Luísa e outros alunos da escola Amador têm aulas na EE Professora Eliza Raquel Macedo de Souza. As Aulas Olímpicas de 2026 começam no próximo sábado, dia 14 de março, data marcada pelo Dia Internacional da Matemática.